Política e Sustentabilidade sob um ângulo crítico
Sexta-feira, 30 de Maio de 2008
Os limites das Redes de Educação Ambiental

A despeito de todo o frisson vivido pelas Redes de EA no país marcado pela expansão numérica de redes na malha da Rebea (se não me engano são mais de 45 atualmente), esta forma de articulação social apresenta consideráveis fragilidades e limites.

Não falarei da questão do financiamento, que é sem dúvida um desafio na pauta de discussões das redes de EA. Não falarei também dos debates tensos sobre "representatividade" de integrantes das Redes, um outro ponto relevante...

Prefiro ater-me aos aspectos relativos à gestão destes coletivos, procurando refletir sobre algumas perguntas pertinentes:

. Como as redes fazem a sua gestão interna? Como elas têm se organizado "para dentro" e "para fora"?

. Quais os aprendizados destes modelos de gestão? (Se é que se pode chamar isto de "modelo")

. Quais os gargalos principais desta gestão?

. Como a rede toma decisões? (desde assuntos menores até questões de fundo e de cunho político). Quem decide pela rede? É por maioria? É por consenso?

 

Reuno estas questões procurando me inspirar nos últimos tempos vividos pela Rede Brasileira de EA (Rebea), da qual tenho participado desde 2002, alguns momentos mais "na escuta" e outros mais presente...

Ao longo deste tempo (que é pouco se considerado o tempo de vida da Rebea) fui percebendo coisas, formas e dinâmicas internas que me chamaram atenção. Mais recentemente, com a relação mais estreita entre Órgão Gestor da PNEA e Rebea, e mais especificamente a partir de 2 fatos recentes no debate da EA brasileira - a criação do ICMBio, com a extinção da CGEAM do Ibama, e os desdobramentos na Rebea desencadeados após o anúncio da saída da Marina e da chegada do Minc ao MMA - envidenciaram limites explícitos das redes de EA que merecem ser pontuados:

 

1. Dinâmica de gestão centrada num formato de Secretaria Executiva única não consgue dar agilidade às discussões e encaminhamentos da Rede. É preciso registrar o esforço e a atuação dos(as) últimos(as) Secretários(as) Executivos(as) à frente da SER (Sec. Executiva da Rede), mas, a meu ver, a saída seria caminharmos para um formato mais coletivo de gestão, com, pelo menos, 1 SER por região.

 

2. Revisão dos objetivos e propósitos da própria Rede: a meu ver, ela cumpre muito bem o papel de disseminar, circular e socializar informações; promover o link entre pessoas, e ponto. Penso que quando se projetam objetivos relativos a ação coletiva, e, sobretudo, posicionamentos políticos, vejo muita fragilidade na rede. Talvez estes objetivos sejam "muita areia" para o momento atual da rede, sobretudo quando o tema reune pontos de vista e posicionamentos políticos distintos dos educadores articulados na rede, como é o caso da questão da EA no Ibama.

 

3. Relação entre Rede e Governos: tema bastante conflituoso, tem gerado ao longo destes anos que atuo na Rebea muitos questionamentos, que foram desde infelizes colocações do tipo "quem atua no governo não pode atuar na rede", até debates mais pertinentes acerca do nível de relação entre ambos...Se olharmos este assunto no período do Governo Lula, a questão ganha argumentos mais ricos para reflexões, entrando aí na pauta: V Fórum Brasileiro de EA, CIEAs, FNMA, CNMA, CNIJMA, etc...

 

4. Tempo da Rede: qual o tempo adequado das redes? Quando o fator tempo corre contra a lógica da rede, como lidar com isso? Como tomar decisões "pra ontem"? É possível? Um risco que vejo aí, é como equilibrar a dimensão "oportunidade" versus "tempo ideal"...

 

Há muitas outras questões e indagações que ajudam a ilustrar os limites que tenho presenciado na dinâmica das Redes....Ficam as reflexões vindas de quem ainda acredita e participa das redes, apesar de, muitas vezes, ficar perplexo, desanimado e frustrado com elas...



publicado por fabiodeboni às 14:57
link do post | comentar | favorito
|

Quinta-feira, 29 de Maio de 2008
Entrevista do Capobianco no Estadão

Saiu no Estadão desta 5a feira uma entrevista com o ex- secretário executivo do MMA, João Paulo Capobianco...CLIQUE AQUI para ler a entrevista...

Nela, ele comenta coisas que quem está ou já passou pelo Governo Federal compartilha e compreende perfeitamente, e para quem "está de fora" pode se estranhar e achar bobagem...Mas é a pura realidade..

Fica aí a informação para a nova equipe de dirigentes do MMA. Não se trata do esforço de um ministro ou sua equipe, mas de uma disputa entre uma "pasta" que é vista como sendo de "menor importância" no núcleo central do Governo...

 

Se o MMA é de "segundo escalão" no conjunto do governo, imaginem onde estará a Educação Ambiental dentro do Ministério? Fica aí a provocação...



publicado por fabiodeboni às 19:49
link do post | comentar | favorito
|

Terça-feira, 27 de Maio de 2008
Posse do Minc e Entrega de Carta da EA

Estivemos presentes na posse do novo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, e presenciamos um belo discurso do presidente Lula..

Para quem quiser saber mais sobre a solenidade no Palácio do Planalto, CLIQUE AQUI.

Coloco só um link porque, no geral, o enfoque é muito parecido, mudando apenas algunas nuances da fala do Lula...

 

Mas, um fato importante foi uma articulação feita por um grupo de Educadores Ambientais, residentes em Brasília, do qual fiquei como porta-voz, com a entrega de uma cópia de uma Carta ao novo ministro e à nova secretária executiva do MMA.

A carta, na íntegra ao final deste texto, expressa, de certa forma, as vozes de muitos educadores ambientais brasileiros e está circulando na Rebea há alguns dias....

Algumas considerações importantes:

  • Havia uma oportunidade, talvez única, de entregar a Carta ao novo ministro, em plena solenidade de sua posse, e, por isso, esta atitude foi tomada sem que huvesse um posicionamento mais coletivo de toda a rede. Infelizmente não havia tempo para tal.
  • Em nenhum ponto da Carta está registrado que se trata de um documento da Rebea, de modo a não deixar dúvidas de que se tratou de uma ação de um grupo de educadores ambientais (muitos deles atuam na Rede).
  • Entretanto, se a Rebea comunga das idéias da Carta, ela pode encaminhá-la formalmente ao novo Ministro, o que, aliás, daria um peso e uma legitimidade maior ao seu conteúdo.
  • Se este caminho for tomado, é fundamental que o seja com rapidez, pois o novo ministro está assumindo e , certamente, em pleno processo de definição da nova equipe (e de quem  deverá permanecer da "antiga" equipe).

 Segue a sequência de fotos tirada pelo amigo João Paulo Sotero, que registra a entrega da Carta nas mãos do novo Ministro, Carlos Minc. Em rápidas palavras, ele comentou sobre as ações de EA que vinha desenvolvendo no RJ e sobre um telefonema do Fernando Hadad, Ministro da Educação, para agendar uma reunião entre eles...

 

 

 

Considero que se tratou de uma ação politicamente importante para a Educação Ambiental, na medida em que fez chegar às mãos dos novos dirigentes do MMA muitos anseios de educadores ambientais...Certamente a Carta não dá conta de todas as questões, demandas e anseios, muito menos expressa da melhor forma tudo isto, mas foi o produto possível, no tempo disponível e na oportunidade única...

Segue a carta para conhecimento de todos....Para quem já leu, recomendo uma nova leitura...Para quem não leu, fica o convite à leitura....Posicionamentos são bem vindos, e de preferência na lista aberta da Rebea....

 

 

Pela continuidade das ações estruturantes e estruturadoras da

educação ambiental no Brasil

Carta dos educadores e educadoras ambientais ao novo Ministro do Meio Ambiente, companheiro ambientalista Carlos Minc.

 

A educação ambiental desde 1988 com a Constituição Federal passou a ser um direito social fundamental do povo brasileiro. O artigo 225 da Constituição, bem conhecido dos ambientalistas, diz que “Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações e para assegurar esse direito cabe ao poder público promover a educação ambiental (...)”. Além de ser um direito de todos, a educação ambiental tem, desde 1999, status de politica nacional sendo disciplinada pela lei 9.795/99. A lei da educação ambiental como ficou conhecida, entre outros elementos, trouxe um aspecto fundamental para a gestão da política de EA ao criar a figura de um Órgão Gestor (OG) para sua coordenação, afinal trata-se de tema de competência de mais de um ministério. Nesse sentido, cabe a coordenação da Política Nacional de Educação Ambiental (PNEA) ao Ministério do Meio Ambiente e Ministério da Educação. Embora criado

em lei desde 1999 e regulamentado desde 2002, por meio do decreto 4.281/02 o Órgão Gestor da PNEA passou a existir efetivamente a partir de 2003, após sua instalação no início da primeira gestão do Governo Lula.

A instalação do OG foi um marco na política de EA, pois a partir daquele momento as ações entre MMA e MEC passaram a ser pautadas pela cooperação e complementaridade e pela clareza de atribuições entre as duas instituições. Para alguns a instalação do Órgão Gestor pode parecer um simples ato burocrático, contudo, podemos afirmar que contribuiu efetivamente para a EA, sendo o primeiro passo para uma série de ações estruturantes relativas à política de educação ambiental, entre elas podemos citar:

Enraizamento da Educação Ambiental: tratou-se do fortalecimento das estruturas de educação ambiental nas Secretarias de Educação e Meio Ambiente nas unidades da federação, incluindo a criação e/ou fortalecimento, pautadas na democracia e participação, das Comissões Intersetoriais de Educação Ambiental – CIEAs;

Conferências de Meio Ambiente: a EA nas três edições da CNMA versão adulta foi o tema que contou com o maior número de participantes. Nas duas edições da

Conferência Infanto-juvenil pelo Meio Ambiente foram envolvidas milhares de escolas e a partir desta grande mobilização ocorreram várias ações como a formação de professores, o estímulo a criação de Comissões de Meio Ambiente e Qualidade de Vida, além da Agenda 21 na Escola, entre outras;

Juventude pelo Meio Ambiente: criação de coletivos jovens pelo meio ambiente nas unidades federativas com o intuito de atuarem e promoverem ações socioambientais. Este programa, além do foco na atuação e ativismo juvenil, pautou-se também na formação dos jovens por meio de três encontros nacionais e de processos a distância.

Cabe destacar que o tema meio ambiente foi elencado como a quarta prioridade na Conferência Nacional de Juventude;

Coletivos Educadores: programa de formação de educadores ambientais populares por meio da mobilização e organização das instituições com competência ou potencial formador em um dado território. Trata-se de uma ação de formação que leva em conta os saberes locais e contribui efetivamente para a organicidade das ações e atores do campo da educação ambiental e do socioambientalismo em um espaço comum;

Fortalecimento das Redes de EA: apoio integral na organização e financiamento do V Fórum Brasileiro de Educação Ambiental, evento central para as Redes de EA, cuja realização da última edição (IV Fórum) havia ocorrido em 1997, além de apoio no que tange a organização da VI edição do Fórum, previsto para ocorrer no Rio de Janeiro em 2009. Realização em 2005 do I Encontro das Redes de EA com o OG e previsão e organização para 2008 do II Encontro das Redes de EA com o OG. Organização em 2006 do V Congresso Iberoamericano de Educação Ambiental que contou com mais de 4 mil educadores ambientais brasileiros, além de delegações de mais de 25 países;

Financiamento da EA: embora o artigo que tratava da fonte de recursos para a

implementação da PNEA tenha sido vetado em 1999, podemos observar o crescimento dos recursos para a educação ambiental a partir de 2000, ano em que a educação ambiental passou a integrar o Plano Plurianual (PPA) do Governo Federal por meio de um programa. O crescimento observado ainda é tímido, mas alguns esforços nesse sentido são visíveis como o estabelecimento de emendas (ao orçamento) parlamentares junto ao Congresso Nacional, o programa Educação de Chico Mendes que garantiu recursos para escolas junto ao FNDE e sobretudo a relação estabelecida junto ao FNMA para a constituição da Rede Brasileira de Fundos Socioambientais cujo tema prioritário para o financiamento foi a educação ambiental;

Estabelecimento do SISNEA: proposição junto aos educadores e educadoras ambientais brasileiros do estabelecimento de um Sistema Nacional de Educação Ambiental, capaz de propiciar organicidade entre instituições e atores do campo da EA no sentido de potencializar suas práticas. Trata-se de um sistema que perpassa e fortalece o Sistema Nacional do Meio Ambiente (SISNAMA) e os sistemas de ensino, públicos e privados;

Ressaltamos que existem inúmeras outras ações e resultadas neste período como o fomento às Salas Verdes; o fortalecimento das relações internacionais, sobretudo junto aos países latino-americanos e países africanos de língua portuguesa; o efetivo lançamento do Sistema Brasileiro de Informação em Educação Ambiental (SIBEA); a elaboração de várias publicações como Encontros e Caminhos e Identidades da Educação Ambiental Brasileira.

Portanto, sabedores dos avanços conquistados nos últimos cinco anos no campo da educação ambiental enquanto política pública e sobretudo sabedores dos desafios que estão postos para esta área tendo em vista as mudanças ambientais globais decorrentes de um modelo de desenvolvimento absolutamente insustentável, nós, educadores e educadoras ambientais, solicitamos a manutenção e o fortalecimento das ações desenvolvidas pelo Departamento de Educação Ambiental do Ministério do Meio Ambiente, bem como a manutenção da equipe que à compõe.

Além disso, assim como aprovado no âmbito da Comissão Intersetorial de Educação Ambiental do MMA (CISEA) formada pelas secretarias e vinculadas, solicitamos que a educação ambiental seja efetivamente transversal no Ministério do Meio Ambiente, bem como em suas instituições vinculadas, contanto com estruturas fortes e dinâmicas, capazes de empreender processos de educação ambiental. Cabe destacar neste contexto, a necessidade urgente da (re)institucionalização da educação ambiental no Ibama e a criação de estrutura de EA no ICMBio, tendo em vista os serviços prestados à educação ambiental pelo Ibama e o potencial de ação de suas estruturas descentralizadas – Núcleos de Educação Ambiental (NEAs). Ressaltamos que devem ser levados em consideração, no que tange a (re)institucionalização, os resultados do Grupo de Trabalho de Educação Ambiental (GTEA) do Ibama, instituído pela Portaria Ibama n.147, de 22 de fevereiro de 2008.

Desejamos ao novo Ministro e sua equipe muita paz e força, e estaremos ao seu lado, assim como estivemos com a companheira Marina Silva, na busca de uma sociedade sustentável.

Brasil, maio de 2008.

 

 

 

 



publicado por fabiodeboni às 23:32
link do post | comentar | favorito
|

Segunda-feira, 26 de Maio de 2008
Novo velho debate sobre a Amazônia

É lamentável a reportagem da Capa da Revista Isto é desta semana. Sob o título "A Amazônia é nossa!", a reportagem consegue fazer uma lambança reunindo boatos e fatos com argumentos frágeis para passar a mensagem de que o Brasil deve estar preparado para uma invasão estrangeira na Amazônia; que a Amazônia é vista pelo mundo como território internacional; que a culpa da devastação e exploração da região é das ONGs internacionais e dos indígenas.....

 

 

Além de ser infeliz, a reportagem é tendenciosa e traz uma visão política que precisa ser questionada e disputada...Tira a culpa do modelo de desenvolvimento adotado na Amazônia - exploração insustentável da madeira, queima, pastagem, pecuária, soja, trabalho escravo, exploração mineral, garimpo, etc - e coloca a fatura desta conta para os indígenase ONGs internacionais...

Há uma relevante relação desta reportagem com a questão da coordenação do PAS nas mãos do Mangabeira Unger....Aliás, vale a pena ver como foi a participação dele na Câmara..Ao menos conseguiu explicitar o que pensa sobre o tema, nada menos do que a visão que imperou no país nos anos 70, em plena época do "Milagre", a de que a Amazônia precisa ser ocupada, e bla bla bla....

Infelizmente, a opção pela coordenação do PAS tem a sustentação do presidente Lula.. É só perceber suas últimas declarações sobre a Amazônia...CLIQUE AQUI para acessá-las..

 

Realmente o momento é preocupante e exige atenção cuidadosa e ação política de quem atua no meio ambientalista....

 



publicado por fabiodeboni às 18:57
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
|

Boletim do IPEA sobre Juventude

O IPEA publicou a edição número 15 do Boletim de Políticas Sociais especial sobre Juventude....É um documento bem completo e vale a pena a leitura...

CLIQUE AQUI para acessar o Boletim na íntegra...

 

 

 



publicado por fabiodeboni às 12:39
link do post | comentar | favorito
|

Sexta-feira, 23 de Maio de 2008
Pela manutenção das ações de Educação Ambiental

Lanço aqui no blog algumas idéias relacionadas à importância da continuidade das ações de Educação Ambiental que vêm sendo realizadas pelo Órgão Gestor da Política Nacional de Educação Ambiental (MMA e MEC). Com isto, reuno-me ao coro de outros educadores, colegas e profissionais realmente preocupados com as mudanças no MMA, deflagradas após o anúncio da saída da Marina Silva.

As mudanças no MMA são preementes e devem ocorrer em diversas áreas. A questão fica em torno do Departamento de Educação Ambiental (DEA), e consequentemente nas ações do Órgão Gestor.

Sabemos que ninguém é insubstituível, mas neste caso, a permanência do Marcos Sorrentino à frente do DEA é extremamente importante para a Educação Ambiental brasileira. Não se trata de uma disputa "pessoal" mas sim reflexo das muitas conquistas construídas pela EA nos últimos 5 anos.

Para ilustrar ao leitor(a) um pouco destas conquistas, tomo a liberdade de contar uma passagem pessoal referente à minha chegada em Brasília, em meados de 2003, para atuar no MMA.

A idéia que eu trazia comigo de um Ministério era a da "excelência" de profissionais, por se tratar de uma instituição de âmbito nacional e com uma imensa responsabilidade na implementação de políticas públicas federais...

Doce ingenuidade a minha, logo identificada no relacionado cotidiano deste órgão.

Só para se ter uma idéia, nesta época, o DEA (ná época ainda era chamado de Programa Nacional de EA) tinha uma salinha com menos de 10 funcionários e praticamente todos completamente perdidos quanto aos rumos a seguir. Aguardavam o início das coisas, com a chegada do novo Diretor, e viviam de ações de "sensibilização" - a principal delas era a do projeto "Protetores da Vida". Realmente a situação era lamentável...

A relação com o MEC era conflituosa, briga de egos entre ex-coordenadores e disputa por espaço e projetos...

Cinco anos depois, o que se vê é algo infinitamente melhor do que no passado...Uma chuva de projetos, ações...capilaridade, materiais, legitimidade, etc.. Um ProNEA mais conhecido e fortalecido, uma relação de Órgão Gestor efetivada e em curso, e inúmeros resultados a mostrar..

Como muitos só consideram o aspecto "din-din", este é um dos resultados bem expressivos...Não tenho os dados em mãos, mas o salto dos recursos disponíveis no PPA para a Educação Ambiental é imenso, se comparado ao orçamento disponível em 2002...

 

Esta passagem foi apenas para ilustrar o "antes" e o "hoje", para nos inspirarmos a seguir lutando pela manutenção e aprimoramento das políticas de EA em nosso país....Com isto não quero que fiquemos numa postura "está bom assim", mas sim de estarmos lutando pela manutenção de uma "linha" de ação que rumou nestes 5 anos nas seguintes direções:

. Fortalecimento dos movimentos, coletivos e orgnizações de EA

. Maior institucionalização da EA nas três esferas de governo e nas organizações da sociedade civil (mais orçamento, mais equipe, políticas públicas de EA, etc)

. Abertura de diálogo e políticas específicas para segmentos relevantes, como a Juventude

. Linha de publicações específicas e de qualidade

. Incremento de projetos já existentes (ex. Sala Verde) e novos projetos

. Ações de Formação de Educadores Ambientais

. Grandes projetos mobilizadores - Conferência Infanto-Juvenil pelo Meio Ambiente...

 

Pára por aqui, mas continuarei em outros textos....

Fica a provocação para que nós, educadores(as) ambientais lutemos pela manutenção do que de bom foi feito, e para o seu constante aprimoramento....

 

Por fim, uma fala do Marcos Sorrentino que expressa a síntese das ações dos últimos 5 anos do Órgão Gestor: que a EA seja permanente, continuada e que atinja a totalidade dos brasileiros e de seus territórios....

O caminho é este, mas ainda falta muito para se alcançar este destino....Sigamos em frente!



publicado por fabiodeboni às 18:12
link do post | comentar | ver comentários (2) | favorito
|

Quarta-feira, 21 de Maio de 2008
Dito pelo não dito

Ainda sobre a saída da Marina e a chegada do Minc ao Ministério do Meio Ambiente, tenho lido muita coisa na mídia e na internet sobre o tema. A maioria dos textos, artigos e reportagens tem versado sobre a figura da Marina - sua atuação, dedicação e e entrega durante o tempo em que esteve à frente do MMA, na gestão do Governo Lula. Diversas figuras consagradas abordaram o tema - de Frei Beto a Leonardo Boff, passando por muitas outras pessoas, personalidades e profissionais dos campos social, político e ambiental. Todos apresentaram com muito mérito a força e a coerência da Marina nos cinco anos de MMA e o quanto ela saiu fortalecida desta história toda...

Outro conjunto de textos vem abordando o fator "Minc" - o que ele fez no RJ, o que ele traz de idéias e propostas, seu jeito excêntrico, etc...Muita coisa virá pela frente e estaremos acompanhando e colaborando, na medida do possível...

Mas o que mais tem me chamado a atenção são as coisas "não-ditas" em todos estes textos...O que chamo de "não-dito"?

Refiro a questões práticas relativas a esta mudança de gestão, como por exemplo:

. Quem efetivamente fica e quem sai do MMA nesta mudança? Quais áreas serão afetadas? Quem será convidado a permanecer? Por quê?

. Haverá mudanças na estrutura do MMA, IBAMA, Serviço Florestal e Chico Mendes? Vale lembrar que houve mudanças recentes nestes órgãos, que inclusive gerou muita polêmica e críticas à Marina, como muitos se recordam.

. Como as ações que estão sendo anunciadas pelo Minc serão colocadas em prática?

. Como e quais Programas, projetos e ações em andamento ficam a partir de agora? Haverá descontinuidade de políticas públicas?

 

Há muitas outras questões "não-ditas" até o momento e muitas respostas virão nas próximas semanas...Pelo menos é o que se espera...

Finalmente, há uma expectativa grande por parte dos(as) Educadores(as) Ambientais quanto à continuidade das ações relativas ao Programa Nacional de Educação Ambiental (ProNEA), sendo desenvolvidas pelo Órgão Gestor da Política Nacional de EA (MMA e MEC). No caso específico do Departamento de EA (DEA) do MMA, como ficarão os diversos projetos em curso?

Por mais que se possa supor que não haverá descontinuidade, este risco é evidente....Pelo que tenho visto,as redes, coletivos e organizações que atuam no campo da EA estão atentas e prontas para lutarem pela manutenção e aprimoramento destas políticas...Talvez o primeiro pasoo a ser dado seja evitar que haja retrocesoos....



publicado por fabiodeboni às 15:00
link do post | comentar | favorito
|

Terça-feira, 20 de Maio de 2008
Nota do Conselho Nacional de Saúde sobre a demissão da Marina

Apesar de querer muito mudar de assunto, é difícil não seguir publicando textos sobre a saída da Marina Silva...Prometo que mudarei de pauta em breve, desde que não encontre mais nada realmente interessante para publicar sobre a saída da Marina do MMA....

Enquanto isso, considerei importante publicar aqui a Nota do Conselho Nacional de Saúde sobre o tema....

 

 

CONSELHO NACIONAL DE SAÚDE

 

Nota sobre a demissão da Ministra Marina Silva

 

Em sua 185ª. Reunião Ordinária, em 14 de maio de 2008, o Conselho Nacional de Saúde – órgão de representação do controle social, de caráter deliberativo, fiscalizador e formulador de políticas, vem tornar pública a sua preocupação com os rumos da política de crescimento e desenvolvimento econômico do Brasil, por seus impactos diretos e indiretos sobre a saúde e a qualidade de vida da população, a partir da demissão da Ministra do Meio Ambiente Marina Silva. Reconhecemos o esforço de sua gestão no sentido de superar a abordagem setorializada das questões ambientais e de construir a necessária transversalidade nas políticas de desenvolvimento, que traria repercussões positivas também sobre a saúde. Entretanto, muitas têm sido as decisões do governo Lula que vêm constrangendo a perspectiva da sustentabilidade ambiental e social, como a progressiva liberação de transgênicos, especialmente a soja e o milho; a transposição do São Francisco; o licenciamento das usinas hidrelétricas do Complexo do Rio Madeira; o avanço do agronegócio da soja, da cana, do eucalipto, das frutas e da pecuária sobre o cerrado, o semi-árido e a floresta amazônica; a destruição dos manguezais pela carcinicultura; a atração de investimentos industriais nocivos ao ambiente e à saúde da população, como a siderurgia e o papel, entre outros. É preciso reafirmar o artigo 200 da Constituição Federal do Brasil: o direito à saúde deve ser garantido pelo Estado mediante políticas sociais e econômicas que visem a redução do risco de doença e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação. Estratégias de desenvolvimento como as acima elencadas, ao consumirem intensivamente recursos naturais; gerarem contaminação do solo, da água, do ar e dos alimentos; transformar profundamente territórios de vida de comunidades humanas, têm trazido impactos negativos sobre a saúde da população. Ameaças à segurança alimentar, re-emergência e difusão de doenças infecto-parasitárias; contaminação de trabalhadores e moradores por produtos químicos como os agrotóxicos; elevação da violência, acidentes e traumas, além das doenças sexualmente transmissíveis; entre muitos outros, são problemas que ameaçam a saúde especialmente de comunidades tradicionais, como ribeirinhos, quilombolas, indígenas, e também camponeses e trabalhadores pobres das periferias urbanas, grupos sociais mais vulneráveis. Alertamos que este não é o caminho de desenvolvimento que interessa à saúde da população brasileira: a Presidência da República e seu Ministério estão em débito com a nação brasileira e com os movimentos sociais que defendem nosso patrimônio natural e a equanimidade na promoção da qualidade de vida e da saúde. Contamos com a reversão destes rumos.

 

Brasília, 14 de maio de 2007 Conselho Nacional de Saúde



publicado por fabiodeboni às 00:44
link do post | comentar | favorito
|

Domingo, 18 de Maio de 2008
Ainda sobre Marina Silva

Nada como o tempo para decantar as coisas, estancar as feridas e retomar o ânimo e o sangue frio. Apesar de ainda estarmos vivendo o impacto da recente saída da ex-ministra do meio ambiente, Marina Silva, com o passar desta semana começam a circular novas informações e olhares menos "quentes" sobre o tema.

No Estadão deste domingo saiu uma boa entrevista com ela, onde ela faz um breve balanço da sua gestão e comenta sobre as possíveis causas da sua saída. É evidente que este balanço é bastante parcial e, obviamente, não contempla as ações de Educação Ambiental realizadas...Uma pena, como sempre, que a EA fique no "banco de reservas", mas há muita gente trabalhando firme (me incluo aí) para escalá-la para o time titular...

CLIQUE AQUI para acessar a entrevista do Estadão de domingo.

 

A Folha de SP deste domingo também publicou uma reportagem-entrevista com Marina..Nela ela fala sobre suas ações a partir de agora, no seu retorno ao Senado...CLIQUE AQUI...

 

Finalmente, a capa da Carta Capital desta semana traz na sua capa a foto da Marina com a seguinte questão "Marina Cansou"...Fica a sugestão de leitura. CLIQUE AQUI.

 

 



publicado por fabiodeboni às 11:57
link do post | comentar | ver comentários (2) | favorito
|

Sexta-feira, 16 de Maio de 2008
Saiba mais sobre Carlos Minc

Tem sido publicado na internet diversos artigos e reportagens sobre a saída da Marina Silva e a chegada do Carlos Minc. Procuram mostrar também as diferenças entre eles, os perfis e feitos no campo ambiental.

Foi publicado no portal "Eco-Finanças" um texto contando mais sobre o histórico de Minc...CLIQUE AQUI para saber mais...

Na página da Secretaria do Ambiente do RJ, pode-se também acessar o perfil do, agora, ex-secretário (CLIQUE AQUI).

Por fim, segue o link da página pessoal do Minc...CLIQUE AQUI.

 

Sobre as suas ações no campo da Educação Ambiental na secretaria do RJ, as críticas que conheço referem-se à sua insistência em realizar (e coordenar) ações junto ao Ensino Formal, apesar de todo o esforço do Órgão Gestor da PNEA (MMA e MEC), desde 2003, para repactuar responsabilidades entre Secretarias de Educação e de Meio Ambiente....Se Minc seguir a linha que vinha adotando no RJ, haverá um conflito instalado na sua gestão à frente do Departamento de Educação Ambiental (DEA) do MMA....Vejamos o desenrolar desta história, a começar pela indicação da pessoa para a Direção do DEA....Como sonhar não custa nada, porque não apostar na permanência do Marcos Sorrentino no DEA? De fato, seria uma grande conquista para a Educação Ambiental....



publicado por fabiodeboni às 12:05
link do post | comentar | favorito
|

quem sou eu?
pesquisar
 
Novembro 2015
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6
7

8
9
10
11
12
13
14

15
16
17
18
19
20
21

22
23
25
26
27
28

29
30


Estatísticas de Acesso
arquivos

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

textos recentes

Repensando a filantropia

Lula e a destruição da me...

Análise política

Sensacionalista

Visão política

Entrevista - Boaventura

Fim do golpe?

A crise e a mídia

Marina

O silêncio de Marina

links
blogs SAPO
subscrever feeds