Política e Sustentabilidade sob um ângulo crítico
Terça-feira, 29 de Maio de 2007
Ensacolando as Metas do Milênio
Outro dia li uma matéria num jornal falando sobre o baixo índice de entendimento do brasileiro em geral a respeito dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODMs), mais conhecidos como Metas do Milênio.
Trata-se de uma iniciativa do Sistema ONU, que tem recebido críticas e adesões nos mais diversos segmentos brasileiros.
Para saber mais sobre as Metas, CLIQUE AQUI.

Não sou muito partidário a esta proposta, primeiro porque se a ONU (e todas as suas agências e programas) quisessem realmente enfrentar todos os problemas sinalizados nas metas, o faria de maneira bem mais eficiente e eficaz, levando, por exemplo, esta discussão para o Conselho de Segurança. Só com o montante de recursos que os EUA estão gastando com a manutenção da guerra no Iraque, seria não só possível tornar viáveis todas as Metas do Milênio, como sobraria recursos para novas metas e novas ações...

Penso que a proposta das Metas do Milênio acaba se tornando muito mais uma bandeira do que num protocolo que induz mudanças nos países, visando seu enfrentamento às questões-problemas mundiais, que não são poucas, nem muito menos simples de serem resolvidas (se é que podem sê-las).

Na prática, o cidadão brasileiro se depara com as metas do milênio no supermercado, ao ensacolar suas compras. Muitas redes de supermercado aderiram à campanha, estampando as metas nas suas sacolas plásticas, como se isso fosse suficiente para materializar cada uma das 8 metas.

É claro que não podemos massacrar iniciativas como esta. Elas, de alguma forma, contribuem em algum nível - não sei bem ao certo.

Uma das metas refere-se à questão da "sustentabilidade ambiental". Vamos dar uma olhadinha nela pra vermos o quanto ela reflete uma visão parcial do problema e propõe saídas paliativas ao mesmo.
CLIQUE AQUI
Para saber mais sobre o detalhamento das ações para a meta relativa à sustentabilidade ambiental.

Uma análise rápida permite perceber que o ponto de partida destas ações é, a meu ver, equivocado. Parte-se de uma visão que não questiona o modelo de produção e consumo atual (não estou falando de capitalismo nem de socialismo, mas sim de 20% da população mundial que consome 80% dos recursos naturais do planeta), assume-o como algo dado e irrecusável. A partir daí, as ações propostas são claramente paliativas, como melhoria de técnicas de produção, tecnologias mais eficientes, redução de fontes poluidoras, etc.. Nada contra estas ações, que são válidas e necessárias. O problema é ficarmos só nelas e não irmos além, no entrentamento das raízes dos problemas.

Obviamente este caminho é bem mais difícil e complexo, mas não pode ser usado como saída para a adoção de ações sempre paliativas. Como não dá para "parar o mundo que eu quero descer", pelo menos é possível "parar tudo para revermos o que e como estamos fazendo"....

Enquanto isso, continuamos ensacolando as metas do milênio, usando sacos plásticos com as mais diversas finalidades. Uma delas, muito comum em terras tupiniquins é usá-los como sacos de lixo.

Quem sabe a turma de catadores não se sensibilize com as estampas das metas nas sacolas, e procurem fazer a "sua parte" para tentar mudar o planeta.


publicado por fabiodeboni às 13:37
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Quarta-feira, 23 de Maio de 2007
Cabe tudo na EA? Tudo é EA?
Questões como esta são cada vez mais comuns no meio da EA, dada a diversidade de formas, tipos, concepções, propostas e propósitos da EA na atualidade.
Muita coisa tem se passado por EA, mas se olharmos de forma mais atenta veremos que há questões distantes de serem efetivamente EA.

É uma questão complexa e complicada.

Primeiro porque não há um cotorno bem definido no meio da EA. Dada a sua transversalidade e links com os mais diversos campos do conhecimento, delimitar um certo enquadramento é uma tarefa de difícil implementação.
Segundo que se trata de um campo em plena construção, ou seja, há ainda muitas fronteiras que serão descobertas, novas áreas abertas, novos rumos e descobertas. Como enquadrar algo que ainda está em franca expansão?
Por outro lado, temos observado no meio da EA um certo incômodo de muitos(as) educadores(as) com esta falta de limites da própria EA. Tem-se visto muita coisa que se diz EA mas que deixa a desejar neste sentido.

Aqui abro uma parêntese para explicitar que falo de uma EA que dialoga com uma visão crítica e emancipatória, portanto, alinhada com seus princípios e perspectivas.

Voltando à questão. Outro complicador nítido é com relação a "quem" propõe este enquadramento. Vejo duas questões aí:
1. O "quem" tem a ver com a visão de EA da qual se parte...Se este "quem" também compartilhar uma visão crítica da EA, ele tenderá a balizar seu entendimento da EA como sendo aquele que "bebe" nesta visão.. Ou seja, o que estiver muito distante desta perspectiva, provavelmente ficará fora desta moldura.

2. O "quem" também remete a legitimidade para propor este enquadramento. Quem (pessoa e instituição) tem condições, legimitidade e conhecimento de causa para fazê-lo? Dificil responder....

Na verdade o pano de fundo deste texto tem mais a ver com a questão "como as diferentes visões de EA tem dialogado e se relacionado entre si?"

O temos visto é uma espécie de "não-diálogo", onde uma visão tende a ignorar a existência, legitimidade e relevância da outra. Na prática vemos educadores(as) mais alinhados com a visão crítica e emancipatória da EA tendendo a ignorar ou sub-dialogar outras visões de EA (visões menos politizadas, mais naturalistas, conservacionistas, biofísicas, etc..). Como não me vejo atuando dentro destas visões, não posso dizer "vice-versa"...

São impressões que tenho e vejo que precisamos colocar em prática o tão preconizado princípio do "diálogo", reconhecendo em todas as visões de EA sua importância, seus limites e potencialidades, e abrindo um campo de diálogos e troca de experiências, com vistas a identificarmos o que há de comum neste sentido. Afinal, estamos numa mesma área - da EA - e, portanto, supostamente tendemos a concordar em determinadas questões.....Afinal, em quais concordamos e em quais discordamos? Em quais podemos rever posições e em quais não?

Podemos, por outro lado, continuar caminhando para a emergência de tendências mais rígidas no campo da EA, que passarão a disputar espaço entre si, enquanto que o conjunto da sociedade continua ignorando (ou menosprezando) a existência e a importância da EA para a construção deste "outro mundo possível" tão apregoado....


publicado por fabiodeboni às 18:40
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Segunda-feira, 21 de Maio de 2007
EA na mídia
Não sou especialista em comunicação (nem em mídia), mas me considero um curioso que procura acompanhar a maior diversidade possível de meios de comunicação, especialmente aqueles que de alguma forma têm abordado questões socioambientais.
Como bem sabemos é crescente o interesse das mídias a respeito do tema, corroborando o ditado "nunca se falou tanto sobre meio ambiente...".
Há um avanço em curso, isto é inegável, neste quesito - da cobertura do tema.. Ele está mais presente tanto na grande mídia (jornais, TV, revistas...) quanto nas mídias alternativas e comunitárias. Há suplementes especiais sobre "Meio Ambiente", páginas inteiras com matérias, programas na TV, etc.
Mas nem tudo são flores...Se por um lado há um avanço na presença do tema nas mídias, por outro há que se avançar MUITO em termo da qualidade desta abordagem.
Ainda que seja possível identificar reportagens "progressistas", isto ainda é algo raro de se encontrar. No caso da Educação Ambiental isso é mais nítido ainda. Ela está cada vez mais presente nas mídias, mas partindo de uma abordagem que precisa ser incrementada.
Alguns exemplos:
- Conceitualmente, a EA ainda é tratada de forma MUITO parcial. Resume-se a relação entre "homens" (a questão de gênero é dificilmente percebida) e a natureza (considerando fauna e flora). O papel da EA, nestas abordagens, é "conscientizar" as pessoas, oferecendo-lhes informação, inclusive sobre comportamentos "ecologicamente corretos". Ou seja, há uma lacuna IMENSA nestas abordagens, pois parte-se de uma visão ingênua e parcial do poder transformador da EA - mudanças culturais e sociais (!!), individuais e COLETIVAS.
- Metodologicamente, a EA ainda é voltada para crianças e jovens, porque entende-se que os adultos não transformam mais seu modo de perceber-se e relacionar-se com o mundo. Foca-se em atividades pontuais e de cunho competitivo - ginacanas, premiações, concursos, etc - que pouco contribuem para alavancar a EA em sua plenitude. Ou seja, a EA acaba sendo  um mero passatempo, uma brincadeira com crianças, ao invés de ela ser colocada como algo que vai provocar a sociedade para repensar seu modelo atual de produçao e consumo, de desenvolvimento, etc.
- Na prática, estas reportagens em geral, procuram mostrar algumas experiências localizadas que supostamente são "bem sucedidas". Evitam apresentar iniciativas que têm um foco mais amplo e com potencial de alcance maior, como Políticas Públicas, por exemplo. Preferem mostrar o que uma escola está fazendo, do que um município ou região está promovendo. Preferem mostrar o que um professor está desenvolvendo, do que um coletivo de educadores está implementando. Ou seja, seu enfoque é sempre micro-local e nestes casos pouco se explora quais são os fatores que contribuem para que esta iniciativa tenha sucesso (apoio da direção da escola, da prefeitura, nível de envolvimento e participação da comunidade escolar, formação de professores, etc).

Abordagens como estas, contribuem sim para divulgar a EA pelo país, mas o fazem de maneira a reforçar uma visão já muito presente na sociedade na qual:
- a EA é coisa para crianças e jovens
- a EA deve ser pontual, lúdica e divertida
- EA e transformação social não combinam (não tem nada a ver)
- o foco é nos indivíduos (comportamentos) e não nos coletivos (grupos sociais)
- a EA não é supostamente "neutra", não tendo qualquer potencial político de atuação.
- a EA não busca identificar as raízes dos problemas (ex: se o tema é lixo, fala-se apenas em reciclagem e não em produção e consumo)

É preciso trabalharmos para irmos mudando este cenário, inserindo abordagens mais ousadas, críticas e políticas da EA. Já há suficiente acúmulo para isso, o que falta é maior articulação nossa com as mídias e, obviamente, interesse delas em redimensionar suas pautas sobre o tema. Aí é o que "calo aperta"....


publicado por fabiodeboni às 14:34
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Quinta-feira, 17 de Maio de 2007
Atalhos para contornar a Crise Global
A onda atual trazida pela alta do tema "Mudanças Climáticas" tem sido interessante por um lado por colocar o debate em pauta, na grande mídia, e, de certa forma, torná-lo mais acessível ao cidadão comum.
Uma pesquisa recente apontou que os brasileiros estão entre os mais bem informados sobre o tema, em comparação a diversos países do mundo.
Obviamente que este nível de informação sobre o tema é superficial, e construído a partir da grande mídia, em especial da TV, e em especial da Rede Globo.
Ora, sabemos muito bem a abordagem trazida pela grande mídia ao tema. Já escrevi sobre isso num outro texto, quando busquei apontar as lacunas na sua abordagem - conceitual, histórica e alternativamente.
Se olharmos com atenção veremos que o tema segue em pauta e tudo indica que veio para ficar. A questão é: "como" ele está sendo colocado em pauta, e "com qual enfoque" ele vem sendo abordado.

Vejo algumas tendências nada animadoras:

1.  O tema vem sendo abordado a partir de um recorte conceitual, que limita sua compreensão como sendo um componente da grande Crise Socioambiental global que o planeta vive (crise de valores, de paradigmas, de ética, etc...., não somente ambiental, mas social, política, cultural, etc).
Aborda-se o tema - Mudanças Climáticas - colocando em foco a questão do CO2 e pouco se vai além disso. O vilão é o CO2 e não o sistema que o gera.  Esta é uma tendência que precisa ser mais questionada.

2. As supostas "soluções" apresentadas até então, passam necessariamente (e unicamente) pela via tecnológica - substituição das matrizes energéticas, adoção dos combustíveis renováveis (leia-se Etanol), etc....Em nenhum momento buscou-se olhar mais além, procurando identificar as reais raízes da questão (modelos de desenvolvimento, civilizatório e de produção e consumo)....

3. Estas alternativas passam necessariamente pela questão do Mercado (verde, de créditos de carbono, etc). Ou seja, caberá ao mesmo mercado que foi um dos grandes responsáveis pela geração da Crise Global, a sua solução e regulação.

Ou seja, um resumo das tendências seria algo como:
a. Temos um problema que são as Mudanças Climáticas, causado pelos seres humanos.
b. Este problema pode ser enfrentado e solucionado a partir de medidas tecnológicas.
c. Estas medidas passam pela via do Mercado ("verde", de carbono, etc), que terá capacidade e será suficiente para resolver o problema.
d. Já vimos na mídia que quem pagará esta conta serão os países "em desenvolvimento", portanto, prepare o seu bolso.

Nada animador...a não ser para milhares de oportunistas que vêem neste novo Mercado uma oportunidade de capitalizar, às custas da manutenção de um mesmo sistema de produção e consumo, pautado no super consumo e alto descarte para uma elite restrita global, e na exploração da grande massa restrita à pequena parte que lhe resta deste grande latifúndio chamado Terra.
Aqui cabe parafrasear com aquela propaganda de uma marca de provedor de internet: "Qual é a sua Terra?".


publicado por fabiodeboni às 14:44
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Terça-feira, 15 de Maio de 2007
Enraizamento da EA no país
Temos visto o quanto o termo "Enraizamento" entrou na moda no meio da EA brasileira. Apesar de ser contra modismos, é preciso saber identificar boas oportunidades de aproveitarmos as coisas que estão na moda para alavancar propostas mais críticas e avançadas, fazendo os contrapontos necessários....
No caso do Enraizamento da EA, apesar da "moda", o termo reflete uma panorama bem interessante do avanço que a EA vem conquistando pelo país. Obviamente nos faltam mais dados para ilustrar este pensamento, como por exemplo, número de municípios com Política Municipal de EA, valores (R$) investidos em programas e ações de EA, etc... Temos o dado da universalização da EA nas escolas de ensino fundamental, o que é bastante interessante.
Para saber mais sobre esta universalização:
CLIQUE AQUI

Além disso, é possível percebermos outras pistas que sinalizam para a maior presença da EA no país:
- aumento do número de participantes e de encontros e eventos de EA pelo país (ex: no V Fórum Brasileiro de EA, em 2004, tivemos 3.300 inscritos e mais de 4 mil pessoas circulando pelo evento)
- a EA está cada vez mais presente em municípios do interior brasileiro (publicações, eventos, projetos, ações, etc)
- o processo das Conferências Nacionais de Meio Ambiente (adulto e infanto-juvenil) vêm mobilizando milhares de pessoas em todo o país.

Estas são apenas algumas pistas (dentre outras possíveis) que reforçam minha visão de que a EA está enraizando com rapidez no Brasil, estando cada vez mais presente em regiões e localidades que até então ela pouco aparecia.
O passo seguinte deste processo passa certamente pela discussão sobre a "Qualidade da EA" que vem sendo exercida nestes espaços, e como incrementá-la....
Esta questão, que já vem sendo discutida no meio da EA, vai exigir de nós mais preparo, disposição e amadurecimento, coisas que ainda estamos tateando....

Varemos e vivenciemos as cenas dos próximos capítulos....


publicado por fabiodeboni às 15:23
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Sexta-feira, 4 de Maio de 2007
Mais QUINO


Mais uma imagem do Quino, para refletirmos...
Bom fim de semana.


publicado por fabiodeboni às 15:57
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Quinta-feira, 3 de Maio de 2007
Um pouco de QUINO

Ai vai um pouco de Quino, para nos divertirmos e pensarmos o quanto nos deparamos com situações como esta...
Pra quem não sabe, o QUINO é autor de Mafalda...Conheça mais sua obra:
www.quino.com.ar


publicado por fabiodeboni às 19:46
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Mitos e chavões em EA
Escrevi outro dia um texto abordando alguns mitos e chavões em EA, muito presentes no nosso meio e, muitas vezes, menosprezados.
Pra quem quiser dar uma lida, é só clicar:
http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=27350


Boas leitura e reflexão....


publicado por fabiodeboni às 17:43
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Quarta-feira, 2 de Maio de 2007
Manifesto da CGEAM - IBAMA
Em virtude do processo de reestruturação do MMA e do IBAMA e de todos os desdobramentos decorrentes disso, publico integralmente o manifesto dos colegas educadores ambientais da Coordenação Geral de EA do IBAMA, como forma de socializar argumentos e questões a respeito do tema.
Boa leitura e reflexão....


"Aos servidores do IBAMA, particularmente aos colegas educadores das
SUPES, GEREXs, ESREGs, Centros Especializados, Unidades de
Conservação, colaboradores das Universidades e de instituições
parceiras das esferas pública e da sociedade civil:

A reforma na estrutura administrativa do IBAMA, implementada pela
Medida Provisória nº 366/07, de 26 de abril de 2007, atinge
mortalmente a capacidade deste Instituto de executar as políticas
nacionais de meio ambiente, conforme estabelecido na legislação em
vigor. A educação ambiental que vimos construindo ao longo da
existência do IBAMA pressupõe, para sua efetivação, que seja
praticada no contexto das atividades finalísticas do Instituto, tais
como: educação ambiental na criação e gestão de UC, na gestão de
recursos pesqueiros, no licenciamento ambiental, na proteção e manejo
de fauna, na prevenção de desmatamentos e incêndios florestais etc.
Esta prática, exercida coletivamente pelos educadores e demais
companheiros de outras áreas do IBAMA, nos ensinou que os instrumentos
de gestão ambiental manejados pelo Instituto, no cumprimento de suas
atribuições, não são excludentes, mas, sobretudo, complementares. Por
tudo isto é que nós, educadores do IBAMA, sempre nos posicionamos pela
unicidade da gestão ambiental federal, nos diversos momentos, desde
1991, em que se discutiu a reforma do Instituto.

Portanto, no momento em que mais uma reforma nos é apresentada, não
poderíamos deixar de nos alinhar integralmente com a posição do
conjunto dos servidores do IBAMA de lutar pela manutenção da
integridade das atribuições

Por outro lado, constatamos que a reforma implementada pela Medida
Provisória nº 366/07 e os Decretos nºs 6.099 e 6.100, de 26 de abril
de 2007, embora mencione a Educação Ambiental como atribuição de ambos
Institutos, essa área não consta da estrutura organizacional dos mesmos.

Como a Lei nº 9.795/99 que institui a Política Nacional de Educação
Ambiental e o Decreto nº 4.281/00 que a regulamenta determinam como
incumbência dos Órgãos do Sistema Nacional do Meio Ambiente a promoção
da educação ambiental integrada às atividades de conservação da
biodiversidade, de zoneamento ambiental, de licenciamento e revisão de
atividades efetivas ou potencialmente poluidoras, de gerenciamento de
resíduos, de gerenciamento costeiro, de gestão de recursos hídricos,
de ordenamento de recursos pesqueiros, de manejo sustentável de
recursos ambientais, de ecoturismo e melhoria da qualidade ambiental,
torna-se incompreensível esta omissão.

Como é razoável supor que o Ministério do Meio Ambiente não iria
propor uma estrutura regimental que descumpra a Lei, duas hipóteses
nos ocorrem: equívoco da equipe que elaborou os decretos ou opção pela
terceirização da prática da educação ambiental nas duas
organizações. De qualquer maneira, a terceirização não teria respaldo
legal em muitos casos, como por exemplo nas análises, acompanhamento,
avaliação e emissão de pareceres técnicos sobre os Programas de
Educação Ambiental exigidos como condicionante de licença aos
empreendedores, que são competências indelegáveis do Instituto.
Portanto, estas atividades devem ser exercidas, necessariamente, por
educador do IBAMA devidamente habilitado.

Neste sentido, nós educadores da CGEAM reafirmamos o nosso
compromisso com uma educação ambiental crítica, transformadora e
emancipatória e conclamamos todos os companheiros a lutarem pela não
fragmentação do IBAMA, pela não diluição da Educação Ambiental e pela
manutenção da CGEAM na sua estrutura organizacional.

Exigimos respeito pelo nosso trabalho, construído ao longo desses
anos com competência e compromisso social, com os devidos
desdobramentos no campo acadêmico e na gestão ambiental pública
nacional, bem como repudiamos a terceirização da educação ambiental.

Brasília, 30 de abril de 2007

José da Silva Quintas, Elisabeth Eriko Uema, Maria José Oliveira
Gualda, Elísio Márcio de Oliveira, Patrício Melo Gomes, César
Oliveira Campos, Arislene Oliveira Barbosa, Elizabete Lopes P. da
Fonseca, Teresinha Lúcia de Andrade, Maria Magnólia Barro Lins, Maria
Yêda Silva Oliveira, Marcos da Conceição Rocha, Izabel Francisco
Ramos, Neide Freire de Almeida, Giorgenes Martins de Souza, Ricardo
Augusto de Souza Ayres Lopes, Flávia Maria Rossi de Morais, Maurício
Marcon Rebelo da Silva e Fernanda Aléssio Oliveto."


publicado por fabiodeboni às 18:18
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