Política e Sustentabilidade sob um ângulo crítico
Segunda-feira, 26 de Março de 2007
Por notícias de verdade!
Em tempos de excesso de informação (intenet, TV, mídia por todo lado...) há pelo menos duas novas habilidades que precisamos desenvolver com mais força. Uma delas é a nossa capacidade de filtrar tudo isso, separando e categorizando o que nos interessa, segundo nossos próprios critérios. A outra diz respeito à seleção de fontes "confiáveis", e penso que é aí que reside o perigo.
Apesar do crescimento da pauta ambiental nos meios de comunicação, ela ainda é um assunto secundário e deverá sê-lo por um bom tempo. Entretanto não encontramos tanta dificuldade de acessar notícias que abordem o tema, nas suas mais diversas possibilidades de abordagem. Em geral elas deixam a desejar, são superficiais, e não exploram o tema a fundo. Mas vez ou outra nos deparamos com boas coberturas e com notícias interessantes e bem fundamentadas, sob uma ótima mais crítica e supostamente "independente", se é que isso é possível.

Um caminho interessante que tenho acompanhado é o de buscar informações ambientais em meios de comunicação considerados mais críticos, que começam a incorporá-las em suas pautas cotidianas. O jornal Le Monde Diplomatique (Francês) é um desses:
http://diplo.uol.com.br/Como já dispõe de uma versão brasileira, facilita nossa vida. Eles publicaram recentemente uma matéria muito interessante sobre a questão dos direitos dos animais, a partir de um enfoque ético, pouco presente na mídia por aí. Vale a pena conferir:
http://diplo.uol.com.br/2006-08,a1387

O outro caminho, mais fácil e trivial, é continuarmos acompanhando os vários portais ambientais existentes e a cobertura feita pela mídia sobre o tema. Aí, mais do que nunca é preciso uma boa dose de crítica nesta leitura, identificando as entrelinhas, os interesses ocultos e os posicionamentos políticos de cada veículo de comunicação.

Afinal, nenhum deles cobre um tema ambiental de graça e despretenciosamente. Não falam de meio ambiente porque é um tema "legal nem bonitinho. Muito menos porque o consideram-no, como nós, um tema crucial para a proposição de novos modelos de sociedade e de desenvolvimento. Se é que ainda são possíveis.....São?


publicado por fabiodeboni às 16:12
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Sexta-feira, 23 de Março de 2007
Ousad@s e provincian@s
Sou fã do Zeca Baleiro. Admiro seu trabalho como músico, compositor e intérprete, e cada vez mais aprecio suas idéias, as mensagens das suas canções e sua postura política como artista.
Quem dera se essa atitude fosse algo recorrente no meio artístico (musical, de TV, rádio, teatro, etc). Infelizmente não é e levará ainda muito tempo para sê-lo.

No seu site (www.zecabaleiro.com.br) na parte "Bala News" e "Bala na Agulha" há textos curtos do próprio Zeca com abordagens bem interessantes.. Oxalá se ele abordasse temas ambientais - o que não é o caso - mas mesmo assim há coisas que podem ser extrapoladas para a "nossa" área.

Uma delas, que me permito fazer esse paralelo, é sobre a festa do Oscar, que na medida que fui lendo, fui enxergando-nos (educadores ambientais) nesta análise. Ele fala sobre o quão provincianos são os artistas, sua postura, seus discursos, suas roupas e a própria festa do Oscar. Nada mais previsível e careta.

Traçando o paralelo com "nossa" área:
1. Podemos enxergar a EA como um meio de vanguarda, como os artistas...Visionários, profetas, ativistas...enfim, pessoas supostamente à frente do seu tempo.
2. Por outro lado, também enxergamos com certa facilidade o viés provinciano, careta e previsível da EA, dos educadores e das suas práticas.

Olhemos ao nosso redor... Não é um misto destas duas coisas que vemos?
Por um lado, pessoas antenadas em discussões globais, em temas "de ponta" e supostamente com preocupações altruístas.
Por outro lado, este mesmo grupo reproduz posturas, atitudes e valores em suas práticas que são provincianos, caretas, conservadores  e previsíveis.... Afinal, onde está o espírito artístico dos educadores ambientais em suas posturas e práticas? Queremos ser artistas em si, inovando, quebrando valores e modelos da sociedade, etc...mas na prática, nossas atividades não conseguem ir além de palestras e cartilhas caretas, informativas, chatas e pouco questionadoras, que bem sabemos que dificilmente vão alavancar as transformações que pregamos....

Pois é, vejo-nos numa encruzilhada. Nosso lado artístico e de vanguarda quer nos conduzir a uma trilha mais difícil, mais subversiva e potencialmente transformadora, na contra-mão de onde o mundo inteiro vai...Como seguimos por esta trilha separados do resto do mundo?

Será que, no fundo, (como diz o texto do Zeca), o que queremos como educadores ambientais é garantirmos nossos salários ou o recurso para nossos projetos, ou queremos realmente promover as transformações no planeta que tanto pregamos por aí? Dá pra promover estas transformações sem o famoso "leitinho das crianças"?


publicado por fabiodeboni às 15:56
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Terça-feira, 20 de Março de 2007
Sobre a pesquisa "Este jovem brasileiro"
A pesquisa recém divulgada intitulada "Este jovem brasileiro" revela dados que sinceramente não me surpreenderam. Explico melhor. São revelações já até bem divulgadas no Brasil em outros estudos e pesquisas sobre as juventudes brasileiras. Até penso que esta pesquisa deixou bem a desejar, como comentarei a diante, mas não deixa de ser um instrumento importante para estimular o debate no meio.

Pra quem ainda não viu nada sobre a pesquisa, é só acessar:

http://www.comciencia.br/comciencia/?section=3&noticia=288
http://www.educacional.com.br/projetos/estejovembrasileiro2/resultados_tema2.asp#
(este último reúne todos os resultados e informações da pesquisa)

Alguns comentários iniciais:
1. o público que participou da pesquisa: somente escolas particulares, das regiões Sul, Sudeste e Nordeste, sendo a maioria dos entrevistados jovens com 14 a 16 anos de idade. Sinceramente, não consigo perceber neste recorte de público a diversidade das juventudes brasileiras, apesar dos resultados, de certa forma, refletirem o pensamento geral da sociedade...
2. há uma certa "pirotecnica" quando se divulga algo sobre "jovens"..Faz-se um barulho danado, talvez por conta de um pensamento bem arraigado sobre o jovem - "o futuro do país e do mundo".... sem comentários...
3. sobre Meio Ambiente - as perguntas feitas na pesquisa são muito fracas, apesar de representarem o senso comum da sociedade a respeito do tema.. Meio Ambiente é sinônimo de "jogar o lixo no lixo", "tomar banho rápido", "fechar a torneira enquanto escovo os dentes"...Além de focar apenas em questões individuais, é bastante superficial o entendimento sobre o que vem a ser a questão ambiental.

Mesmices:
1. Violência é apontado com o principal problema percebido pelos jovens entrevistados.. A pesquisa do Projeto Juventude já havia identificado isso em 2004, além de outros estudos sobre juventude...
2. Descrença com o sistema político atual: também nada de novo....Vale ressaltar que a descrença é com a política tal qual ela é hoje, com grande foco nos políticos....Não há abertura para identificar se os jovens têm novas leituras sobre política...Há como fazer política para além do sistema político que temos hoje? Como?
3. Consumistas e Individualistas versus Solidários e Tolerantes: também nada de novo aí. Aliás, isso é um reflexo da nossa sociedade, e sem grandes dificuldades vivenciamos isso no nosso dia-a-dia...
4. Distância entre o pensar e o agir: também, nada de novo aí...Nos consideramos solidários, mas temos atitudes bem individualistas no cotidiano...não é mesmo?

Alternativas:
A pesquisa aponta algumas alternativas que também já identificamos na atualidade..ONGs, coletivos, redes, grupos, associações de jovens......Vale também incluir nesta lista as Políticas Públicas de/para/com Juventude (PPJ) que vem avançando pelo país...

Bom, minha (não) surpresa com os resultados desta pesquisa tem a ver com o que comentei acima...Ela não traz nada de novo ao que já sabíamos sobre Juventude...Sobre a questão ambiental também, além de, a meu ver, perder uma oportunidade de elaborar perguntas melhores e mais aprofundadas.....Isso não tira a importância da pesquisa, que quem sabe, numa próxima oportunidade pode ser repensada e mais aprofundada....

Pelo menos é nítido e crescente o interesse da sociedade como um todo em entender melhor o universo juvenil...O problema é tentar resumi-lo a uma parte muito pequena do ele realmente é....


publicado por fabiodeboni às 13:35
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Segunda-feira, 19 de Março de 2007
Video Pedagógico
Participo de diversas redes de EA....Nelas circulam diariamente informações, dicas, notícias, contatos...É tanto coisa que precisamos desenvolver um bom sistema de filtro, caso contrário nos perdemos em meio a tanta informação...São várias listas de comunicação destas várias redes, além das outras tantas contas de e-mails para gerenciar...É muita coisa!

Vez ou outra aparecem nestas listas coisas bem interessantes....Uma delas é o link de um vídeo que compartilho...Ele aborda a desigualdade que vivemos no mundo atual. Creio ser este um tema essencial de ser abordado em atividades de EA....É sem dúvida uma boa ferramenta de apoio a estas atividades. O vídeo é curto e pode ser projetado para iniciar uma discussão com públicos diversos....

http://www.miniature-earth.com/

Algumas observações importantes:
1. o vídeo também está disponível em português.
2. o mais interessante dele, a meu ver, são os dados que ele vai apresentando no seu decorrer....
3. o final deixa a desejar, na medida em que cai no velho chavão do "cada um fazer a sua parte", remetendo a saídas do tipo "faça sua doação", "clique aqui".....
4. ao final do vídeo uma discussão interessante poderia ser feita a partir das duas faces da mesma moeda:
a) a parte de cada um nesta história - atitudes pessoais
b) atitudes coletivas - pode ser debatida a questão "Políticas Públicas em EA", além de elementos de uma Geopolítica atual mundial (forças entre países, disparidades, o (não) papel do sistema ONU, etc)....

bom, é isso....
um bom começo de semana a tod@s....


publicado por fabiodeboni às 16:24
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Sexta-feira, 16 de Março de 2007
Mudanças Climáticas - Links
Sigo intrigado com a questão das Mudanças Climáticas, em especial, procurando reunir informações e materiais que possam apoiar os (as) educadores (as) ambientais, na concepção e desenvolvimento de atividades de EA que abordem o tema...

Cabe ressaltar que não estou analisando as instituições que produziram estes materiais, e sim pretendo apenas facilitar o acesso aos materiais em si, entendendo que eles podem ser bastante úteis para a EA....

Aqui reúno alguns links:


http://www.greenpeace.org.br/clima/filme/home/
São três traillers e um filme sobre o tema....Eles podem ser usados em atividades de EA, para iniciar uma discussão sobre o tema, por exemplo.


http://www.wwf.org.br/natureza_brasileira/meio_ambiente_brasil/clima/mudancas_climaticas/index.cfm
Informações sobre o tema, com publicações, resultados, perguntas frequentes, etc...

http://www.youtube.com/watch?v=ma4g0hp2Eh8

Vídeo veiculado na TV (2007)  - Propaganda do greenpeace sobre o tema.

http://www.youtube.com/watch?v=EjnRzNzQjn0

Matéria da TV Cultura sobre a vinda de Al Gore ao Brasil e sobre seu documentário.


Para encontrar mais, basta fazer buscas pela internet: google e you tube, só pra dar dois exemplos...


publicado por fabiodeboni às 12:54
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Quinta-feira, 15 de Março de 2007
Avaliando os impactos da EA...
Um dos gargalos atuais da EA é o quesito avaliação. Não falo apenas de avaliar a implementação de projetos e ações de EA, como por exemplo: se as cinco reuniões com a comunidade que estavam previstas no projeto aconteceram....Falo de algo que vai além, que procura identificar quais os impactos destas reuniões junto à comunidade...Elas contribuíram para gerar transformações na comunidade? De que tipo? Como medi-las e verificá-las?

Creio que este tipo de avaliação (de impacto) é uma grande lacuna atual da EA. Poucos projetos, ações, eventos e materiais de EA conseguem fazê-lo.

A questão é tão importante que não entendo como ela não é trabalhada nos projetos....O que se vê são diversas ações, materiais e intervenções que mal conseguem mensurar que tipo de impactos geram junto aos seus públicos atendidos. Será que contribuíram para reconstruir valores e atitudes nestas pessoas?  Aliás, quando estamos escrendo um projeto de EA, o item "Indicadores de Avaliação" é sempre o último a escrevermos, e em geral, o menosprezamos..

Responder a esta questão é crucial para repensar os rumos das intervenções em EA no país...De que adianta realizarmos inúmeros eventos, produzirmos diversos materiais, promovermos campanhas, debates, palestras, oficinas e cursos em EA se não avaliamos os impactos que estas iniciativas geram. É bem provável que algumas delas não estejam nem fazendo "cosquinha" nas pessoas que delas participam. Outras podem até sensibilizar e provocar reflexões, mas será que elas conseguem realmente alavancar transformações?

É inegável o avanço da EA em termos quanti e qualitativos. Entretanto, é visível o aumento da degradação socioambiental em todos os cantos (do país e do mundo). Ora, se um dos papéis da EA é contribuir para reverter estes problemas socioambientais, o que está faltando para que ela cumpra efetivamente este papel? O que ela está deixando a desejar em termos de impactos gerados a partir das suas ações?

Devemos enfrentar questões como esta com urgência, para que a EA tenha um salto qualitativo fundamental rumo ao alcance dos seus objetivos... Afinal, não queremos que a EA continue sendo vista como uma mera perfumaria, não é? Mas se não começarmos a avaliar desde já quais sensações seu aroma está causando nas pessoas, ficará muito difícil desconstruirmos essa imagem infeliz da EA....

pra finalizar, sugiro um rápido exercício: faça uma busca pelo google com as palavras:
avaliação+impacto+educação+ambiental
e veja o que se encontra....(mas atenção, a busca é para todas as palavras juntas)...


publicado por fabiodeboni às 18:46
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Quarta-feira, 14 de Março de 2007
Quem hoje é vivo, corre perigo....
Adoro música. É claro que estou falando de música boa, de qualidade, e com conteúdo. Não foi por acaso que coloquei vários links no blog de bandas e artistas que aprecio....(dentre vários outros, é claro)...
Decidi começar este texto com este trecho da música "Matança", gravada pelo Xangai, aliás uma belíssima canção...O trecho aponta pra gente um pouco da situação socioambiental atual...Olhemos com mais atenção:
1. Vivemos num mundo baseado num modelo de produção e consumo pautado em monoculturas. Não falo somente da questão agropecuária, falo de uma forma mais ampla...A globalização acelerou esse processo, de monoculturas nas mais diversas áreas..Vemos hoje poucas marcas de grandes empresas presentes nos mais diversos países; músicas e estilos ditando novos comportamentos, redução de espécies alimentícias cultivadas, etc..
2. Pois é, quem hoje é vivo, corre perigo pra valer! Não falo apenas de nós, seres humanos, que corremos riscos cada vez mais sérios, diretos e indiretos, resultado da violência nas grandes e pequenas cidades, dos nossos hábitos de consumo e estilos de vida....
3. Falo também dos demais seres que habitam este planeta...A cada dia novas espécies ameaçadas e em risco de extinção...E mesmo espécies sem aparente risco de extinção, o que fazemos com ela? Eliminamos do nosso convívio.. Fazemos isso diariamente em nossas casa, com pernilongos, mosquitos, aranhas e vários outros seres "menos importantes"....
4. Tem ainda a questão do Tráfico de Animais, que já é o terceiro em volume de dinheiro no Brasil..Só perde para o tráfico de drogas e de armas.. E tem ainda o tráfico de pessoas....Sim, inúmeras crianças são sequestradas e enviadas ao exterior....conexões com quadrilhas de prostituição e diversas outras...
5. Além disso tudo, não podemos deixar de lado a questão das Mudanças Climáticas, que colocam em risco a sobrevivência de praticamente todas as espécies vivas do planeta, e não somente a nossa como comumente pensamos....

Não quero pintar um cenário apocalíptico, mas apenas constatar que vivemos uma situação de risco...De fato o ser humano tem hoje uma capacidade muito alta de destruição do planeta e pode fazê-lo seja de uma só vez por meio de ataques nucleares, seja aos poucos, no dia a dia, a partir do nosso modelo civilizatório e nossos padrões de produção e consumo...

Pra fechar o texto com um clima mais animador, deixo um trecho de uma música do Pedro Luís e a Parede, chamada "Ciranda do mundo".. De fato, sinto que nós, seres humanos, somos um misto de tudo isso que a música fala (profetas, vagabundos e cirandeiros, seres com momentos bons e maus).....Afinal, essa contradição é que nos faz "seres humanos"....

Pela profecia o mundo ia se acabar
Pelo vagabundo deixa o mundo como está
Pelo ser humano pelo cano o mundo vai ou não
Pelo cirandeiro o mundo inteiro vai rodar

Ciranda por ti
Ciranda por mim
Roda na ciranda que é pro não virar pro sim
Ciranda que vai
Ciranda que vem
Roda na ciranda que é pro mal virar pro bem



publicado por fabiodeboni às 16:49
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Segunda-feira, 12 de Março de 2007
O movimento estudantil e a (não) questão ambiental
Já faz algum tempo que me pego pensando a respeito da fraca inserção dos movimentos estudantis (e das juventudes partidárias) nos debates das temáticas socioambientais (nacionais e mundiais).
Se no passado (anos 60, 70) integrantes da UNE estiveram envolvidos em lutas pela redemocratização do país e se envolveram de forma mais ativa nas discussões ambientais, o panorama é bem distinto no momento atual.
Tem um fenômeno que vem me intrigando ultimamente, que é como alguns segmentos da sociedade brasileira têm ficado de fora do debate sobre a questão ambiental....Porque isso acontece, haja visto que a temática é urgente, global e estratégica para um país como o Brasil?
Essa omissão não é exclusividade dos movimentos estudantis e das juventudes partidárias - abarca outros segmentos da sociedade....Por outro lado, se temos visto grandes empresários até então completamente aversos ao tema incorporando-o (pelo menos) em seu discurso, porque isso não ocorre no movimento estudantil?

Nota-se que a questão ambiental passa longe das bandeiras de luta deste movimento. Infelizmente isso pode ser interpretado como resultado de uma visão superficial do tema, dada a sua complexidade e transversalidade. Afinal, discutir a melhoria do ensino público no país não passa pela questão socioambiental? Defender a reativação do Projeto Rondon não contribui para acender o debate sobre o tema?

Tenho visto apenas iniciativas pontuais destes movimentos, em especial da UNE e da UBES...Por exemplo, a UNE criou em 2004/2005 uma diretoria de Meio ambiente...Legal a iniciativa, mas cadê esta diretoria se nem no próprio site da UNE ela consta? Qual a importância dada a ela? O que ela tem feito?
Além disso, tem-se visto discursos voltados à proteção da Amazônia, muitas vezes com um viés de "precisamos proteger a Amazônia contra a sua internacionalização"....Apesar de ser um debate atual, há um certo entendimento entre ambientalistas de que há um quê de alarde nesta questão...Ao invés de lançarmos campanhas do tipo "preserve a Amazônia", porque não discutimos e construímos alternativas à sua conversação, a partir do debate político sobre "modelos de desenvolvimento" para o Brasil.
Esta seria uma importante contribuição que os movimentos estudantis poderiam fazer, promovendo debates sobre o papel do estudante e do profissional recém formado na construção de novos modelos de desenvolvimento para o país, incorporando as dimensões ambiental, social, econômica, ética, territorial e política.

Talvez a questão ambiental seja para eles uma mera perfumaria, assim como ela é vista ainda por muitos segmentos da nossa sociedade. Aí nos cabe refletir sobre nossa "mea culpa" nisto, pois nós, ambientalistas, temos avançado pouco numa efetiva transversalização da questão ambiental na sociedade. Sem dúvida, trata-se de um grande desafio contemporâneo, de complexo enfrentamento, mas necessário e "pra ontem".

Afinal, se a questão ambiental é, para nós, crucial para os rumos brasileiros e mundiais, precisamos nos mexer para que ela caia na boca do povo e de toda sociedade, não como algo "naturalista" ou ingênuo, mas parte das discussões políticas sobre novos modelos de desenvolvimento e de sociedade.

Tenho esperança que esta pauta será cada vez mais incorporada pelos distintos setores da sociedade, quiçá a começar pelos movimentos estudantis e pelas juventudes partidárias...Certamente há vozes ambientalistas entre seus quadros, ainda isoladas e com pouca interlocução...Devemos apostar que partirão delas esse processo de ambientalização destes movimentos...

veremos.....


publicado por fabiodeboni às 13:12
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Sexta-feira, 9 de Março de 2007
De olho no mercado "verde"
A visita do Presidente Bush ao Brasil, além de trazer grandes transtornos a SP e gerar protestos em todo o país, significa um passo importante (pra eles) dos EUA na questão energética mundial.
Temos a tecologia de produção do álcool (etanol) que de limpa tem pouco.
Recém artigo de Carlos Walter Porto Gonçalvez publicado em (e circulando por aí)

http://mudaclima.blogspot.com/

aborda bem esta questão, apontando que "Invocar o biocombustível por causa do efeito estufa não pode ocultar os danos ecológicos e sociais que as monoculturas têm causado"
Um manifesto do MST (circulando por aí) questiona o nome "biocombustíveis" e sugere "agro-combustíveis"....abordagem bem interessante:

http://www.mst.org.br/mst/pagina.php?cd=2949

Mas a reflexão aqui vai na direção deste grande Mercado "Verde" em surgimento no mundo e no Brasil...Muita gente grande de olho, muitos picaretas e uma crescente demanda por "coisas verdes"....Está ficando bonito ser "ecologicamente correto", está na moda.
E o que temos visto é que ser "ecologicamente correto" (nesta perspectiva) não tem nada a ver com o que parte do movimento ambientalista (e dos educadores ambientais críticos) vêm discutindo. Pelo contrário, vai na direção oposta.
Num mundo cada vez mais "fast food", veremos uma grande mudança na área ambiental a partir da problemática das Mudanças Climáticas....O mercado de Carbono vai gerar (e já está gerando) oportunidades mais para ações socioambientais "fast food", coisas pontuais, que fazem muita espuma do que para ações que gerem transformações efetivas e profundas. Este segundo caminho é mais difícil, dá mais trabalho, demanda mais tempo, ou seja, fica para segundo plano.
E qual será a decorrência disso? Por um lado é provável que haverá mais recursos para financiar projetos socioambientais (e de EA)... Sim é verdade e já estamos começando a perceber isso...
Mas por outro lado, estes recursos privilegiarão que tipo de projetos? Será que projetos realmente transformadores terão vez ? Acho pouco provável, pelo menos ao que tudo parece indicar até o momento.
Pelo jeito continuaremos presenciando a expansão de projetos, ações, eventos, produtos e organizações por aí, que se dizem "ecológicas", mas sua postura estão longe disso. Preferem focar em cálculos de emissão de carbono (super na moda agora), em oferecer eventos "livres de carbono", em privilegiar a reciclagem como sendo a salvação de todos os problemas do lixo, a promoção de campanhas de conscientização "neutras" e pontuais, a elaboração de materiais para públicos considerados "não-pensantes", e tantas outras práticas pontuais, ingênuas (será?), acríticas, apolíticas e que reproduzem a lógica vigente (competição, mercado, poder).

A questão que fica é: como remarmos contra essa corrente? Como aproveitarmos essa "onda verde" para radicalizarmos as propostas/projetos/ações de EA realmente transformadoras e emancipatórias. Uma EA que esteja mais preocupada em fortalecer os caminhantes do que em apontar caminhos.
Mas aí entra uma dúvida cruel: entramos neste circuito (do mercado "verde") para tentar modificá-lo ou ficamos de fora por não concordar com ele? Como libriano que sou, lançaria a pergunta da seguinte maneira: seria possível estarmos dentro e fora ao mesmo tempo?

como sempre....mais perguntas do que respostas....esta é a sina da EA.....Esta é a nossa sina na EA.....


publicado por fabiodeboni às 13:49
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Quinta-feira, 8 de Março de 2007
Dia das mulheres
Hoje, dia 8 de março, é o Dia Internacional das Mulheres....De fato elas merecem todo nosso carinho e comemoração, não só neste dia mas ao longo de todo o ano...

Parece que nossa sociedade está acostumada com essa história de "Dia disso", "Dia daquilo", remetendo determinados grupos/atividades/temas menos incluídos na sociedade como um todo a serem lembrados somente num dia do ano..

Pensemos a respeito a partir de alguns exemplos de datas comemorativas:
- Dia das mulheres: vivemos ou não numa sociedade ainda machista?? Não que eu concorde com isso, pelo contrário, mas esta ainda é uma realidade presente....Se o mundo fosse feminista, nós teríamos certamente o Dia dos Homens... Você já pensou nisso? Porque não temos o Dia dos Homens?

- Dia da igualdade racial: se nossa sociedade fosse realmente despreconceituosa, seria necessário essa data? Ela já não estaria inserida no cotidiano da sociedade?

Dia do Meio Ambiente: vai na mesma linha.....Nesta data, que costuma se estender para a semana toda, concentram-se atividades voltadas à questão ambiental...Legal, nada contra isso....Mas a questão é: e no restante do ano?? Como fica este tema no conjunto da sociedade??

Por isso, não poderia deixar de refletir a partir do dia de hoje - das mulheres - a respeito destas contradições do nosso dia a dia e da nossa sociedade....nada que tire o brilho do tema do dia de hoje. O problema é voltarmos tudo como "d'antes" a partir de amanhã....
Não seria melhor garantirmos essas presenças efetivas no nosso dia a dia? E que todos os dias fossem das mulheres, do meio ambiente, da igualdade racial, dos indígenas, dos quilombolas, das donas-de-casa, dos sem-terra, ...... e de tod@s os segmentos, temas e pessoas ainda marginalizadas na sociedade.

E como diz um trecho de uma música do Arnaldo Antunes:
"não há o que reclamar, quando chega o fim do dia".....

E QUE TODOS OS DIAS SEJAM DIAS......


publicado por fabiodeboni às 17:25
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