Política e Sustentabilidade sob um ângulo crítico
Segunda-feira, 30 de Abril de 2007
Sobre greve no IBAMA e reestruturação no MMA
A reestruturação no MMA pegou muita gente de surpresa e tem gerado muita polêmica, protestos, análises, etc...A própria mídia tem noticiado a respeito, além dos muitos e-mails que têm circulado pelas redes de EA no Brasil.

Pretendo "colocar na roda" meu ponto de vista e meu olhar sobre a questão. Deixo claro que se trata de um ponto de vista de quem se relaciona com o IBAMA mas não está "dentro" do órgão, ou seja, de quem não vive o dia-a-dia do órgão. Parto daí, ok?

1. Greve no IBAMA: penso ser bastante legítima. De fato o IBAMA precisa de mais investimentos, de priorização política, de novos concursos, etc...Que a greve possa ajudar o órgão a se fortalecer, inclusive a relação interna entre suas equipes. Que não seja como algumas greves anteriores, onde alguns estavam manifestando e discutindo a melhoria do órgão, enquanto que muitos estavam em casa fazendo churrasco ou viajando com a família.

2. Os Argumentos que o IBAMA está colocando sobre a reestruturação feita pelo MMA:

a. Concordo que o IBAMA necessite de mais atenção e maiores investimentos. Isto é indiscutível e muito claro na atual realidade do órgão e da questão ambiental no país.

b.  O argumento de divisão, perda de força e da unicodade do IBAMA por conta da criação do Instituto Chico Mendes é questionável. De fato os argumentos "oficiais" (do MMA) são de alavancar a área de UCs, dando-lhe mais força, recursos e capacidade de acompanhamento das UCs no país. Todos sabemos das dificuldades que a grande maioria delas enfrenta para realizar suas atividades e gerir seu território (lidar com os conflitos, etc)...Portanto, criar um Instituto para cuidar deste tema tem certa coerência.....Afinal, estamos preocupados em manter a área sobre nosso controle ou melhorar as condições que as UCs têm na atualidade?

c. O outro argumento de que a área de licenciamento está sendo enfraquecida: não vejo assim, pois o IBAMA continua sendo o coordenador desta área. Esta responsabilidade não foi tirada do órgão e não está em discussão. Se há questões específicas de licenciamentos de determinadas obras (ex. Rio Madeira), elas precisam ser discutidas caso a caso e solucionadas, sempre à luz das questões técnicas. É claro que existe uma baita pressão para a liberação das licenças, desconsiderando as análises técnicas, mas isso deve ser combatido no dia-a-dia do órgão, tanto internamente via seus diretores e funcionários, quanto externamente na articulação dos dirigentes do IBAMA junto ao MMA, Casa Civil & cia....
Pergunto: o que foi alterado efetivamente nesta reestruturação quanto as competências do IBAMA frente ao licenciamento ambiental??
Além disso, circulou uma matéria neste fim de semana no Correio Braziliense que apontava que das pendências de obras do PAC, apenas uma delas estava parada no IBAMA... Todas as demais tinham dificuldades de outras naturezas (gestão, $$, tempo, etc) que não a liberação das licenças ambientais.

d. Gostaria de ouvir novos argumentos, menos emcionados, mais serenos e mais técnicos, que nos ajudem a perceber se de fato está em curso a tão falada "QUEBRA DA UNICIDADE DA GESTÃO AMBIENTAL".. Sinceramente, até o momento, não vejo desta forma.
Aliás, quando da discussão e criação do Serviço Florestal Brasileiro (SFB) não me lembro de ter visto toda esta movimentação pelas redes..

Não pretendo colocar lenha na fogueira nem me colocar contrário ou a favor das propostas em curso, mas apenas de procurar trazer novos elementos à reflexão. Sou solidário à luta do IBAMA mas penso que deveríamos perceber o momento como uma luta de tod@s nós (educadores ambientais, ambientalistas, etc) pela potencialização da questão ambiental (melhoria dos seus órgãos, maiores investimentos, maior priorização política, etc....). A questão ambiental no país tem avançado mas é frágil, como bem sabemos....

Enquanto isso pouco se fala da situação da EA no MEC, e em outros órgãos (federais, estaduais e municipais) fora do circuito MMA - IBAMA...Enquanto isso, pouco discutimos a questão da gestão ambiental nos estados e municípios....Os avanços são nítidos, mas o acompanhamento e pressão da sociedade deve ser constante, pois a qualquer momento podemos retroceder ou estagnar.


publicado por fabiodeboni às 14:20
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Sexta-feira, 27 de Abril de 2007
Mudar as leis para não enfrentar as raízes dos problemas
Nesta semana 2 assuntos estiveram em pauta na mídia e em portais ambientais, e também circularam nas diversas redes de EA do país. Vejo que se tratam de 2 questões bastante polêmicas e que dão "pano pra manga" para, a partir delas, olharmos para questões mais profundas e complexas.
Um dos assuntos foi a aprovação da Comissão de Constituição de Justiça do Senado (CCJ) da redução da maioridade penal (de 18 para 16 anos). Obviamente um retrocesso histórico e uma saída paliativa a um problema maior de desigualdade social.
O outro assunto, que está em pauta há algum tempo, é a questão da flexibilização do licenciamento ambiental.

Ambos sinalizam que é mais fácil buscarmos alterações na legislação do que enfrentarmos as causas da questão. No caso da redução da maioridade penal, é claro que é mais fácil e rápido reduzi-la do que enfrentar a questão da desiguldade social, da violência, da falta de oportunidades para jovens das periferias, etc. Isso leva mais tempo, exige maiores investimentos, prioridade política, e dá um trabalho danado....
Já no caso do licenciamento ambiental, é mais fácil flexibilizar artigos e resoluções, deixando mais simples e fácil o processo do que pensar numa nova estratégia para obras e energia para o país. Ok, precisamos de mais energia e de novas obras, mas a custos de quê e de quem, e beneficiando quem?

Nos dois exemplos que estamos acompanhando, considero um retrocesso na legilsção vigente das respectivas áreas - Estatuto da Criança e do Adolescente e Legislação Ambiental (especificamente sobre licenciamento). Mais uma vez vamos retroceder por conta de pressões de grandes grupos da sociedade (mídia, empresários, políticos, etc), que querem mais "moralidade" e o tal do desenvolvimento (ou crescimento?) a qualquer custo, não se importando com jovens carentes sem oportunidades, populações tradicionais, áreas florestais, rios, etc.. Não se trata apenas de argumentos que visam defender bichos e plantas, como muitos pensam, mas sim da própria sobreviência da espécie humana no planeta.


publicado por fabiodeboni às 15:57
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Quarta-feira, 25 de Abril de 2007
BR - 163 - Pedreira literal
Tive o privilégio (ou a loucura) de atravessar a BR - 163 em 1.999, saindo de Santarém - PA rumo ao interior de São Paulo. A viagem terrestre mais longa que já fiz na minha vida, totalizando cerca de 90 horas seguidas de ônibus (se é que aquilo poderia ser chamado de ônibus). Percorri a tão falada BR - 163 na época da seca, é claro, ou melhor, na época do verão amazônico (que para os brasileiros do centro-sul é inverno).
Anos depois, comecei a acompanhar as discussões sobre o projeto "BR - 163 sustentável" e todo o esforço de governo e sociedade para discutir as bases para seu asfaltamento, à luz de um ordenamento territorial, zoneamento ecológico-econômico (ZEE), criação de Unidades de Conservação (UCs) etc.
Pelo que vi e senti na pele quando por lá passei, a coisa é bem mais complicada do que se pode imaginar. Há uma quase ausência do Estado nesta região. É literalmente "terra de ninguém", onde a lei é construída por outros meios. Por outro lado é uma região riquíssima em biodiversidade, florestas, populações tradicionais e convivem com uma base militar (Cachimbo), o avanço da fronteira agropecuária e a pressão dos agricultores (soja) para seu asfaltamento, de modo a facilitar o escoamento da produção de soja ao porto de Santarém.
Veja como há pontos de conflito na região!
- grandes agropecuaristas e madeireiros de um lado
- populações tradicionais de outro
- presença de garimpos na região
- pequenos municípios (sem estrutura alguma e de portas abertas ao "progresso")
- porto de Santarém (já embargado algumas vezes e com conflitos diversos)
Este são apenas alguns componentes deste cenário, que certamente é bem mais complexo do que se pode imaginar.
Infelizmente muitos brasileiros não têm a menor idéia do que é a BR - 163, da sua localização, história, e deste panorama de conflitos (já instalados e que virão pela frente).

Aqui vão alguns links com mais informações sobre o tema e um convite para nos aprofundarmos mais a respeito. Verá nos links que há de tudo um pouco nas abordagens, dados, informações, etc... Certamente ainda ouviremos falar muito da BR - 163 e de conflitos nesta região.
http://www.socioambiental.org/esp/BR163/
http://www.greenpeace.org.br/tour2005_br163/
http://www.comitebr163.com.br/
http://www.ecolnews.com.br/asfaltamento_na_br_163.htm
http://www.alerta.inf.br/index.php?news=140
http://www.wwf.org.br/index.cfm?uNewsID=6760
http://www.mma.gov.br/ascom/ultimas/index.cfm?id=3291
http://arruda.rits.org.br/oeco/servlet/newstorm.ns.presentation.NavigationServlet?publicationCode=6&pageCode=67&textCode=20963&date=currentDate&contentType=html


publicado por fabiodeboni às 14:24
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Segunda-feira, 23 de Abril de 2007
Mundo Fast food
Olhemos à nossa volta e veremos o quanto as coisas estão fast food. Tudo tem que ser rápido, na pressa, na correria e "pra ontem"...Não há mais tempo para reflexão, diálogos, pensamentos, avaliações, análises, etc.. É como  aquela música dos Titãs - "Tudo ao mesmo tempo agora".
Perceba o quanto essa situação está presente no nosso meio - o da Educação Ambiental....
Se atuamos no governo, é aquela correria desenfreada, tudo caindo na nossa cabeça, sem planejamento. Vivemos apagando incêndios....
Se estamos no chamado terceiro setor, estamos preocupados em buscar parceiros e recursos para nossos projetos, correndo atrás de captação, novos parceiros, etc.
Se estamos em empresas, a correria é grande também, por causa de uma histeria por resultados, resultados.....
Se estamos em sala de aula (escolas e universidades) estamos correndo contra o tempo para trabalhar nossa disciplina, no tempo disponível, e a partir das diversas dificuldades de estrutura, recursos, etc.
Enfim, o tempo é nosso inimigo atual. Por um lado, queremos um mundo menos rápido, menos superficial e que as coisas sejam feitas com mais profundidade. Por outro lado, temos poucos recursos, pouco tempo e uma demanda crescente. Como equacionar estas coisas?

Há diversos autores, pensadores, educadores, etc.. pensando e discutindo este tema. Há diferentes abordagens e pontos de vista, mas me lembrei de um texto do Jorge Larrosa Bondía, um professor da Universidade de Barcelona (Espanha), que trata do assunto no texto:
http://www.anped.org.br/rbe19/03-bondia.pdf

Quem puder ler o texto, vale a pena. É uma pequena contribuição ao debate sobre o tema.



publicado por fabiodeboni às 19:33
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Sexta-feira, 20 de Abril de 2007
Desenvolvimento sim, mas não a qualquer custo!
Com frequência nos deparamos com matérias, artigos e notícias na mídia sobre os entraves que a questão socioambiental traz ao desenvolvimento. Ontem mesmo li um artigo lamentável no Correio Braziliense tocando neste assunto.
Em geral os argumentos que encontramos nestas matérias giram em torno de:

1. Criticar os órgãos ambientais - sua morosidade, desaparelhamento, má gestão, precariedade, falta de recursos, etc....
2. Criticar a legislação ambiental - muito rígida, complica demais, etc...
3. Criticar o movimento ambientalista - são xiitas, não querem o desenvolvimento e são considerados "eco-chatos"...

Há certamente outros argumentos possíveis, mas vou me deter nestes 3 principais. Vamos analisá-los rapidamente.

1. Os órgãos ambientais - vejo que quem faz estas críticas pouco conhece em termos de estruturação do Sistema Nacional do Meio Ambiente - SISNAMA, como ele funciona, como se dividem competências e responsabilidades entre os "entes" da Federação e assim por diante. Isso é um ponto importante. Por outro lado, a crítica feita sobre a precariedade dos órgãos ambientais é verdadeira e precisa ser enfrentada. Se olharmos em termos de número de pessoal, estruturas de trabalho, equipamentos e recursos, veremos que os órgãos ambientais (federais, estaduais e municipais) infelizmente em muitos casos deixam a desejar e não tem plenas condições de realizar seu trabalho.
A questão que se coloca é: como enfrentar esta realidade? O que a sociedade pode fazer para pressionar os governos para reverter este quadro?
Aliás, alguém já viu a sociedade ir às ruas reivindicar pela melhoria dos órgãos ambientais?? Gostaria muito de um dia poder presenciar e participar desta cena....

2. A legislação ambiental - bem sabemos que neste quesito o Brasil está muito bem obrigado. Penso que as leis ambientais tem que ser rígidas, porque mesmo assim, olhemos o que está ocorrendo em termos de degradação ambiental no país...Temos uma legislação "de ponta" por um lado, mas ela em muitos casos é descumprida...Aí, caímos no tópico anterior, e passamos também pelo papel do poder Judiciário (Ministério Público e outros órgáos), que tem cumprido um papel importante na proteção do meio ambiente...Mas precisamos avançar mais, especialmente na popularização desta legislação, fazendo com que o cidadão comum saiba do que ela trata, qual a sua importância e quais as consequências de um retrocesso nos seus artigos e leis.

3. O movimento ambientalista - neste item a mídia tem sido muito tendenciosa e infeliz, porque resume o movimento às ONGs ecológicas, considera-o como um bando de eco-chatos que nada tem a fazer a não ser defender animais, plantas, áreas e mais recentemente comunidades. Ora, bem sabemos que o movimento ambientalista brasileiro não é único, não fala a mesma língua e muito menos atua somente numa perspectiva ecológica (clássica)....É claro que tem limitações, mas que vem avançando de uns tempos pra cá. Outra crítica que escutamos com muita frequência é a presença de ONGs deste movimento tanto no MMA, quanto no IBAMA. Será que isso é tão ruim quanto se prega? Será que estes órgãos estão sob o comando destas ONGs?? Acho pouco provável e essas críticas  têm um objetivo claro, que é de desqualificar o movimento e a pauta ambiental....Vejo que estes órgãos estão construindo um processo de diálogo e parceria com a sociedade (ONGs, movimentos sociais, redes, etc), o que aliás, deveria ser feito por outros órgãos e esferas de governo.

Apesar de todas as críticas que nos deparamos por aí, a questão ambiental no Brasil vem avançando e se consolidando, com todas as suas limitações e carências. Há muito o que ser feito, mas se olharmos para a institucionalização da questão ambiental, veremos o quanto se trata de um ponto recente (anos 80 e 90), e portanto, ainda estamos na sua adolescência, diferentemente de outras áreas como saúde e educação (que também têm inúmeros problemas e limitações).
O que não podemos deixar acontecer é que a bandeira do "Progresso" impere às custas da destruição da natureza, da expropriação de terras públicas e comunitárias, da expulsão de comunidades de suas terras, e de inúmeros impactos sociais, culturais e ambientais que temos visto por esse país. Os ambientalistas querem sim o desenvolvimento, mas não da forma como ele vem sendo construído até então. O que está em pauta é justamente este modelo de desenvolvimento que prevalece no planeta - centrado no capital, baseado na injustiça, na exploração social e na degradação ambiental. Este modelo, não só nós, como os indígenas, quilombolas, ribeirinhos, e diversas outras comunidades tradicionais e setores da sociedade não queremos. O que precisamos é fortalecer este diálogo e unir esforços para entrarmos nos espaços centrais de decisão dos governos e da sociedade. Só aí poderemos somar esforços para reverter com força o quadro atual das coisas. Aí, uma nova questão se apresenta:.conseguiremos adentrar nestes espaços no espaço de tempo que o planeta necessita?


publicado por fabiodeboni às 14:20
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Quarta-feira, 18 de Abril de 2007
Questionando obviedades do mundo atual
Estamos tão cercados por coisas aparentemente óbvias que pouco conseguimos questioná-las em nosso cotidiano. Elas acabam nos envolvendo e ficamos com a impressão de que "as coisas são assim mesmo", sempre foi assim e assim continuará sendo.
O próprio Paulo Freire já dizia que "O mundo não é. O mundo está sendo", nos convidando a questionar o mundo tal como ele está sendo atualmente, não aceitando as coisas determinadas e dadas.
Olhemos ao nosso redor, em nosso dia-a-dia, e veremos quantas coisas que parecem ser óbvias (mas que não deveriam ser) estão presentes....Só pra ajudar a pensarmos:
1. Porque as coisas no Brasil só começam a acontecer depois do carnaval? Porque tem que ser assim? Como pode ser diferente?
2. Porque continuamos remendando o modelo capitalista? Há alternativa viável a ele? Qual?
3. Porque fala-se tanto em meio ambiente e continua-se destruindo mais ainda? Como reverter esse quadro?
4. Porque a EA tem que ser só para crianças? Será que os adultos e idosos não mudam mais seus valores e atitudes?
5. O que está por trás desta nova moda das Mudanças Climáticas? Quais são os interesses envolvidos?
6. Porque fala-se apenas nas ações individuais para revertermos os problemas socioambientais atuais? Porque prevalece o famoso "cada um deve fazer a sua parte"?
7. Porque tanta ênfase na Reciclagem quando deveríamos discutir os padrões de produção e consumo do mundo atual?
8. Porque ainda prevalece na EA uma visão naturalista, ingênua, pouco crítica e apolítica? Porque as vertentes críticas, populares e emancipatórias da EA não ganham espaço na velocidade que se necessita?
9. Porque os jovens são sempre vistos como "futuro" sendo que atuam, vivem e intervêm no presente?
10. Porque a população está tão descrente com a forma atual de fazer política? Há outras formas de fazer política? São viáveis?
11. Porque continuamos inertes sabendo que o planeta está indo para o buraco? Como reverter esse quadro?
12. Porque a EA tem que ser só para mudanças individuais de comportamentos? Porque ela não pode ir além disso? Porque a EA não pode ajudar a promover transformações individuais e coletivas, culturais, sociais e políticas?

São tantas as questões frente a tantas obviedades ao nosso redor. Basta olharmos com atenção e sabermos questionar as coisas como estão colocadas. Afinal, em muitas situações é mais interessante saber fazermos as perguntas certas do que sabemos as suas respostas.


publicado por fabiodeboni às 17:13
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Segunda-feira, 16 de Abril de 2007
Gestão da EA - colocando em pauta

Percebo o quanto fico enxergando temas e pautas dentro da EA que ainda são pouco explorados e que têm pouco acúmulo no meio. A partir desta inquietação e espírito aventureiro, me envolvi com o tema dos Centros de Educação Ambiental (CEAs) a partir de 1999, quando na época ninguém falava no assunto, apesar de já existirem inúmeros CEAs pelo país.....Mas isso é um outro assunto para outro dia....

Depois fui me envolver com a pauta "Juventude e EA", a partir de 2003 e com a qual atuo até hoje...

Ao mesmo tempo vou percebendo outros temas/pautas dentro da EA que precisam ser enfrentados e que acabam ficando de lado. Vou citar dois deles e me deter apenas em um:

- Avaliação de Impactos em projetos, ações, materiais....de EA

- Gestão da EA

 

Ficarei neste momento com o segundo. Com este nome "Gestão da EA" refiro-me às formas de gestão que são adotadas em projetos, programas, e ações de EA....Como a EA vem sendo gerida, administrada, planejada, monitorada? Como vem se dando sua gestão? Baseada em que modelos, em que princípios?

 

Se procurarmos trabalhos e referências sobre este tema veremos que são escassas e incipientes. Por outro lado todos que estão fazendo EA estão gerindo-a de alguma forma... Quem coordena? Como coordena? Quais as instâncias e momentos de tomada de decisão? De onde vem o recurso para o projeto? Enfim, são inúmeras questões relacionadas à gestão....

 

Trato deste tema por perceber que além de haver um "vácuo" na sua abordagem, há alguns pensamentos no ar referentes à gestão da EA que precisam ser mais discutidos:

- a profissionalização da EA (que não significa mercantilização!) passa pela questão da gestão. Cabe sinalizar que uma gestão mais profissional e menos amadora não signfica necessariamente uma gestão centralizadora, hierárquica e distante dos princípios da EA. Uma gestão mais profisisonal não significa um modelo de gestão empresarial. Estou falando de coisas como: definição de papéis, de responsáveis, das instâncias e momentos de tomada de decisão, etc...

- modelos de gestão: há muitos modelos de gestão e, inclusive quando não temos um modelo explícito de gestão em nosso projeto de EA, com certeza estamos lançando mão de um modelo implícito de gerir o projeto. Leia-se: vamos fazendo conforme as coisas vão acontecendo....Precisamos avançar nesta questão. Uma coisa é partimos de um modelo de gestão e irmos ajustando os rumos no decorrer do processo. Outra coisa é partimos de nenhum modelo e irmos percebendo-o no meio do caminho...Não precisa nem comentar qual a opção mais apropriada para a EA....

- relação entre a equipe de trabalho: há um senso comum ainda arraigado em nosso meio que aponta para o permente voluntarismo na EA...Nada contra o voluntariado, mas é preciso melhor estabelecermos estas relações entre a instituição, o projeto, a equipe, os parceiros, o financiador, etc...Quem faz o quê, de que forma, sob a supervisão de quem e quando, e mediante que condições objetivas de trabalho.

 

Tenho visto muitas formas de gestão que possuem um discurso participativo, democrático, etc, mas que sua prática são bastante contraditórias. Pregam uma coisa e fazem outra. Essas formas de gestão são aplicáveis a diferentes contextos e situações:

- projetos e ações de EA

- programas de EA

- políticas públicas

- grupos, coletivos, redes

- eventos, seminários, fóruns, encontros de EA.

- conselhos, comitês de bacias, etc.

- setor de EA dentro de instituições governamentais e não-governamentais (diretorias, departamentos, coordenações, assessorias, etc)....

 

Pra finalizar, proponho um rápido exercício ao leitor(a): procure identificar a quantas anda a gestão dos espaços e projetos dos quais você participa em EA...Há modelos claros de gestão? Como são eles? Em quais aspectos eles podem ser incrementados? O que há de experiências positivas neles?

 

....para começarmos a semana quebrando a cabeça......

 



publicado por fabiodeboni às 17:46
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Sexta-feira, 13 de Abril de 2007
Calendário de Eventos - 2007
Este é mais um ano que promete para a EA. Teremos o VI Fórum Brasileiro de EA em novembro no Rio, e diversos pré-fóruns, encontros e seminários pipocando pelo país todo.

Compartilho aqui um calendário de eventos de EA (e áreas afins) para termos uma idéia das oportunidades de encontros, contatos, troca de experiências, etc. Este calendário vai sendo atualizado a cada semana, com novas informações, novos eventos, mudanças de data, etc.

Me comprometo a trazer essas informações atualizadas com frequência aqui no blog.

I Seminário Regional de EA para o Semi-Árido Brasileiro

Encontro Paraibano de Educação Ambiental
23 a 25 de maio de 2007 - Centro de Educação Empreendedora do SEBRAE-PB - João Pessoa - PB

reapb@prac.ufpb.br / Fone / Fax: (83) 3216-7599


III Encontro Estadual de Educação Ambiental (SP)

25 a 28 de julho 2007 : São José do Rio Preto – SP

msiqueiralopes04@yahoo.com.br


V Congresso Brasileiro de Agroecologia

01 a 04 de outubro 2007 : Guarapari – ES – Centro de Convenções do SESC
http://agroecologia.incaper.es.gov.br/congresso

vcba@incaper.es.gov.br


II Encontro Nordestino de EA – ENEA

14 a 17 de outubro 2007 : Hotel Hitz – Maceió – AL

    Walnyce Miranda - Coordenadora de Educação  Ambiental da SEE/AL
(82)3315-1216/ 9983-4620/ 9987-8113 wmvvambiental@yahoo.com.br
Carolina Sanches - Coletivo Jovem/AL
carol_rsanches@yahoo.com.br

Eduardo Santos - Coletivo Jovem/AL
geografiasol@hotmail.com

7a. Ecolatina (Conferência Latino-americana sobre Meio Ambiente e Responsabilidade Social)

16 a 19 de outubro 2007 : Belo Horizonte – MG

www.ecolatina.com.br - ecolatina@ecolatina.com.br


1. Congresso Internacional de Educação Ambiental dos Países Lusófonos
24-27setembro 2007: Galícia, Santiago de Compostela - Espanha
www.ealusofono.org


V Encontro da REMTEA / Encontro de Juventude pelo Meio Ambiente do Centro-Oeste

Outubro 2007: Cuiabá, UFMT
www.ufmt.br/remtea/

VI Fórum Brasileiro de EA
14-18 novembro 2007: Rio de Janeiro, UFRJ
www.ecomarapendi.org.br/Rebea/index.htm




Bom, por enquanto são essas as opções.... Vamos nos programar para participar? Vamos ajudar a divulgar??


publicado por fabiodeboni às 17:52
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Quinta-feira, 12 de Abril de 2007
Transversalização da EA - Como é isso na prática ??
A tal da transversalização da EA é mais do que chavão e palavra onipresente em discursos, projetos, leis, etc. Estamos sempre usando esta palavra e lutando pela sua implementação. Aliás, encontramos fácil acordo em seu conceito - o que se pretende com a transversalização da EA. Até aí tudo tranquilo e nada de novo, mas o que quero abordar é a implementação deste princípio/conceito.
Como se dá na prática a transversalização da EA? (ou como deveria se dar)....

Penso que estamos bem longe desta prática, apesar de termos incorporado o tema em nossos discursos. Vejo alguns fatores que contribuem para esse distanciamento:

1) Nós educadores ambientais e respectivas organizações temos uma tendência de ficarmos fechados em nós mesmos, de ficarmos restritos às pessoas já convertidas à causa. Perceba ao seu redor, a dificuldade que temos de sair da tribo de educadores ambientais.

2) Porque isso vem ocorrendo? Vejo algumas pistas:
- por vício - é mais fácil e cômodo ficar no nosso meio, afinal falamos (quase) a mesma língua, etc..
- ah, nossa linguagem! Falamos de forma tão complicada, usando termos que a população em geral não domina com facilidade, temos dificuldade de traduzir tantos conceitos complexos em linguagem mais simples e popular.
- articulação - precisamos melhorar nossa capacidade de interlocução e articulação com outros segmentos da sociedade, a começar no próprio campo socioambiental. Temos nos relacionado pouco com setores afins como: licenciamento, fiscalização, gestão ambiental, conselhos de meio ambiente, comitês de bacias, fóruns da Agenda 21, agroecologia, permacultura, economia solidária, populações tradicionais, etc... Saindo então desde campo, a coisa fica mais complicada ainda. Como nos articulamos com as áreas mais resistentes e distantes da nossa? (área econômico-financeira, bancos, setor de transportes, indústria, comércio, polícias, etc...).
- postura - nossas atitudes e posturas também deixam a desejar. Tendemos sempre a achar que a área de EA é melhor e mais importante que as outras, que tudo tem que partir da EA (e não o inverso) etc....Assim, criamos mais barrerias ainda para a transversalização da EA.
- meios de comunicação - temos ensaiado um real alcance da EA nos meios de comunicação (de massa, comerciais, públicos, comunitários, etc), mas na prática estamos bem distantes de popularizar o tema na sociedade.
- pelo fato de a EA ser um campo sem limites, fronteiras e contornos bem estabelecidos, qualquer cidadão pode se considerar um educador ambiental. Isso por um lado é bom, mas por outro contribui para deixar a área uma verdadeira "casa da mãe joana". A EA é uma "terra de ninguém". Qualquer um entra e faz qualquer coisa que se diz EA. Isso é um fato concreto no nosso meio, e como temos enfrentado isso? A resposta a esta pergunta certamente nos trará mais pistas à questão central deste texto - Porque é tão difícil transversalizarmos a EA na prática?

Bom, páro por aqui. Ficam aí as idéias e pensamentos sobre a questão. Espero que esta reflexão nos ajude a enfrentar este problema.


publicado por fabiodeboni às 16:02
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Quarta-feira, 11 de Abril de 2007
O PAC e a questão socioambiental

Quem ainda não deu uma conferida nas medidas e ações previstas no PAC - Programa de Aceleração do Crescimento, vale a pena se inteirar a respeito.

O site oficial é:

www.brasil.gov.br/pac


Selecionei alguns slides com dados e projeções para ações voltadas à questão ambiental. Vamos à elas:


1) Previsão de investimento em infra-estrutura hídrica

http://www.brasil.gov.br/pac/infra_estrutura/social_urb/pac_no20

Perceba que:

  • O valor total a ser investido em Projetos de Irrigação é 2 vezes maior do valor de investimento na Revitalização das Bacias do São Francisco e Parnaíba

  • O valor total a ser investido na transposição do São Francisco (integração de bacias) é 4 vezes maior do que o montante a ser investido na sua revitalização

  • A tabela não deixa claro onde será o investimento privado nestas ações. Apenas menciona que 70% do valor será de investimento privado. (De quais setores?)


2) Previsão de investimento e atendimento em infra-estrutura hídrica

http://www.brasil.gov.br/pac/infra_estrutura/social_urb/pac_no21

  • Só pra notar a disparidade dos investimentos nas regiões do país. O Nordeste receberá nada menos que 92,8% do total de recursos a serem investidos pelo PAC em infra-estrutura hídrica.

  • É só no Nordeste que há problemas hídricos sérios?


3) Estudos de viabilidade técnica, econômica e EIA-RIMA de aproveitamentos hidrelétricos

http://www.brasil.gov.br/pac/infra_estrutura/energia/pac_no5

  • A maioria das hidrelétricas previstas estão na região Norte (Amazônia), ou seja, sinal de problemas, conflitos sociais, étnicos, culturais e políticos pela frente. Sem falar nos impactos ambientais que virão. Mesmo que sejam Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) há impactos. 

  • Alguém já ouviu falar na hidrelétrica de Balbina, no Amazonas? Saiba mais:

http://www.cepa.if.usp.br/energia/energia1999/Grupo2B/Hidraulica/balbina.htm

http://rogeliocasado.blogspot.com/2007/04/texto-indito-sobre-o-desastre-ecolgico.html

http://www.unb.br/ics/dan/Serie166empdf.pdf

http://www.eletronorte.gov.br/meiobal.htm

http://portalamazonia.globo.com/artigo_amazonia_az.php?idAz=125


São apenas algumas informações preliminares para estarmos mais "por dentro" do PAC. Afinal, querendo ou não o tema está em pauta e certamente ouviremos falar muito dele nos próximos anos....




publicado por fabiodeboni às 13:54
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