Política e Sustentabilidade sob um ângulo crítico
Sexta-feira, 29 de Junho de 2007
Partidos políticos e a questão ambiental
Não sou muito fã de propaganda política partidária, o famoso horário gratuito eleitoral, como todo brasileiro(a). Por outro lado, me considero um interessado em "política", mas não em política partidária.
Nesta semana e nas anteriores, alguns partidos políticos apresentaram seus programas na TV. Dos que eu vi - PSB, PMDB e PTB. Ontem mesmo passou o programa do PTB...
Enfim, para meu espanto, estes três partidos abordaram a questão ambiental, uns com mais ênfase outros menos. O fato é que, se olharmos para os programas destes (e de outros) partidos veremos com certa facilidade que a questão ambiental não é um tema central, pelo menos até então.
O que me chamou a atenção é o quão rapidamente estes partidos se apropriaram do tema, ainda que certamente possamos identificar diversas lacunas nestas falas.

Algumas impressões que tive ao ver estas propagandas:
- Ver políticos tradicionais se tornando "ambientalistas" é no mínimo uma loucura! Estamos falando de Collor, Roberto Jéferson, e tantos outros caciques políticos... Nada contra que a pauta ambiental seja efetivamente incorporada pelo meio político, mas peraí.
- Há diferenças no discurso entre os partidos - uns são mais ousados e outros mais oportunistas. Peço que cada um(a) faça suas próprias análises e tire suas próprias conclusões.
- Afinal, qual o interesse repentino destes partidos (e de outros) pela questão ambiental? Vide a recém criada "Frente Parlamentar Ambientalista", da qual participam diversos parlamentares até então totalmente aversos ao tema, inclusive componentes da bancada ruralista.

Penso que tudo isso é parte de uma conjuntura atual - de apropriação da questão ambiental por parte de diversos segmentos da sociedade. Bem sabemos que:
- a questão ambiental é mediada por conflitos de interesse
- há diversas visões sobre o tema (muitas contraditórias)
- há "quadros" qualificados nestes diversos segmentos para lidar com a questão ambiental?

Tudo isso nos leva a perceber que estamos vivendo um momento de popularização da questão ambiental, o que por um lado é positivo para o nosso trabalho. Porém, esse processo faz com que os diferentes segmentos se apropriem de forma desigual e superficial da temática, o que pode prejudicar todo um acúmulo histórico na área. Como lidar com isso? Como a EA se situa neste processo?

Enfim, ficam as questões para refletirmos....afinal a EA não é neutra e sim um ato político (que não se limita mas passa também pela via partidária).


publicado por fabiodeboni às 21:49
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Quarta-feira, 27 de Junho de 2007
Sobre Juventude e Meio Ambiente
Escrevi um texto no final de 2006 procurando fazer um breve balanço da temática - Juventude e Meio Ambiente - no país. Na época circulei em listas o texto e publiquei-o no Adital, como sempre faço.
Dias atrás tive a grata surpresa que este texto havia sido publicado na Revista ECO 21 de junho. Relendo-o, vejo que se fosse escrevê-lo hoje, certamente o faria de maneira diferente, agregando novas questões à luz das última polêmicas e críticas (legítimas) que o Programa "Juventude e Meio Ambiente" tem recebido.

Fica o convite para leitura do texto, disponível em:
http://www.eco21.com.br/textos/textos.asp?ID=1571

Comentários são bem vindos pois ajudarão a atualizar o texto, tendo em vista a possibilidade de reapresentar um balanço do tema no final deste ano.


publicado por fabiodeboni às 14:56
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Sexta-feira, 22 de Junho de 2007
No anexo do aquecimento global
Tenho lido muito a respeito do tema do momento - Mudanças Climáticas e Aquecimento Global. Também pudera, pois só se fala nisso agora...O assunto virou até piadinha em novelas e programas da Globo.

Por um lado é bom pois pauta a sociedade, tornando o tema mais popular.
Por outro lado, o torna meio banal, sem toda a sua importância e urgência, ou seja, acaba se tornando mais um tema, dentre tantos outros que nos bombardeam no nosso cotidiano - violência, desemprego, crise nos aeroportos, CPIs, etc.

A questão é que, das diversas matérias, textos e abordagens sobre o tema, o que mais tenho visto são basicamente 2 enfoques muito nítidos: o mercadológico e o tecnológico. É óbvio que ambos são faces da mesma moeda....

Separei duas matérias de veículos da mídia (jornal e revista) que ajudam a ilustrar estas duas abordagens.
A primeira, uma matéria na Folha de São Paulo (CLIQUE AQUI) trata de um programa recém lançado peo BNDES para aquecer o mercado de carbono.

A segunda, na Revista Fórum de junho (CLIQUE AQUI) traz uma entrevista com o Prof. José Eli da Veiga (USP), onde ele traz sua visão sobre o tema, deixando bem nítida sua abordagem tecnológica (como saída para o enfrentamento da problemática). Aliás, esta visão está bem em sintonia com a linha do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) brasileiro.

Há certamente outras abordagens possíveis ao tema, para além da mercadológica e da tecnológica. Afinal, onde entra mesmo a Educação Ambiental nesta história? Os aspectos educacionais se inserem onde e como?

De nada adianta falarmos apenas de alternativas mitigadoras (ex: sequestro de carbono) e adaptativas (ex: plantas transgênicas mais resistentes a condições climáticas adversas). É preciso também colocarmos na mesa alternativas educadoras, que certamente vão questionar as demais...

O problema é que o bonde está andando, acelerando e estamos (Educadores(as) Ambientais) ficando para trás. Mal estamos no anexo e já corremos o risco de sairmos dele e ficarmos em lugar algum nesta história. Onde estamos errando? O que é preciso fazer para revertermos esse quadro? Temos sido pro-ativos o suficiente para isso? Temos sido objetivos e estratégicos o suficiente para isso?

Penso que não, mas ao mesmo tempo vejo que as disputas políticas e econômicas por trás de cena é que comandam o bonde - imprimem seu rumo e ritmo e definem seus passageiros. No momento mal estamos no bonde, talvez sejamos aquela pessoa lá no fundo que passa desapercebida pelos demais.

Se a disputa é política e econômica, precisamos falar esta língua, transitar nestes espaços e atuarmos mais fortemente neles e junto a eles.  De nada adiantarão nossas cartilhas e processos de sensibilização se não formos hábeis o suficiente para também assumirmos o comando do bonde. Aliás, seus comandantes sabem que nós existimos?


publicado por fabiodeboni às 19:51
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Quarta-feira, 20 de Junho de 2007
Ponto e vírgula
A idéia deste título me veio à cabeça como uma maneira de tentar resumir o tema deste texto, qual seja, o da descontinuidade das iniciativas e ações em Educação Ambiental (EA) e de nós -  educadores(as) ambientais.
Já sabemos que a EA se constrói no dia a dia, todos os dias, e não somente em eventos e datas comemorativas. Isso me parece um consenso, apesar de ainda nos depararmos com ações de EA pontuais e parciais.
Partindo do princípio de que este é um consenso, vamos nos deparando com situações que nos levam a perceber um certo distanciamento entre este consenso e sua prática.
Vejamos algumas situações:
1. É inegável a necessidade e importância de processos de formação de educadores(as) ambientais. OK, mas procure conversar com as pessoas sobre isso, e fatalmente a conversa vai caminhar para a direção de planejar um curso, com tal carga horária etc. Queremos um processo de formação, mas o resumimos a um curso, muitas vezes pontual e que não gera continuidade a outros processos em curso.
2. Esta mesma lógica vale para muitos Centros de Educação Ambiental (CEAs) por aí. Objetivam promover a EA, mas o fazem, muitas vezes, de maneira pontual, com visitas e ações de curta duração. E após a visita, o que acontece?
3. Participamos de inúmeras listas de comunicação - canal de articulação das diversas Redes de EA - e quase que diariamente nos deparamos com mensagens, correntes e informações que nos provocam à mobilização e à tomada de posição frente a determinado tema ou acontecimento. Um exemplo bem didático foi a questão da Medida Provisória 366, que criou o Instituto Chico Mendes e reestruturou o IBAMA. Houve um momento que as mensagens nas listas só falavam deste assunto - abaixo-assinados, cartas, manifestos e muita polêmica. Sem tirar a legitimidade e a relevância de tudo isso, pergunto: passado algumas semanas, o que aconteceu? O que aconteceu com todas estas ações realizadas pelas (e a partir) das redes? Elas geraram quais impactos? Temos como mensurá-los? O que podemos aprender com tudo isso?

Levanto estas questões para pensarmos na importância de planejarmos nosas ações na EA com começo, meio e fim, e não apenas o começo. Atuamos como uma pessoa que constrói um barco de papel e o lança no rio. A partir daí, espera-se que o próprio barco assuma seu rumo e sua trajetória, que pode terminar na próxima curva ou na pedra seguinte do rio.
Para darmos conta deste começo, meio e fim, é preciso avançarmos e MUITO no campo da Avaliação (de processo, de impactos, etc)...Não basta apenas acompanharmos o barco ao longo do rio, pois será preciso em muitos momentos assumir seu comando, mobilizar a tripulação, remar para a mesma direção, parar para reabastecimento e para reparos, etc.

Na verdade a proposta do nome deste texto - Ponto e Vírgula - remete a duas coisas:
1. A importância de uma EA continuada e permanente - com começo, meio e fim (e recomeço)
2. A necessidade de pausas no decorrer deste processo, que nos permitam avaliar, repensar, respirar e replanejar a sequência da viagem.

Pensemos a respeito e, ao invés de aguardarmos as cenas dos próximos capítulos, podemos construí-las desde já. Afinal, o futuro se faz no presente, com muitos pontos, vírgulas, crases, exclamações e, sobretudo, muitas interrogações.


publicado por fabiodeboni às 17:44
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Sexta-feira, 15 de Junho de 2007
Entrevista com Michèle Sato
Inaguro aqui no blog a idéia de rápidas entrevistas com educadores(as) ambientais brasileiros e estrangeiros, trazendo idéias e pontos de vista sobre aqueles assuntos que gostamos de conversar nos corredores e durante o cafezinho dos encontros de Educação Ambiental...

Nossa estréia não poderia ser melhor - a entrevistada é a nossa super Michèle Sato, trazendo suas opiniões sobre três questões que apresentei a ela.

A entrevista foi feita por e-mail e a foto foi tirada meses antes, em Pirenópolis - GO, pelo nosso amigo educador ambiental  português Joaquim.

Boa Leitura!




  1. A EA de hoje está melhor ou pior que a EA de 20 anos atrás? Por quê?

Michèle:

Não acredito que exista este parâmetro comparativo entre passado e presente. Em cada época, contexto e fôlego, cada qual faz sua história. Vestidos de farrapos ou na nudez de cada época, os protagonistas se aventuram com suas forças, projetando seus sonhos. Seria injusto desprezar o passado, como se pudéssemos lançar a pergunta se somos melhores do que nossos próprios pais. Certamente eles dirão que sim, e como mãe, também daria mesma resposta em relação aos meus filhos. Mas o movimento ecologista requer um cuidadoso reconhecimento de lutas pretéritas e das esperanças tecidas que ainda não finalizaram. Entretanto, como tudo na vida (ou na maioria de suas coisas), vinte anos representam uma temporalidade de maturação, avaliação e mudanças de táticas. Erramos muito no passado, e negligenciamos diversas temáticas. Contudo, graças a estes tropeços, a geração atual também aprendeu pelos erros.


Em outras palavras, há erros e acertos sempre, independente de qual tempo estamos inscritos. E a boniteza da alma é reavivar a memória, dinamizar-se, permitir que o congelamento não nos cegue. Os velhos precisam aprender com os jovens, mas a recíproca também é verdadeira. Nos sítios arqueológicos ou no futurismo cósmico, as incertezas existem. Descobrimos a cada instante, seja revisitando o passado, seja prevendo o futuro. Beleza e feiúra se conjugam de mãos dadas e não há um melhor que o outro. Na ciranda da vida, Paulo Freire diria que há somente ‘saberes diferentes’.



  1. O que está faltando para a EA brasileira ser “foda”?

Michèle:

Uma Frente de Oposição à Direção Atual (FODA)? Considerar a Educação Ambiental implica em inscrevê-la num círculo interligado ao momento político da sociedade. A Educação Ambiental não é uma ilha isolada do sistema e não pode ser vitoriosa isoladamente, do contrário, estaremos sendo cegos em promovê-la sem diálogos abertos com as sociedades sustentáveis que desejamos construir. Nunca a civilização testemunhou uma época tão fugaz, fugia e eminentemente pública. Os acontecimentos ocorrem de forma paulatina e não conseguimos mais nem ler os velhos jornais por inteiro. Inúmeras informações chegam em nossas caixas postais, nos assombrando ao grande desafio mundial: participação efetiva e não meramente representativa. Reuniões de redes ou ONG são esvaziadas, fóruns universitários não dão quorum e os impactos ambientais crescem em contramão às nossas especializações.


Estaremos silenciados pelo medo? Acredito que não. Estamos tateando, buscando construir qual é o melhor caminho para atuar, errar menos, ser mais tático. De fato, não sabemos como agir nesta era tão mutante. Estamos, velhos e jovens, em pleno processo de construção e não há varinha mágica que acene receitas, dê veredictos únicos ou métodos infalíveis.


Muita gente atribui o fracasso da educação ambiental à falta de informação. Infelizmente não penso desta maneira. Os veículos de comunicação de massa estão a todo vapor, escolas, informativos e o mundo informático estão cheios destas informações. O mais desesperador talvez seja encontrar sempre a meia dúzia de pessoas que sempre estão nos encontros ambientais, seja de que caráter tenha. E este panorama local se repete no cenário nacional e internacional. O círculo é vicioso, mas não sei como o tornaria em um círculo virtuoso, senão pelas minhas próprias tentativas de assumir as 3 ecologias do Gattari, coincidentes com a fenomenologia MPontyana:

    1. ECOLOGIA MENTAL (EU) - de saciar as sedes existenciais na esperança do devir, do reconhecer que os erros são normais e que a perfeição simplesmente não existe. Do acolher limites, tropeços e caos para que o infinito, os acertos e a harmonia sejam possíveis na dinâmica do ciclo da vida e morte.

    2. ECOLOGIA SOCIAL (OUTRO) - de respeitar o erudito, sabendo abrir fendas para que o popular seja acolhido. Lutar para que a inclusão social seja realmente ampla e democrática, sabendo respeitar as diferenças desde as empresas até os povos indígenas. Ampliar a bandeira da justiça ambiental, promover a multiculturalidade, tolerância, “com-vivência” e solidariedade.

    3. ECOLOGIA AMBIENTAL (MUNDO) - de assumir que a natureza jamais poderá ser vista como mero “recurso natural”, senão como uma teia tecida em mosaicos de vidas e não vidas. Da ultrapassagem do antropocentrismo, do acolher diálogos, tentando superar o dilema tardio de Platão em ser uno e simultaneamente múltiplo.



  1. Como você a EA daqui a 10 anos? Como ela estará?

Michèle:

Eu sempre a esperarei vê-la lindamente construída, ontem, hoje e amanhã. Qualquer que seja a temporalidade, que ela supere a tirania do calendário imposto por Chronos e roube o mito de Kairos, igualmente senhor do tempo, mas que falava em tempo pelo ritmo dos corações e não de relógios. Que a afetividade, amorosidade e generosidade também possam ser acolhidas nas lutas, onde as ciências podem (e devem) dialogar com as artes.


Que a infância, adolescência, maturação e velhice sejam conjugadas a um só tempo nas máscaras modeladas pelas nossas fantasias, entre a alegoria do carnaval de ruas e o choro do dia seguinte do pierrô abandonado. E que os retalhos sejam considerados no mosaico de cores, jamais desprezados. Que os espelhos reflitam a arqueologia pretérita para que as possibilidades futuras não sejam tão cicatrizadas, com sangue jorrando, injustiças atrozes, perversidades da vida...


Que o cheiro da chuva exale o perfume do sol, porque reconhecemos que o arco-íris é sempre incerto, deslizando em céus azuis sem início ou fim, apenas pairando em sonhos etéreos de palavras, linguagens ou silêncios inefáveis assoprados pela brisa.


Que a Educação Ambiental continue a zelar pela Terra, em sua maior magnitude da beleza inacabada, porque a luta sempre refletirá para que o futuro exista, exalado em aromas de sabores no pulsar das esperanças...




publicado por fabiodeboni às 20:09
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Quinta-feira, 14 de Junho de 2007
Chiques & Contraditórios
Como organizamos eventos na área de Educação Ambiental! São tantos encontros, seminários, congressos, feiras, semanas, fóruns, conferências, workshops que se olharmos sob uma ótica de mercado, poderíamos perceber um grande filão para as empresas que organizam eventos.
Vão desde pequenos eventos até mega realizações, envolvendo milhares de participantes e uma baita logística.

Tenho participado de muitos eventos na área de Educação Ambiental (EA) e o que tenho visto nem sempre é tão animador assim. Tudo bem que no meu mapa astral já idenfiquei uma habilidade de enxergar o lado "falho" em tudo, e tenho tentado melhorar isso. O fato é que, sempre que vou a estes eventos fico me perguntando:
- Quais os impactos que estes eventos geram em seus participantes e organizadores? Geram algo pós-evento que realmente mexa com estas pessoas?
- O que mais estes eventos proporcionam para além de momentos de encontro, integração e troca de experiências? Eles têm contribuído para melhor qualificar a EA exercida no país? De que forma?
- Como estes encontros têm sido avaliados? Quais aprendizados eles têm deixado para os próximos eventos?

Estas são questões mais conceituais e político-metodológicas, e nem sempre são devidamente percebidas, discutidas e equacionadas.

Olhemos agora outro conjunto de questões de natureza mais prática, mais voltadas ao lado operacional do evento, que de certa forma depõe contra ou a favor das questões do bloco anterior. Um dos focos da EA é a busca pela sustentabilidade, e infelizmente não presenciamos isso com muita facilidade nos eventos por aí. Vejamos algumas questões:
- Com quais critérios temos definido o local para os eventos de EA? O que de "sustentável" estes locais apresentam? O que de "insustentável" eles apresentam?
- Como  se dá a atuação da equipe organizadora destes eventos? Como elas se relacionam entre si?
- Como temos pensado nos kits de materiais para os participantes? Eles são realmente necessários? Quais componentes são indispensáveis nestes kits? Quais materiais são mais coerentes com a proposta do evento?

Todas estas questões nos ajudam a refletir sobre o papel que os eventos de EA cumprem (ou podem cumprir). Estamos, no entanto, presenciando situações contraditórias em diversos eventos de EA Brasil afora:
- espaços onde seus participantes se degladiam para pegar materiais diversos e publicações, sem se importar com seu conteúdo e aplicação
- uso exagerado de materiais descartáveis (copos plásticos, embalagens, na construção de estandes, nos kits, etc), que poderiam ser minimizados ou até mesmos recusados
- escolha por locais bastante contraditórios com os princípios da EA - hotéis de luxo, caros e pouco acessíveis aos educadores ambientais populares,
- relações autoritárias e não dialógicas entre as pessoas das equipes organizadoras (uso do poder, conflitos excessivos, papeis não definidos)
-  eventos que mais parecem um "fashion week" do que um espaço de encontro entre educadores ambientais
- metodologias nada inovadoras e pouco ousadas no sentido de provocar os participantes a pensarem, dialogarem e interagirem de forma individual e coletiva entre si. Ficamos sempre no velho formato de palestras com "bam-bam-bans" da EA, com quase nenhum tempo para perguntas e debates....

Aqui vale questionar a velha máxima do "tudo que é caro é melhor", pois nem sempre os eventos mais caros (em locais mais caros, e com preços mais caros) são os melhores em termos de coerência com a EA. É óbvio que o evento de EA não pode dar prejuízo, e precisa ser organizado de forma digna para as pessoas que ali trabalham, entretanto, não pode ser usado como uma estratégia de algumas pessoas capitalizarem em cima das outras. O que pode ser mais bem explorado, é considerarmos estes eventos como oportunidades de captação de recursos para seus coletivos e redes que os organizam, como forma de assegurar a tão falada "sustentabilidade financeira" dos mesmos.
Infelizmente ainda estamos distantes desta situação, pela nossa pouca organização e planejamento prévio na concepção e organização de eventos de EA, e pelo "tabu" que este assunto gera no nosso meio (o de que a EA não pode gerar "lucro").

Bom, mas isso fica para um outro texto.....
Um boa maneira de refletirmos sobre estas questões, é tentarmos lembrar dos eventos de EA que mais nos marcaram e mais mexeram conosco: porque lembramos deles? O que eles tinham de diferente dos outros?
Desta forma vamos encontramos pistas que podem nos ajudar a sair da mesmice que tem sido muitos dos eventos de EA Brasil afora.....


publicado por fabiodeboni às 14:06
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Terça-feira, 12 de Junho de 2007
Sobre blogs, portais e Educação Ambiental
A idéia de criar este blog veio em grande parte pela falta de espaços na internet que comentassem e discutissem temas relativos à EA que não saem em notícias e que circulam nos corredores e bastidores da EA....Não pretendo ser o que o Zeca Baleiro ironizou na sua música "Guru da Galera" (num trecho ele canta: "Deus me deixa ser guru desta galera, ver que tá todo mundo à minha espera, para anunciar o novo fim...."), mas apenas levantar o véu que cobre alguns assuntos dentro da EA...Seria um olhar de dentro para dentro, dentre muitos outros olhares e visões possíveis...

Dando um giro pelos blogs e portais relacionados à questão ambiental (muitos dos quais há links neste blog) é possível encontrar muitas coisas - desde notícias, informação, propaganda, opiniões...até bobagens e abordagens infelizes e equivocadas.
Não tenho a pretensão de ser uma espécie de "observatório" de blogs e portais da EA, mas apenas navego por eles como forma de encontrar subsídio para meus textos, análises e 'viagens' que publico por aqui....

Em geral uma coisa que sinto muita falta neles é justamente o que venho tentando fazer por aqui - buscar lançar visões mais analíticas do campo ambiental, em especial da EA. Não pretendo apenas informar sobre ações e projetos de EA, mas sim procurar apontar o "lado B" da história, as entrelinhas e as contradições em curso que enfrentamos em nosso dia a dia....Penso ser aí um rico e interessante terreno para questões, diálogos e reflexões, sempre correndo o risco de pensar alto demais e de escrever besteiras.

Afinal a vida tem sido assim. Cheia de aparentes certezas e muitas incertezas; muitas perguntas e poucas respostas; muitas dúvidas; muitas possibilidades....Estamos vivendo num mundo sem manual de instruções, apesar de querermos, a todo instante, uma receita para resolver nossos problemas e dificuldades da nossa vida.

Não será aqui neste espaço, nem nos diversos blogs e portais ambientais por aí que encontraremos as respostas às nossas perguntas. Afinal, qual a real contribuição destes espaços virtuais para a EA? Onde eles deixam a desejar e onde eles podem avançar?

Sim, sabemos que a internet ainda é um espaço para poucos no Brasil. Isto não é diferente na EA. Sabemos também que muitos educadores(as) ambientais ainda se encontram na "idade da pedra" da EA, copiando atividades sem reflexão sobre seus objetivos, reproduzindo frases prontas e discursos "ecologicamente corretos" sem perceber o que há por trás deles, se contentando em realizar uma EA que se limita a "fazer apenas a sua parte", utilizando "cartilhas" mal elaboradas e superficiais, etc.

A internet pode contribuir e muito no enfrentamento destas questões, apesar de todas as limitações que ela apresenta. Infelizmente ou felizmente a EA que exercemos no país não tem manual de instrução, veio sem bula e já saiu da garantia. É preciso entendê-la e domá-la, e certamente os blogs e portais não nos darão as respostas de como fazê-lo...Talvez encontremos algumas pistas, e aí nosso espírito criativo, inquieto e curioso nos ajudará a ir montando este quebra-cabeça, mesmo que todas as suas peças não estejam nem prontas nem disponíveis.


publicado por fabiodeboni às 18:50
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Quarta-feira, 6 de Junho de 2007
Quino
Aí vai mais um pouco de Quino.

Bom Feriado e Fim de Semana.



publicado por fabiodeboni às 21:14
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Sexta-feira, 1 de Junho de 2007
Redes de Educação Ambiental - nem tudo são flores
Participo de diversas Redes de EA, inclusive ajudando a criar algumas delas. Acredito nesta proposta, e penso que ela pode contribuir para a construção de uma nova sociedade.
As potencialidades das Redes de EA são inúmeras, e na medida em que elas vão se expandindo e se fortalecendo, novas perspectivas vão se abrindo.

Já li diversos textos de educadores ambientais abordando este lado "A" da questão das Redes. Considero-os interessante e compartilho muitas destas visões.

Entretanto, tenho sentido falta de abordagens que procuram levantar e discutir o lado "B" das Redes, ou seja, seus limites, suas dificuldades, contradições e desafios. É nesta direção que pretendo escrever este breve texto.

Quais são as principais contradições e limites das Redes de EA na atualidade?
Levanto elementos para esta resposta a partir da minha vivência de participar em diversas redes de EA (Rebea, Repea, Rejuma, Rede CEAs). Vejo em primeiro lugar uma dificuldade na gestão da rede, um dilema entre a necessidade de ser coerente com seus princípios (da multiliderança, horizontalidade, etc) e a necessidade de ser mais ágil em determinadas situações. Por exemplo: é muito comum questões polêmicas serem colocadas nas redes visando mapear possíveis posicionamentos (ou enquanto rede ou para subsidiar educadores que dela participam). Muitas vezes o tempo que se leva é tão grande que não se consegue identificar estas visões...Portanto, é necessário equilibrar o tempo de organização das redes (que naturalmente é mais lento) e o tempo de eventuais posicionamentos, decisões e encaminhamentos (que em geral são muito rápidos). Como fazê-lo?

Outra contradição que presencio é com relação ao princípio multiliderança vs. personalismo. Explico melhor: na teoria todos que participam da rede têm condições de serem seus líderes e facilitadores, portanto, assumirem uma posição mais pro-ativa. Na prática o que se vê é o contrário, muitas pessoas estão ali na rede, mas poucas "aparecem", e acabam sendo mais associadas à rede do que outras (que dela também participam). Não estou julgando estas situações pois eu também a vivencio, mas apenas constatando-a. Como superá-la? Como equilibrar esta participação, gerando oportunidades para que as pessoas mais caladas também se manifestem e participem mais ativamente das redes?

A questão da representação / interlocução é outro "mito" no interior das redes de EA. Se seus princípios apontam para a não possibilidade de "representação", a prática demanda este tipo de atuação. Comumente as redes são chamadas para participar de comissões, fóruns, eventos e outros espaços, onde se participa por meio de "representantes" da rede. Em muitos casos isto é um fator de conflito, em outros é algo velado. Mas como enfrentar esta questão sem ser contraditório com seus princípios?
Vejo que - independente de ser um "representante" ou "interlocutor" num determinado espaço ou evento - é preciso melhorar e muito este sistema, desde a discussão dos critérios para a definição das pessoas que farão esta função, a definição das estratégias de atuação da rede nestes espaços, até a socialização das informações na rede.
O que não concordo é que haja "cadeira cativa" nas redes, com sempre as mesmas pessoas fazendo esta "representação" em espaços diversos. Ora, se um dos critérios consensuados nas redes é sempre privilegiar e empoderar os elos locais mais próximos do espaço a ser "representado", porque não colocar isto em prática?

Uma outra contradição que vejo é com relação ao fator sustentabilidade das redes. Está mais do que claro que as redes são espaços autônomos, não vinculados a governos nem partidos, e portanto, são articulações da sociedade. É claro, que elas não estão fechadas a participação de pessoas dos mais diversos setores da sociedade (empresas, governos, ONGs, associações, etc). Então, se são espaços autônomos da sociedade, não podem ficar sempre dependendo de recursos de órgãos governamentais para sua sustentabilidade. Nada contra o governo injetar recursos públicos nas redes - aliás isto vem sendo feito nos último anos apesar das críticas (um exemplo disso é o V Fórum Brasileiro de EA - 2004 - Goiânia) - mas não concordo que os governos devam sempre ser os principais apoiadores das redes. Pergunto: onde está a tão falada estratégia de sustentabilidade das redes? Vejo aqui um limite e uma oportunidade. Por exemplo, aproveitar os diversos eventos de EA pelo país pode ser uma boa estratégia de captação de recursos para a manutenção das atividades e da gestão das redes por um período de tempo.. Infelizmente isto é pouco praticado....

Por fim, percebo que estamos vivendo um momento de ápice da expansão das Redes de EA pelo país, sendo portanto, um momento mais que oportuno de avançarmos na construção de estratégias de gestão que tornem as redes espaços mais dinâmicos, menos personalistas e mais produtivos. Não falo de tornar a rede num espaço alinhado à lógica do mundo corporativo, mas sim num espaço onde se tenha mais objetividade, efetividade e sobretudo, foco. Há muitas pessoas e mensagens que circulam diariamente nas redes que sinceramente poderiam não circular, pois não fariam nenhuma falta ao foco das Redes. Há questões pessoais, há correntes, spam, e muita redundância. Isto só deixa as redes menos atrativas, pois perde-se muito tempo para ler suas mensagens, e acompanhar seu dia a dia. Isto acaba contribuindo com a saída de muitas pessoas que poderiam colaborar e muito com estes espaços.

FInalizando, reafirmo minha crença e adesão à proposta das redes, entretanto como alguém que enxerga limites e contradições e está disposto a encontrar novos rumos e perspectivas para sua superação. Vejo a entrada de muitos educadores ambientais jovens (de idade e de tempo na EA) nas redes, e isto pode ajudar neste sentido. Afinal, as redes de EA são meio para se alavancar ações de EA ou fim em si mesmo?


publicado por fabiodeboni às 13:32
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