Política e Sustentabilidade sob um ângulo crítico
Quinta-feira, 16 de Agosto de 2007
Um paralelo entre Angola e Brasil
Seguindo ainda na socialização de impressões sobre Angola, trago aqui algumas reflexões a respeito das diferenças de concepção entre brasileiros e angolanos a respeito de conceitos relativos à Educação Ambiental...

Pra começar, desmembro a EA em dois, e inicio pela compreensão de Educação. Aqui já começa uma diferença de fundo importante.
Se aqui no Brasil muitos educadores ambientais têm optado por atuar a partir de perspectivas críticas e emancipatórias, dialogando diretamente com Paulo Freire (e muitos outros educadores), em Angola o quadro é bem distinto. Trocando em miúdos:
- a visão deles de Educação é mais voltada ao que Paulo Freire chama de "Educação Bancária". Prezam muito pelo conteúdo e informação e preferem o famoso "cuspe e giz". Ou seja, aulas expositivas, palestras e pouco debate, reflexão, dinâmicas, e metodologias "alternativas".
E como "Educação" não é algo neutro, é claro que há uma relação direta com a questão política do país. Aí temos um quadro muito distinto do brasileiro, e merecerá um outro texto que farei em breve....

A outra "perna" da EA traz a compreensão de "Meio Ambiente", pra nós, e pra eles "Ambiente".
Pelo pouco que vimos, há uma compreensão de "ambiente" mais biofísica e utilitarista e menos socioambiental. Consideram o ser humano como parte do ambiente, mas a incorporação das questões éticas, sociais e políticas é algo mais complicado de encaixar.
Penso que contribuímos de certa forma aí, quando trabalhamos fortemente concepções de EA mais socio-políticas e menos naturalistas, e sinto que essa idéia foi bem recebida por lá...

Há ainda a questão da guerra civil que assolou Angola por mais de 30 anos. O momento "pós-guerra" gera diversas perspectivas e sentimentos que nós, brasileiros, não temos como captar e compreender de verdade. Tudo isso tem reflexos diretos nesta compreensão sobre "ambiente" e sobre o papel da EA nesta história, bem como em todo o processo que Angola vive de forte entrada de capital externo, especialmente da China (algo extremamente preocupante!).

Vive-se por lá um processo nítido de reconstrução do país (estradas, prédios, hidrelétricas, etc) que obviamente gera diversos impactos socioambientais. FIquei com uma impreesão no ar de que estes impactos são secundários, e que o central é retomar o tempo perdido e "desenvolver" o país. Neste aspecto o pano de fundo não é muito distinto do nosso, apesar de termos um processo de controle e gestão ambiental bem mais incrementado do que lá...

Comparações à parte, ficam aqui as impressões e reflexões sobre este belíssimo país que é Angola, saudades deste povo lindo, hospitaleiro e alegre e uma certeza: Brasil e Angola são povos irmãos...


publicado por fabiodeboni às 15:51
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2 comentários:
De Deborah Munhoz a 19 de Agosto de 2007 às 23:47
Oi, Fábio! Fiz uma visita rápida, para ver seus registros sobre Angola. Estive há dois meses numa reunião dos países lusófonos da rede Gender Water Alliance - GWA, em Angra dos Reis. Havia uma representante de Angola por lá.

É interessante ver as diferenças - as vezes gritantes, entre as realidades, a compreensão e a abordagem dos problemas. Ao mesmo tempo, saber que podemos contribuir e trocar muito com esses povos irmãos.

Um abraço!


De Mestrado em Educação a 27 de Outubro de 2016 às 21:49
Muito obrigado pela informação!


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