Política e Sustentabilidade sob um ângulo crítico
Quinta-feira, 30 de Agosto de 2007
Tendências da Educação Ambiental

Quais seriam as principais tendências atuais da Educação Ambiental? Seria possível identificá-las e debatê-las? A partir de quais critérios?

 

Penso que dialogar sobre tendências é algo bastante oportuno e necessário, pois permite-nos projetar de certa forma horizontes possíveis para a EA no presente e num futuro próximo. Obivamente nem todas as tendências se consolidam, podem acabar igual a um cavalo paraguaio. Outras não eram tão nítidas e acabam frutificando e ganhando escala..

 

Independente destas variáveis, me arrisco aqui a propor algumas tendências que vejo hoje na Educação Ambiental brasileira. Proponho 5 tendências principais:

 

1. EA como produto: está cada vez mais nítida a inserção da EA no mercado, constituindo-se numa frente de trabalho e de inserção profissional. É claro, isso acarreta ônus e bônus, que em outra oportunidade pretendo discutir.

 

2. Articulação Internacional: é crescente a interlocução entre educadores(as) ambientais de diversos países. Vejo como um marco inicial neste processo a realização da Jornada Internacional de EA, junto à Rio-92, que propiciou dentre outras coisas a materialização do Tratado de EA para Sociedades Sustetáveis e Responsabilidade Global. (CLIQUE AQUI para acessá-lo). Mais recentemente há uma importante articulação em curso, no âmbito dos países de língua portuguesa.

 

3. Inserção da Juventude: uma conquista importante foi a mobilização e a inserção de movimentos de juventude nos espaços e redes de EA. Este processo, em curso, propiciou ate então uma certa oxigenada na EA brasileira, e tem aportado inovações e também conflitos. Vejo como um marco a criação dos Coletivos Jovens (CJs) e da Rede da Juventude pelo Meio Ambiente e Sustentabilidade (REJUMA).

 

4. Consolidação de Políticas Públicas: no âmbito federal isto é mais visível, por meio da implementação da PNEA e do ProNEA. Nos âmbitos estadual e municipal, ainda há espaço para avanços, em termos de Programas e Políticas de EA, dotações orçamentárias espec+ificas, institucionalização da EA em órgãos de educação e de meio ambiente, etc.

 

5. Bases de um Sistema Nacional de EA (SISNEA): ainda em fase inicial de construção, pode contribuir para dar organicidade às diversas instâncias, organizações e espaços que atuam com EA (mais informações, CLIQUE AQUI).

 

Há certamente muitas outras tendências no campo da EA. Reuni aqui as que vejo atualmente como sendo as mais nítidas, como forma de estimular reflexões e pontos de vista distintos.

Por outro lado ainda continuo vendo uma grande lacuna no campo da EA, que é a área de Avaliação. Precisamos avançar muito neste âmbito, e comentarei a respeito em breve.

 



publicado por fabiodeboni às 22:01
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Segunda-feira, 27 de Agosto de 2007
Porque não uma disciplina?

De tempos em tempos o debate a respeito da inserção da Educação Ambiental nas escolas ser ou não por meio da criação de uma disciplina específica vem à tona. Não é um debate trivial, muito menos simples e de fácil entendimento. Há pontos de vista muito distintos e até mesmo ferrenhos.

Não pretendo aqui pregar a favor de um ou outro, mas sim levantar questões que nos ajudem a refletir a respeito de uma certa "satanização" que temos feito ao redor da EA ser uma disciplina nas escolas. Percebam o quanto isso está presente em nosso meio... Quando estamos em oficinas, eventos, seminários, etc.. e alguma pessoa faz um discurso a favor da EA ser uma disciplina.. O que acontece? Qual é a resposta ou saída mais praticada?

Alguns argumentos são, em geral, apresentados. Vamos listá-los?

1. A EA ser uma disciplina nas escolas é ilegal, pois a lei (PNEA) diz o oposto.

2. Criando uma disciplina, vamos cair numa armadilha teórica e prática, pois a EA pressupõe integração e visão sistêmica e no formato de disciplina isso não seria possível.

3. Por meio de uma disciplina, seu poder de transversalizar as outras disciplinas seria praticamente anulado.

 

Há tantos outros argumentos e contra-argumentos que certamente geram um debate intenso.

 

O que quero refletir aqui é justamente o não debate que está ocorrendo no meio. Ou seja, quando alguma pessoa, que em geral são "novos" na EA, levanta esta questão, caímos numa conversa sem lógica, quase que dogmática e esquizofrênica. A resposta que sai é algo como "não pode porque não pode".

Sinceramente sempre fui a favor de a EA não ser uma disciplina no ensino formal, mas ultimamente tenho repensado isto.

Primeiro, porque se olharmos com atenção veremos que a educação brasileira vai mal. Nossos estudantes e professores, em geral, têm dificuldades de leitura, de interpretação de textos, de escrita, etc.

Há cada vez mais demandas para a escola atender, coisas que a sociedade, a família, a religião, etc, não estão conseguindo trabalhar....Além disso, também recebem tentadoras demandas do mundo capitalista ao estilo "troque latinhas por um computador", e têm ainda por cima que dar conta do currículo.

E a EA neste meio, como fica? Será que ela tem conseguido "disputar" seu lugar ao sol com todas estas demandas? Será que a EA que temos praticado está tão atrativa assim para estudantes e professores?

Infelizmente acho que não. Na verdade estamos bem distantes disso. Projetamos uma EA muito mais arrojada em termos conceituais e práticos que a escola pode introjetar. Esta crise não seria uma oportunidade para repensarmos a questão da disciplina de EA ? Continuo não achando que ela será a salvação da lavoura, mas ela também não pode continuar sendo vista como algo que "não pode de jeito nenhum".

 

Penso que este debate deveria ser retomado, com muita serenidade e capacidade de levantarmos reais argumentos que nos sinalizem caminhos e possibilidades de, cada vez mais, melhorarmos a qualidade da EA exercida nas escolas e fora delas...Se este incremento passa por uma disciplina (num dado momento, contexto, realidade e circunstância), não vejo porque continuarmos crucificando-a como se fosse todos os tabus que tanto combatemos como educadores(as) ambientais.



publicado por fabiodeboni às 23:09
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Quinta-feira, 23 de Agosto de 2007
Agenda 21: afinal, o que é isso mesmo?

Colaboro com a Revista Mundo Jovem, da PUC - RS, e de tempos em tempos escrevo textos sobre questões socioambientais.

O último texto publicado tratou da Agenda 21, e saiu na edição número 380, de setembro de 2007....

 http://www.mundojovem.pucrs.br/jornais-09-2007.php

 

 

Transcrevo aqui o texto lá publicado....A linguagem é simples e direta, como forma de que mais e mais jovens possam captar o espírito da coisa e engajar-se a partir daí....

 

abraços e boa leitura!

 

-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.

 
            Assim como se fala cada vez mais na questão ambiental (e degrada-se cada vez mais o planeta) muitos termos, jargões e expressões relacionados a esta área também estão bastante presentes no nosso dia a dia. Há diversas palavras que “pegaram” e que acabaram sendo bem disseminadas na sociedade brasileira. Um pequeno exemplo disso são expressões como Desenvolvimento Sustentável, Agenda 21, Eco-92 ou Rio-92, Educação Ambiental, Bacias Hidrográficas, e tantas outras. Todas elas trazem consigo um universo de conceitos, temas e questões relacionadas, e merecem ser devidamente compreendidas e analisadas.
            No caso da Agenda 21, nota-se que a expressão vem sendo cada vez mais disseminada na sociedade, tornando-se mais popular e presente em nosso dia a dia. Porém, percebe-se que a maioria das pessoas ainda não compreende o que esta expressão realmente significa.
            É a partir desta percepção que este texto foi elaborado, procurando apresentar de forma simples e didática as origens e o significado do termo Agenda 21, tendo em vista o que ele tem (ou pode ter) a ver com nosso dia a dia.
 
            Entendendo melhor a proposta da Agenda 21
           
            A idéia básica da Agenda 21 remete a duas coisas complementares e importantes: uma tem a ver com uma agenda de compromissos a serem assumidos para o enfrentamento dos problemas socioambientais atuais, e outra tem a ver com uma metodologia de planejamento de ações que tornarão possíveis enfrentar estes problemas.
            Vamos entender melhor isso. A primeira questão diz respeito a um conjunto de compromissos que diversos países e setores da sociedade devem assumir para enfrentarem os problemas socioambientais atuais. Aqui já se percebe um princípio básico da Agenda 21, que é a necessidade de envolvimento dos mais variados países e setores nesta luta. Trata-se portanto, de um sentido coletivo às ações, envolvendo governos, empresas, sindicatos, associações, ONGs, universidades, escolas, etc. Entende-se que isoladamente cada um destes setores terá muita dificuldade para enfrentar estes problemas, e portanto, devem atuar de forma articulada e coordenada.
            A segunda questão – da metodologia de planejamento – tem a ver com a forma como estas parcerias vão sendo construídas e como estes coletivos que vão se organizando (em fóruns) para irem estabelecendo de forma conjunta e participativa um plano de ação, também conhecido como Plano Local de Desenvolvimento Sustentável (onde constam questões como: que problemas precisam ser enfrentados, de que forma, quem faz o quê e quando, formas de avaliação, etc).
 
 
            Níveis da Agenda 21
 
            Entendidos os propósitos da Agenda 21, é importante conhecermos os diferentes níveis previstos para que estes planos locais em direção à sustentabilidade se tornem realidade. Quando falamos de Agenda 21, podemos identificar pelo menos 3 níveis:
  •        Agenda 21 Global
  •        Agenda 21 Nacional
  •        Agenda 21 Local
            Há certamente variações destas três Agendas, como as agendas 21 nas escolas, as agendas 21 pessoais e as setoriais. Há interpretações diferenciadas a respeito destas outras agendas – em alguns casos elas são consideradas como Agendas Locais, em outros não. Independente disso, é importante percebermos o princípio que está por trás destes diferentes níveis.
            No primeiro – Agenda 21 Global – estamos falando de um entendimento entre países, registrado num documento assinado por diversos países durante a Rio-92, no qual são definidas responsabilidades, diretrizes e temas a serem impulsionados por cada um. Para que este conjunto de compromissos e intenções se tornem realidade, é fundamental que cada país elabore a sua Agenda 21 Nacional, reunindo e detalhando seus problemas, temas e diretrizes de ação que estejam sintonizados com suas realidades.
            Portanto, a Agenda 21 Nacional seria uma espécie de “lição de casa” que cada país deve fazer para detalhar a Agenda 21 Global, de forma participativa e envolvendo os diversos setores da sociedade de modo a se comprometerem não só com a elaboração do documento, mas também com a sua implementação.
            E para que esta Agenda Nacional se torne realidade, é fundamental que cada região, estado, município, bairro seja incentivado a fazer o mesmo processo, ou seja, identificar e detalhar os problemas, temas e ações a serem realizadas para que esta localidade caminhe a passos mais sólidos em direção à sustentabilidade.
 
            A tão falada sustentabilidade....
 
            Como vimos, o objetivo central da Agenda 21 é o de fazer as pessoas e setores da sociedade trabalharem de forma conjunta e participativa para traçarem caminhos que conduzam a humanidade à sustentabilidade (local e global) em suas múltiplas dimensões. O termo “sustentabilidade” dá margem a muitas interpretações e conflitos, portanto, é importante qualificá-lo. Estamos falando de sustentabilidade social, ambiental, política ética, cultural e econômica – dimensões estas que trazem um conjunto de significados próprios. Portanto, é óbvio que se trata de um trabalho complexo e de difícil realização. Isto, no entanto, não pode torná-lo algo distante e inacessível de cada um de nós – seres humanos – que habitamos este planeta. Esta idéia da Agenda 21 nos convida a pensar e a fazer a “nossa parte” para com o planeta (e o local onde vivemos), mas vai além. Ela nos provoca a perceber que as responsabilidades são de todos e todas, mas em diferentes níveis e pesos para cada um dos habitantes do planeta (pessoas e setores). Portanto, sabemos que todos serão responsáveis por “pagar esta conta”, mas alguns arcarão com uma despesa maior do que a de outros. Qual seria o tamanho da conta que você pagaria? Vamos refletir a respeito? Que tal começarmos a agir?
 
 
Vá além!
www.mma.gov.br/agenda21
www.mma.gov.br/estruturas/agenda21/_arquivos/carta_terra.doc
http://www.comitepaz.org.br/carta_da_terra.htm
 
A Carta da Terra é um documento de referência para a Agenda 21 e para a questão ambiental de uma forma geral, no Brasil e no mundo. Ela traz diversos princípios que nos orientam a viver de uma forma mais sustentável. Para asssitir ao vídeo de apresentação da Carta da Terra:
  1. Acesse a página do You Tube: www.youtube.com
  2. Digite as palavras “Carta+Terra” no campo de buscas (search)
  3. Os três primeiros resultados serão as partes 1, 2 e 3 do vídeo.
 
 

 



publicado por fabiodeboni às 20:24
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Terça-feira, 21 de Agosto de 2007
Conferência de Juventude vem aí....

Será lançada em Brasília no dia 5 de setembro a I Conferência Nacional de Juventude, uma realização da Secretaria Nacional de Juventude em articulação com o CONJUVE e outras organizações.

Ao que tudo indica, ela será um grande balão de ensaio para inovações metodológicas, o que nos aponta para boas perspectivas.

Ao invés de se organizar uma Conferência de Juventude nos moldes clássicos, está se buscando inovar, abrir espaço para outros grupos e jovens "não-organizados"...

Penso que de todas as diversas conferências já realizadas e em curso, esta pode ser a que mais inova em seu caráter político e pedagógico.

Resta saber se a sua proposta será incorporada e implementada e se dará "ibope". Resta saber se os movimentos estudantis e juventudes partidárias vão embarcar neste novo formato, que dilui as disputas por vagas de delegados e privilegia o diálogo e os micro-locais.

Por outro lado resta saber se os movimentos de juventudes vão "cair para dentro" deste processo, o que, a meu ver, seria não só um termômetro de adesão, mas especialmente uma oportunidade de ampliar a cara desta juventude.

É preciso sim mostrar que há outras formas de as juventudes se organizarem: outras bandeiras, novos princípios e novas formas de organização mais "pós-modernas", digamos...

Penso que estamos vivendo um momento de transição, de emergência de novos paradigmas. Resta saber, como diz Caetano, se o "novo dará lugar ao mais novo", sem menosprezar a importância histórica do "novo" e do "tradicional".



publicado por fabiodeboni às 12:53
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Sexta-feira, 17 de Agosto de 2007
Mais um pouco de QUINO...

Pra inspirar nosso fim de semana, coloco na roda mais um pouco do QUINO, um desenhista argentino autor da Mafalda bastante crítico e pertinente nas suas abordagens...

 

Utilizamos na formação em Angola alguns desenhos do QUINO e foi uma atividade pedagógica muito interessante. Gera discussões e reflexões profundas.....

 

 

 

 

 

 

 

Bom final de semana........

 

 

 



publicado por fabiodeboni às 00:49
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Quinta-feira, 16 de Agosto de 2007
Um paralelo entre Angola e Brasil
Seguindo ainda na socialização de impressões sobre Angola, trago aqui algumas reflexões a respeito das diferenças de concepção entre brasileiros e angolanos a respeito de conceitos relativos à Educação Ambiental...

Pra começar, desmembro a EA em dois, e inicio pela compreensão de Educação. Aqui já começa uma diferença de fundo importante.
Se aqui no Brasil muitos educadores ambientais têm optado por atuar a partir de perspectivas críticas e emancipatórias, dialogando diretamente com Paulo Freire (e muitos outros educadores), em Angola o quadro é bem distinto. Trocando em miúdos:
- a visão deles de Educação é mais voltada ao que Paulo Freire chama de "Educação Bancária". Prezam muito pelo conteúdo e informação e preferem o famoso "cuspe e giz". Ou seja, aulas expositivas, palestras e pouco debate, reflexão, dinâmicas, e metodologias "alternativas".
E como "Educação" não é algo neutro, é claro que há uma relação direta com a questão política do país. Aí temos um quadro muito distinto do brasileiro, e merecerá um outro texto que farei em breve....

A outra "perna" da EA traz a compreensão de "Meio Ambiente", pra nós, e pra eles "Ambiente".
Pelo pouco que vimos, há uma compreensão de "ambiente" mais biofísica e utilitarista e menos socioambiental. Consideram o ser humano como parte do ambiente, mas a incorporação das questões éticas, sociais e políticas é algo mais complicado de encaixar.
Penso que contribuímos de certa forma aí, quando trabalhamos fortemente concepções de EA mais socio-políticas e menos naturalistas, e sinto que essa idéia foi bem recebida por lá...

Há ainda a questão da guerra civil que assolou Angola por mais de 30 anos. O momento "pós-guerra" gera diversas perspectivas e sentimentos que nós, brasileiros, não temos como captar e compreender de verdade. Tudo isso tem reflexos diretos nesta compreensão sobre "ambiente" e sobre o papel da EA nesta história, bem como em todo o processo que Angola vive de forte entrada de capital externo, especialmente da China (algo extremamente preocupante!).

Vive-se por lá um processo nítido de reconstrução do país (estradas, prédios, hidrelétricas, etc) que obviamente gera diversos impactos socioambientais. FIquei com uma impreesão no ar de que estes impactos são secundários, e que o central é retomar o tempo perdido e "desenvolver" o país. Neste aspecto o pano de fundo não é muito distinto do nosso, apesar de termos um processo de controle e gestão ambiental bem mais incrementado do que lá...

Comparações à parte, ficam aqui as impressões e reflexões sobre este belíssimo país que é Angola, saudades deste povo lindo, hospitaleiro e alegre e uma certeza: Brasil e Angola são povos irmãos...


publicado por fabiodeboni às 15:51
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Terça-feira, 14 de Agosto de 2007
Pautando a EA na juventude...
Reúno aqui algumas fotos que ilustram um pouco do processo de articulação dos Coletivos Jovens e do trabalho junto à área de Juventude e Meio Ambiente.
Para além de recordar estes bons momentos de muito trabalho e inspiração, meu objetivo aqui é também o de trazer algumas questões importantes para refletirmos conjuntamente...

Olhando nas fotos é possível reconhecer diversas pessoas que passaram por esta caminhada...Muitas delas seguem esta trilha, diversas outras a deixaram, mas seguem atuando com Educação Ambiental (em outros espaços) e tantas outras rumaram para outros horizontes..
De todas elas, será que este processo contribuiu para transformar algo nestas pessoas? Será que os objetivos projetados para este processo foram alcançados?

Foto 1:  I Encontro da Juventude pelo Meio Ambiente - Luziânia - GO - setembro de 2003.
(Primeiro encontro nacional de CJs - início do processo de organização da I Conferência Infanto-Juvenil pelo Meio Ambiente. Início da articulação da REJUMA. Na ocasião os CJs ainda eram Conselhos Jovens)....


Foto 2: Seminário de Formadores I - agosto de 2004 - Luziânia - GO
(Quando foi trabalhada a proposta das Com-vidas junto aos CJs)
 

Foto 3: II Encontro da Juventude pelo Meio Ambiente - Luziânia - GO - setembro de 2005.
(Início do processo de formação temática dos CJs)


Particularmente enxergo que abrimos um espaço importante para a juventude se inserir no campo da Educação Ambiental... É claro que cabem muitas questões, como por exemplo:
- qual juventude está envolvida nesse processo?
- como ampliar o envolvimento de outros jovens e organizações de juventude?
- como sair do gueto e atingir jovens "não-convertidos" à causa ambiental?
- como interiorizar este movimento?

Enfim, são muitas as questões que tenho feito (comigo mesmo) e que muitas pessoas também têm feito, o que contribui para enriquecer esta reflexão e ajudar a dar novos rumos ao processo.
Não tenho a pretensão de dar qualquer resposta às questões, entretanto sabermos formular as questões pertinentes nos ajudará a refletir quais os rumos a serem seguidos daqui pra frente...


publicado por fabiodeboni às 13:40
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Segunda-feira, 13 de Agosto de 2007
Educação Ambiental fast-food

Vivemos num mundo cada vez mais fast food, onde o tempo é money e 24 horas não são mais suficientes para darmos conta de tanta coisa. Uma destas coisas é o excesso de informação que lidamos a cada instante, pelas várias mídias, portas e meios (TV, rádio, internet, publicidades....). Basta reparar com mais atenção que notaremos a correria do mundo contemporâneo.

Na nossa área de atuação – a Educação Ambiental – não é muito diferente, apesar de freqüentemente enxermos o peito para discursar o contrário. Pregamos uma vida com mais qualidade, felicidade, solidariedade, e muitos outros valores que consideramos essenciais. No entanto, quase que diariamente, adotamos práticas que são bastante contraditórias com o que pregamos: trabalhamos muito, estamos sempre correndo de reunião em reunião, queremos abraçar o mundo, almoçamos correndo e sempre trabalhando, não nos resta tempo para o esporte, o lazer e tantas outras coisas importantes para uma vida com qualidade. Muitos(as) educadores(as) enfrentam problemas com suas(seus) companheiras(os) pelo excesso de tempo dedicado à EA em detrimento à relação conjugal e familiar. Só pra citar alguns casos que facilmente vivenciamos no nosso meio.

Mas afinal, onde está o nosso testemunho? Onde temos falhado neste sentido? É no mínimo algo para pensarmos e buscarmos corrigir....

Talvez a nossa vontade utópica de mudar o mundo nos faz não refletir a respeito da nossa própria vida pessoal e familiar, vida além do trabalho e além da EA...Enfim, viver a vida em sua plenitude. Será que é tão difícil assim? Será que a nossa sina, como educadores ambientais, é viver correndo contra o tempo, deixando a tão pregada qualidade de vida para segundo plano? Não é possível vivermos plenamente a EA mas de uma forma mais tranqüila e coerente com o que pregamos?

Como será possível construirmos qualidade de vida à toda sociedade se mal conseguimos organizar nossas próprias vidas (pessoal, familiar, conjugal, esportiva, cultural, social, etc)???

Enfim, contradições do nosso tempo...



publicado por fabiodeboni às 18:24
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Quinta-feira, 9 de Agosto de 2007
Imagens de Angola

Pra ajudar a ilustrar um pouco o que foi a experiência em Angola, publico aqui algumas fotos interessantes...

 

Foto 1: Árvore típica de Angola, o embondeiro (um parente do baobá), fim de tarde, inverno angolano....Província do Bengo (cerca de 70 km de Luanda)

 

Foto 2: Trânsito (caótico) nas ruas de Luanda...Fácil perceber a presença do comércio "informal" e dos candongueiros (as Vans azuis).

 

Foto 3: Resquícios da Guerra. "Sucata" de um tanque de guerra em bairro da cidade de Caxito - capital da província do Bengo (70 km de Luanda).

 

Foto 4: Mesa de Abertura da Formação de Formadores em EA (17 de julho de 2007). Presentes na mesa: Embaixador do Brasil em Angola, Vice-ministros do Ambiente, da Educação e da Comunicação Social, e outras autoridades locais.

 

Foto 5: Brava equipe brasileira

(da esquerda para a direita: Zé Vicente, Renata, Júlio Rocha, Soraia, Heitor, Jane). (falta o autor da foto - eu).

 

Foto 6: Alguns participantes da formação trabalhando em grupo. Atividade de consulta pública ao PECA (Programa de Educação e Conscientização Ambiental, o "ProNEA" de Angola)

 

 

Foto 7: Alguns participantes e formadores em atividade de campo (passeio a Barra do rio Kwanza).

 

 

Pouco a pouco vou publicando mais fotos para ilustrar nossas atividades em Angola....

 



publicado por fabiodeboni às 00:09
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Segunda-feira, 6 de Agosto de 2007
Missão a Angola - Alguns Aprendizados
Estive ausente do mundo virtual por três semanas, acessando a internet algumas poucas vezes neste período mas de maneira pontual e muito lenta.
Estava em Luanda, capital de Angola, integrando uma equipe brasileira de 7 técnicos atuando no âmbito do Acordo de Cooperação Técnica de "Fortalecimento da Educação Ambiental em Angola".
Foi uma experiência magnifíca, muito rica de aprendizados e troca de experiências entre brasileiros e angolanos.
A começar pela língua portuguesa, pois para os demais países que falam português, nós brasileiros falamos "brasileiro" e não "português". De fato, há muitas palavras, expressões e pronúncias diferentes do nosso português, e como eles têm acesso a TV (Globo e Record internacionais), levam vantagem nesta comunicação pois aprendem nossas gírias, falas, trejeitos...
Há outras diferenças, que passam por questões alimentares, horários, hábitos culturais, políticas, etc... Angola é um país em franco processo de reconstrução nacional, após 30 anos de guerra civil, terminada em 2002...Portanto, o país é um canteiro de obras, com estradas, prédios e intra-estruturas sendo refeitas.
Portanto, se comparado à realidade brasileira (de país de terceiro mundo), podemos considerar que Angola poderia ser considerada um "quarto mundo", sem nenhum demérito ou crítica a este maravilhoso país.. Coloco isso apenas como instrumento didático para quem lê este blog...Fica a certeza no ar que será um outro país daqui a 10 anos....
Na área de Educação Ambiental, este acordo de cooperação está colaborando na elaboração de um Programa Nacional de EA para lá, no caso chamado de PECA - Programa de Educação e Conscientização Ambiental (lá, a palavra usada é "Consciencialização")....Ele encontra-se numa versão quase final, e será implementada nas 18 províncias angolanas (o equivalente aos nossos estados)...
Tivemos contato com técnicos das áreas de meio ambiente, e de educação de 14 das 18 províncias, além de representantes de ONGs e outros órgãos de Luanda (capital)...
Foi uma experiência muito rica, de aprendizados mútuos e de contribuição brasileira na construção de uma concepção mais "sócio-política" de Educação Ambiental....Creio que este foi um dos principais ganhos desta cooperação, e certamente trará inúmeros desdobramentos interessantes como Encontros Nacionals e Provinciais de EA, Boletins, Redes. etc...

Em breve colocarei algumas fotos de Angola para ilustrar este e outros relatos que virão....

é bom estar de volta!


publicado por fabiodeboni às 18:11
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