Política e Sustentabilidade sob um ângulo crítico
Quarta-feira, 30 de Abril de 2008
Prioridades da Conferência Nacional de Juventude

Foram definidas nesta 3a feira, após a realização do chamado "Momento Interativo", as 24 propostas prioritárias que receberam mais "votos" dos delegados(as) que participam dos debates da Conferência Nacional de Juventude...

As 24 propostas estão sendo discutidas em plenária nesta 3a e 4a feira, conforme regimento interno, da seguinte forma:

. da 1a a 18 a proposta estão automaticamente aprovadas

. da 19a a 24a: serão discutidas e vão gerar apenas 3 propostas, que somadas com as anteriores resultarão nas 21 Prioridades da Conferência Nacional....

 

Publico aqui as 18 propostas prioritárias que já estão aprovadas pelo Momento Interativo, que aliás, se mostrou uma excelente metodologia de priorização de propostas: dinâmica, democrática e rápida...

 

Eis as 18 propostas prioritárias... Não teria como não destacar que o tema "Meio Ambiente" foi contemplado na 4a colocação, com uma proposta, a meu ver, importante....Mais uma vitória do emergente movimento de juventude pelo meio ambiente....

 

 

Tema

Proposta

Votos

1

Jovens negros e negras

1 - Reconhecimento e aplicação, pelo poder público, transformando em políticas públicas de juventude as resoluções do 1º Encontro Nacional de Juventude Negra (ENJUNE), priorizando as mesmas como diretrizes étnico/raciais de/para/com as juventudes.

634

2

Educação básica – elevação da escolaridade

2 - Destinar parte da verba da educação no ensino básico para o modelo integral e pedagógico do CIEP’s ( Centros In­tegrados de Educação Pública).

547

3

Fortalecimento institucional

1 - Aprovação pelo Congresso Nacional do marco legal da juventude: regime de urgência da PEC n.º 138-B/2003, Plano Nacional de Juventude e  Estatuto dos Direitos da Juventude PL 27/2007.

531

4

Meio Ambiente

1 - Criar uma política nacional de juventude e meio ambiente que inclua o “Programa Nacional de Juventude e Meio Ambiente”, institucionalizado em PPA (Plano Plurianual), com a participação dos jovens nos processos de construção, execução, avaliação e decisão, bem como da Agenda 21 da Juventude que fortaleça os movimentos juvenis no enfrentamento da grave crise ambiental global e planetária, com a construção de sociedades sustentáveis.

521

5

Esporte

1. Ampliar e qualificar os programas e projetos de esporte, em todas as esferas públicas, enquanto políticas de Estado, tais como os programas Esporte e Lazer da Cidade, Bolsa Atleta e Segundo Tempo com núcleos nas escolas, universidades e comunidades, democratizando o acesso ao esporte e ao lazer a jovens, articulados com outros programas existentes.

520

6

Juventude do campo

1 - Acesso a Terra e Reforma Agrária

Garantir o acesso à terra ao jovem e à jovem rural, na faixa etária de 16 a 32 anos, independente do estado civil, por meio da reforma agrária, priorizando este segmento nas metas do Programa de Reforma Agrária do Governo Federal, atendendo a sua diversidade de identidades sociais, e, em especial aos remanescentes de trabalho escravo. É fundamental a revisão dos índices de produtividade e o estabelecimento do limite da propriedade para 35 módulos fiscais.

515

7

Trabalho

1 - Reduzir a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais sem redução de salários, conforme campanha nacional unificada promovida pelas centrais sindicais.

471

8

Educação Superior

2 – FINANCIAMENTO

Defendemos que a ampliação do investimento em educação é fator imprescindível para construirmos uma educação de qualidade para todos e todas e que consiga contribuir para o desenvolvimento do País. Para tanto, defendemos o investimento de 10% do PIB em educação. Para atingir este percentual reivindicamos o fim da desvinculação das receitas da união (DRU) e a derrubada dos vetos ao PNE (Plano Nacional de Educação). Reivindicamos que 14% dos recursos destinado as universidades federais seja destinado exclusivamente à assistência estudantil por meio da criação de uma rubrica específica. Defendemos também a ampliação dos recursos em assistência estudantil para estudantes do PROUNI e para estudantes de baixa renda de universidades privadas. Garantir a transparência e democracia na aplicação dos recursos.

455

9

Cultura

2 - Criação, em todos os municípios, de espaços culturais públicos, descentralizados, com gestão compartilhada e financiamento direto do estado, que atendam às especificidades dos jovens e que tenham programação permanente e de qualidade. Os espaços, sejam eles construções novas, desapropriações de imóveis desocupados ou organizações da sociedade civil já estabelecidas, devem ter condições de abrigar as mais diversas manifestações artísticas e culturais, possibilitando o aprendizado, a fruição e a apresentação da produção cultural da juventude. Reconhecer e incentivar o hip hop como manifestação cultural e artística.

453

10

Política e Participação

1 - Criar o Sistema Nacional de Juventude, composto por Órgãos de Juventude (Secretarias/coordenadorias e outros) nas três esferas do Governo, com dotação orçamentária específica; Conselhos de Juventude eleitos democraticamente, com caráter deliberativo, com a garantia de recursos financeiros, físicos e humanos; Fundos Nacional, estaduais e municipais de Juventude, com acompanhamento e controle social, ficando condicionado o repasse de verbas federais de programas de projetos de juventude à adesão dos estados e municípios a esse Sistema.

428

11

 

Jovens mulheres

1 - Implementar políticas públicas de promoção dos direitos sexuais e direitos reprodutivos das jovens mulheres, garantindo mecanismos  que evitem  mortes maternas, aplicando a lei de planejamento familiar, garantindo o acesso a métodos contraceptivos e a legalização do aborto.

378

12

Segurança

 Contra a redução da maioridade penal, pela aplicação efetiva do Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA.  (Agrupamento de redações)

(GT 1, 4, 11 e 22)

365

13

Política e participação

4. Garantir uma ampla reforma política que, além do financiamento público de campanha, assegure a participação massiva da Juventude nos partidos políticos, com garantia de cota mínima de 15% para jovens de 18 a 29 anos nas coligações, com respeito ao recorte étnico-racial e garantindo a paridade de gênero; Mudança na faixa-etária da elegibilidade garantindo como idade mínima de 18 anos para vereador, prefeito, deputados estaduais, distritais e federais e 27 anos para senador, governador e presidente da República.

360

14

Outros temas

Fim da obrigatoriedade do serviço militar, e criação de programas alternativos de serviços sociais não obrigatórios. (GT 5)

336

15

Fortalecimento institucional

3 - criar o Sistema Nacional de Políticas Públicas de Juventude que confira status de Ministério à Secretaria Nacional de Juventude, exigindo que a adesão de estados e municípios seja condicionada à existência de órgão gestor específico e respectivo conselho de juventude. A partir de dezembro de 2009, os recursos do Fundo Nacional de Juventude, do ProJovem e demais programas de juventude, apenas continuarão a ser repassados aos estados e municípios que aderirem ao Sistema.

313

16

Povos e comunidades tradicionais

1 - Assegurar os direitos dos povos e comunidades tradicionais (quilombolas, indígenas, ciganos, comunidades de terreiros, pescadores artesanais, caiçaras, faxinalenses, pomeranos, pantaneiros, quebradeiras de coco babaçu, caboclos, mestiços, agroextrativistas, seringueiros, fundos de pasto, dentre outros que buscam ser reconhecidos), em especial da juventude, preservando suas culturas, línguas e costumes, combatendo todas as práticas exploratórias e discriminatórias quanto a seus territórios, integrantes, saberes, práticas culturais e religiosas tradicionais.

303

17

Cultura

4 - Estabelecimento de políticas públicas culturais permanentes direcionadas à juventude, tendo ética, estética e economia como pilares, em gestão compartilhada com a sociedade civil, a exemplo dos Pontos de Cultura, que possibilitem o acesso a recursos de maneira desburocratizada, levando em consideração a diversidade cultural de cada região e o diálogo intergeracional. Criação de um mecanismo específico de apoio e incentivo financeiro aos jovens (bolsas) para formação e capacitação como artistas, animadores e agentes culturais multiplicadores.

283

18

Cidadania GLBT

3 - Incentivar e garantir a SENASP/MJ a incluir em todas as esferas dos cursos de formação dos operadores/as de segurança pública e privada em nível nacional, estadual e municipal no atendimento e abordagem e no aprendizado ao respeito à livre orientação afetivo-sexual e de identidade de gênero com ampliação do DECRADI – Delegacia de Crimes Raciais e Intolerância.

280

 

Para acompanhar a Conferência, é só CLICAR AQUI.



publicado por fabiodeboni às 00:05
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Domingo, 27 de Abril de 2008
Início da Conferência Nacional de Juventude

Iniciou hoje a Conferência Nacional de Politicas Públicas de Juventude com uma mesa de abertura repleta de ministros e autoridades.

Uma busca rápida nas notícias do google permite ao leitor encontrar reportagens da mídia sobre a Conferência...

Como ambientalista que sou, não poderia deixar de apontar algumas reflexões acerca das estratégia que considero relevantes para o diálogo e a articulação entre a juventude ambientalista e outros segmentos.

A meu ver, vejo ser estratégico uma maior aproximação da juventude ambientalista com 3 segmentos:

1. GLBT

2. Juventude do Campo

3. Povos e Comunidades Tradicionais

Os dois últimos vivenciam "na pele" a questão ambiental no seu cotidiano, e isto se reflete nas propostas elaboradas e disponíveis no Caderno de Propostas. Já o primeiro segmento, a meu ver, tem mais sensibilidade para perceber o tema e, por isso, poderia se constituir num importante aliado...

Ficam aí as reflexões, que, inclusive, já foram ventiladas pela Conferência....Se elas forem úteis de alguma forma e contribuírem para incrementar a articulação entre estas juventudes, está de bom tamanho...

Por fim, disponibilizo uma foto da Marina Silva no seu discurso de abertura da Conferência... Quem quiser saber mais, CLIQUE AQUI.

 

Aliás, nunca é demais lembrar que o tema "Meio Ambiente" foi o sexto no ranking geral das propostas da Conferência Nacional....Se considerarmos que há 4 ou 5 cinco anos atrás este tema era considerado como sendo "Outros" é inegável o avanço e merece ser comemorado.

É evidente que ele foi reflexo de uma série de ações e esforços, de muitas mãos e coletivos, mas sem dúvida ele passa pelas políticas implementadas pelo MMA e MEC (via Órgão Gestor da Política Nacional de Educação Ambiental) desde 2003, com as edições da Conferência Nacional Infanto-Juvenil pelo Meio Ambiente, com a criação dos Coletivos Jovens de Meio Ambiente, da REJUMA, do Programa "Juventude e Meio Ambiente", etc...

Se a Conferência Nacional de Juventude apontar dentre as 21 propostas prioritárias (que serão definidas na 4a feira) alguma proposta de Meio Ambiente, seria extremamente relevante do ponto de vista político e simbólico ao emergente movimento de juventude pelo meio ambiente no país....

 

quem sabe.....os próximos dias dirão....



publicado por fabiodeboni às 23:44
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Sexta-feira, 25 de Abril de 2008
Cartoons "verdes" premiados

Muito interessante a iniciativa do 1o Salão Internacional de Humor pela Floresta Amazônica, promovido pelo site BrazilCartoon (CLIQUE AQUI) em 2007.

Reproduzo aqui os 7 desenhos premiados...

 

 

 

 

 

 

 

 

O interessante é perceber como estas imagens podem gerar debates interessantes sobre a questão amazônica, desmatamento, desenvolvimento, etc. Um prato cheio para atividades de Educação Ambiental, especialmente com públicos de certa forma "ariscos" à leitura e a reflexões muito densas e acadêmicas...É evidente que muitas outras questões poderiam ser abordadas nos desenhos, e quem sabe nas próximas edições do Salão isto não aconteça....

De qualquer forma fica o elogio à iniciativa, que certamente contribui com a Educação Ambiental....



publicado por fabiodeboni às 23:27
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A mídia descobriu a Amazônia

Hoje pela manhã o Bom Dia Brasil transmitiu uma reportagem sobre a Amazônia, de uma "missão" de Mirian Leitão à região de Paragominas...

CLIQUE AQUI para saber mais...

 

Mas porque será que a mídia passou a dar mais atenção à Amazônia? Seria um reflexo da onda do Aquecimento Global?

 

O interessante é que nos noticiários circulam reportagens sobre o aumento do preço do arroz, a crise da reserva indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, o desmatamento da Amazônia, além é claro, do caso Isabella...

Veja como há links entre algumas destas pautas, apesar da mídia apresentá-la de forma separada: o aumento do preço do arroz e a reserva indígena em Roraima...

É só lembrar que a disputa lá se dá entre arrozeiros (produtores de arroz) e indígenas, ou seja, "A favor" e "Contra" o tal "desenvolvimento", nestes termos usado como sinônimo de "Progresso"...Pra ser mais direto, a questão poderia ser assim escrita: o preço do arroz está subindo, então é preciso aumentar a área plantada, mas um bando de inígenas em Roraima ficam impedindo o desenvolvimento local, e o aumento do plantio de arroz...

 



publicado por fabiodeboni às 11:46
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Quinta-feira, 24 de Abril de 2008
Cerco às ONGs na Amazônia

O Estado de SP desta 5a feira traz uma reportagem sobre uma nova proposta do Governo Federal de aumentar o cerco às ONGs internacionais que atuam na Amazônia. CLIQUE AQUI para conferir.

 

Algumas observações sobre o tema:

1. É legítimo o controle sobre as atividades internacionais na Amazônia, da mesma forma que é fundamental aumentar a presença do Estado na região...Não é à toa que a Amazônia é popularmente chamada de "Terra sem lei", especialmente algumas de suas regiões.

2. Será que todas as ONGs (nacionais e internacionais) podem ser colocadas no mesmo "balaio"? E será que todas as internacionais fazem espionagem e defendem interesses externos?

3. Conheço pessoas que trabalham em ONGs internacionais que atuam aqui no Brasil e, pelo que sei, há inclusive muita divergência interna (entre visões do Brasil e da "sede" da ONG). Ou seja, não se trata de uma filial, ao estilo franquia, que reproduz tudo nos mínimos detalhes conforme orientações da matriz. Muitas destas ONGs empregam "seres pensantes", profissionais competentes e que dão seu tom na atuação das ações da ONG, muitas vezes contra o pensamento da matriz...

 

Por fim, não podemos deixar de analisar este tema sob a onda das CPI das ONGs. Há uma tentativa de cercar cada vez mais a atuação das ONGs no Brasil, pois há fortes indícios de desvios de recursos em ONGs de fachada.

E como em toda área ou ramo de atividade, há sempre os "bons" e os "maus" profissionais, e estes últimos acabam fazendo a fama de toda a área.



publicado por fabiodeboni às 11:47
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Quarta-feira, 23 de Abril de 2008
Contagem regressiva para a Conferência de Juventude

Começa neste domingo a etapa final da 1a Conferência Nacional de Políticas Públicas de Juventude....

Estive envolvido na organização do processo de mais esta conferência, e nesta reta final atuei na sistematização das propostas....

Algumas observações são relevantes neste momento:

1. Considero que houve um rearranjo entre os temas discutidos ao longo da conferência. Este é o ranking geral de propostas por temas que vai constar no Caderno de Propostas a ser debatido na Conferência:

 

1 Educação
2 Trabalho
3 Cultura
4 Sexualidade e Saúde
5 Participação Política
6 Meio Ambiente
7 Segurança e Direitos Humanos
8 Diversidade e Políticas Afirmativas
9 Tempo Livre, Esporte e Lazer
10 Fortalecimento Institucional 
11 Mídia, Comunicação e TI
12 Drogas
13 Cidades
14 Família
15 Campo
16 Povos e Comunidades Tradicionais 

2. É interessante perceber que, embora nos três primeiros temas tenham permanecido as questões mais tradicionais (educação, trabalho e cultura), temas mais novos vão ganhando espaço no conjunto dos debates... Neste sentido, não teria como não destacar o tema "Meio Ambiente", que aparece em sexto lugar.

3. Esta evolução é bastante recente. Se voltarmos no tempo, mais especificamente em 2004, ano da publicação do Relatório Final do Projeto Juventude, veremos que o tema "Meio Ambiente" aparecia no campo dos "Outros"...

4. E quais seriam as causas que contribuíram para reverter este quadro?

Sem dúvida, elas passam por ações como as duas edições da Conferência Nacional Infanto-Juvenil pelo Meio Ambiente (2003 e 2005/06), pela criação e fortalecimento dos Coletivos Jovens de Meio Ambiente (CJs), pela articulação da Rede da Juventude pelo Meio Ambiente e Sustentabilidade (REJUMA), e tantas outras articulações e acontecimentos.

 

E como as diversas juventudes estão se preparando para a conferência? Tenho visto articulações em curso, diálogos, conversas e negociações...Cada qual com sua forma de organização....

O interessante será perceber como estas diferenças vão se expressar durante a Conferência, sem atropelar-se ou desqualificar-se entre si....Vejo aí um risco e uma oportunidade - a de estas "tribos" romperem barreiras e melhorarem o diálogo entre si, para além de conversas oportunistas e momentâneas em torno de eleição de delegados e outros acordos, a meu ver, menores...

 

O palco está sendo montado e a expectativa é grande. Afinal, será a celebração de um processo de mobilização de cerca de 380 mil pessoas, em todo o país.

Por fim, vale sempre lembrar que uma Conferência é diferente de um Congresso ou Festival...Afinal, delegações foram eleitas para quê mesmo?



publicado por fabiodeboni às 13:49
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Sábado, 19 de Abril de 2008
A questão energética em pauta

Foi publicada uma interessante reportagem no site da Carta Capital sobre o debate da questão energética no Brasil....

Fica a dica da leitura....CLIQUE AQUI.

Comentários breves:

. Não há nenhuma fala de pessoas ligadas ao Ministério do Meio Ambiente, IBAMA ou qualquer outro órgão ambiental....Nada mais sintomático, afinal a questão energética no Brasil é ditada em outras esferas, e a área ambiental tem ficado sempre à reboque, como um fornecedor de licenças ambientais...

. De qualquer forma, a reportagem reune dados e informações importantes...Ajuda-nos a situar no debate...

 

Bom Feriadão.....



publicado por fabiodeboni às 00:58
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Terça-feira, 15 de Abril de 2008
Nova polêmica sobre os biocombustíveis

Uma declaração do relator especial da ONU para o Direito à Alimentação divulgada nesta segunda-feira (CLIQUE AQUI) causou mal estar no governo brasileiro. Ele sinalizou que o crescimento na produção de biocombustíveis no Brasil vai acarretar aumento nos preços dos alimentos no mundo.

Além do fato dele "meter o bedelho" em questões nacionais, penso ser preciso analisar as entrelinhas desta declaração.

1. Ela vem da ONU, e portanto, representa uma posição hegemônica internacional. Trocando em miúdos, representa o pensamento dos países industrializados.

2. O Brasil é o principal país do mundo com a tecnologia e terra para o cultivo (em larga escala) de biocombustíveis. Ou seja, representa um risco com relação à chamada "reserva de mercado" mundial.

3. Os países industrializados, vendo o Brasil com a faca e o queijo na mão, tentam de todas as maneiras desqualificar e impedir esta tendência.

4. Mas, será mesmo que o argumento deles tem fundamento? Sinceramente, acho ele pouco fundamentado, pelo seguinte:

. Quais áreas estão sendo utilizadas, no Brasil, para a expansão da produção de biocombustíveis? Resposta: centro-oeste (principalmente).

. A expansão da cana-de-açucar nesta região está tomando áreas onde eram cultivados o que mesmo? (Resposta: soja, milho, e cia)..

. Estes produtos são exportados majoritariamente para que finalidade? É para alimentar pessoas famintas ou rebanhos de animais?

 

Encerrando por aqui (por enquanto), ficam as ponderações sobre a tal declaração, convidando o(a) leitor(a) a encarar estas notícias com mais criticidade. Afinal, quem realmente está preocupado com a fome no mundo não adota políticas de subsídios aos seus produtos agrícolas, não financia guerras no mundo e não mantém politicas neocolonialistas nos países pobres (leia-se África).



publicado por fabiodeboni às 01:14
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Sexta-feira, 11 de Abril de 2008
Um olhar sobre a situação em Roraima

Não é de hoje o conflito que ocorre em Roraima, entre indígenas e arrozeiros. Nos últimos dias a mídia andou divulgando algumas notas e pequenas matérias sobre o assunto, mas, como sempre, o tema passa despercebido pela maioria dos brasileiros.

Afinal, creio que a maioria nem sabe onde fica Roraima...Infelizmente é um estado tão distante dos brasileiros que pouca importância se dá ao assunto. Eu já estive em Roraima, e ainda que por pouco tempo, pude captar um pouco deste espírito de conflito entre indígenas e não indígenas (e, óbvio, diversos outros atores).

O conflito foi bastante acirrado com a criação da Reserva Indígena "Raposa Terra do Sol", o que elevou para 48% a posse de terras no estado para os indígenas.

Penso que o "xis" da questão está aí. Trata-se de uma disputa por terras - de um lado, os grandes fazendeiros (arrozeiros), o governo do estado, a mídia e a sociedade como um todo - e do outro, os indígenas e organizações que atuam na sua defesa.

Vale lembrar que boa parte de Roraima é composta por cerrado, o que amplia a cobiça dos grandes fazendeiros por estas terras. Inclusive, é bastante comum encontrar pessoas do sul do Brasil entrando pesado em Roraima, comprando terras e investindo em grandes áreas.

Mas, como se percebe, a questão divide opiniões e mostra como o tema é complexo.

Reuni alguns links de reportagens que ilustram bem isto....

 

CLIQUE AQUI para entender um pouco melhor a questão.

 

CLIQUE AQUI para conhecer um pouco mais a posição do exército sobre a questão. É evidente que ela não é a favor dos indígenas, e que a linha de argumentação é sempre a da "defesa do território nacional"....

 

CLIQUE AQUI e veja como a questão vem se arrastando na justiça. Mas, o mais interessante é o comentário deixado por um leitor, abaixo desta reportagem. Creio que o comentário (bastante infeliz) ilustra bem o pensamento geral da sociedade roraimense acerca dos indígenas.

 

CLIQUE AQUI e conheça um ponto de vista que vincula a defesa dos indígenas com as ONGs internacionais e as reservas minerais em Roraima. O posicionamento do autor é muito infeliz, mas ajuda a ilustrar os distintos pensamentos sobre o tema.

 

Por fim, encerro com uma reportagem da Caros Amigos que ajuda a mostrar melhor a questão. Ela mostra documentos do Incra que comprovam que as terras não são dos "brancos" como alegam os fazendeiros, além de nos apresentar alguns personagens desta trama, que a mídia tenda vender como um filme policial, que tem como mocinho os defensores da propriedade privada, da ordem e da defesa da amazônia. Nem precisa dizer quem são os "bandidos" do filme....

CLIQUE AQUI para acessar a matéria.



publicado por fabiodeboni às 11:29
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Segunda-feira, 7 de Abril de 2008
Consumo Sustentável e Consumo Responsável

Foi capa da Revista Época da semana passada o tema "verde". Aliás, na mesma semana, como eu publiquei aqui no blog, duas outras revistas (Exame e Veja) também dedicaram suas edições semanais à quesão ambiental (mercado verde e amazônia, respectivamente).

A abordagem da Época pouco agrega ao tema dado seu papel supostamente informativo, e muito menos o faz no quesito criticidade e estímulo à reflexão.

Um aspecto positivo em todas estas revistas que citei (talvez um pouco menos na Exame) é a sua capacidade didática de apresentar o tema, com ilustrações, esquemas, dados, etc.  É preciso aprendermos com eles neste aspecto..

Já na capa o título deixa explícito o tom da reportagem: "compre verde"....Fazendo a leitura das várias páginas dedicadas ao tema, intercaladas por propagandas de empresas bem conhecidas (coca, toyotoca, pão de açucar....), pode-se identificar diversas questões passíveis de serem debatidas mais a fundo. Vou me deter a apenas uma delas, que me parece ser uma questão mais de fundo, que é a discussão "Consumo Sustentável" e "Consumo Responsável (ou Consciente)".

Pra quem ainda tem dúvidas quanto a estes conceitos, a leitura da Época (CLIQUE AQUI) serve de um belo exemplo de abordagem pró segunda opção. A tônica é evidente: continue consumindo e mantendo seu padrão de consumo, mas preferindo produtos "verdes". De resto, segue tudo como antes...

É óbvio que também há aspectos positivos nesta abordagem, afinal vivemos num país que ainda apresenta trabalho escravo e desrespeito a aspectos básicos da legislação ambiental. Olhando sob este prisma, a proposta do Consumo Responsável significa um avanço no modelo de produção e consumo, tornando a matriz produtiva mais verde. Por outro lado, ele não avança na direção de uma mudança mais radical nestes padrões, debate este trazido pela proposta do Consumo Sustentável.

Para quem quiser conhecer mais a fundo a proposta do Consumo Sustentável nunca é demais divulgar uma publicação organizada pelo MEC e MMA, em parceria com o IDEC, sobre o tema. CLIQUE AQUI para baixar gratuitamente o Manual.

Aliás, cá eu com meus botões me pergunto: seria efetivamente possível irmos além da abordagem do Consumo Responsável, de forma ampla e abrangente no mundo atual?"....sei não....tenho lá minhas dúvidas, ainda que eu continue sendo uma pessoa otimista e comprometida com uma Educação Ambiental crítica e transformadora...Só não sei se, hoje, ela tem força suficiente para mudar o rumo das coisas...Seria o fim de uma era de utopias?

 



publicado por fabiodeboni às 23:53
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