Política e Sustentabilidade sob um ângulo crítico
Quinta-feira, 30 de Agosto de 2007
Tendências da Educação Ambiental

Quais seriam as principais tendências atuais da Educação Ambiental? Seria possível identificá-las e debatê-las? A partir de quais critérios?

 

Penso que dialogar sobre tendências é algo bastante oportuno e necessário, pois permite-nos projetar de certa forma horizontes possíveis para a EA no presente e num futuro próximo. Obivamente nem todas as tendências se consolidam, podem acabar igual a um cavalo paraguaio. Outras não eram tão nítidas e acabam frutificando e ganhando escala..

 

Independente destas variáveis, me arrisco aqui a propor algumas tendências que vejo hoje na Educação Ambiental brasileira. Proponho 5 tendências principais:

 

1. EA como produto: está cada vez mais nítida a inserção da EA no mercado, constituindo-se numa frente de trabalho e de inserção profissional. É claro, isso acarreta ônus e bônus, que em outra oportunidade pretendo discutir.

 

2. Articulação Internacional: é crescente a interlocução entre educadores(as) ambientais de diversos países. Vejo como um marco inicial neste processo a realização da Jornada Internacional de EA, junto à Rio-92, que propiciou dentre outras coisas a materialização do Tratado de EA para Sociedades Sustetáveis e Responsabilidade Global. (CLIQUE AQUI para acessá-lo). Mais recentemente há uma importante articulação em curso, no âmbito dos países de língua portuguesa.

 

3. Inserção da Juventude: uma conquista importante foi a mobilização e a inserção de movimentos de juventude nos espaços e redes de EA. Este processo, em curso, propiciou ate então uma certa oxigenada na EA brasileira, e tem aportado inovações e também conflitos. Vejo como um marco a criação dos Coletivos Jovens (CJs) e da Rede da Juventude pelo Meio Ambiente e Sustentabilidade (REJUMA).

 

4. Consolidação de Políticas Públicas: no âmbito federal isto é mais visível, por meio da implementação da PNEA e do ProNEA. Nos âmbitos estadual e municipal, ainda há espaço para avanços, em termos de Programas e Políticas de EA, dotações orçamentárias espec+ificas, institucionalização da EA em órgãos de educação e de meio ambiente, etc.

 

5. Bases de um Sistema Nacional de EA (SISNEA): ainda em fase inicial de construção, pode contribuir para dar organicidade às diversas instâncias, organizações e espaços que atuam com EA (mais informações, CLIQUE AQUI).

 

Há certamente muitas outras tendências no campo da EA. Reuni aqui as que vejo atualmente como sendo as mais nítidas, como forma de estimular reflexões e pontos de vista distintos.

Por outro lado ainda continuo vendo uma grande lacuna no campo da EA, que é a área de Avaliação. Precisamos avançar muito neste âmbito, e comentarei a respeito em breve.

 



publicado por fabiodeboni às 22:01
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6 comentários:
De roosevelt s. fernandes a 26 de Agosto de 2012 às 04:37
CONVENIO TÉCNICO-CIENTÍFICO
NEPAS / BRASITÁLIA (Brasil) – ASED (Moçambique)

O Núcleo de Estudos em Percepção Ambiental e Social / NEPAS – grupo sem fins lucrativos dedicado ao estudo da percepção ambiental e social em segmentos formadores de opinião (Vitória – ES -Brasil) – e a Associação para Estudos de Desenvolvimento / ASED (Maputo - Moçambique) concluíram um programa de pesquisa voltada ao estudo da percepção ambiental de professora(e)s do ensino Fundamental e Secundário, tendo como objetivo a estruturação / proposição de uma linha de ação em relação à Educação Ambiental a ser oferecida às escolas envolvidas. A pesquisa, seguindo a linha de trabalho do NEPAS, parte do princípio que um programa de Educação Ambiental deve estar baseado, obrigatoriamente, em uma prévia pesquisa de percepção ambiental do grupo ao qual ele será oferecido. A pesquisa foi financiada integralmente pela Brasitália Mineração Espírito Santense Ltda (Cariacica – ES – Brasil). O programa definiu os mesmos moldes adotados pelo NEPAS quando de trabalho desenvolvido com a Associação Portuguesa de Educação Ambiental / ASPEA. Nesta fase da pesquisa foi desenvolvida apenas a avaliação da percepção ambiental dos professores; o programa terá prosseguimento com a avaliação dos alunos e das comunidades do entorno das escolas. Maiores informações sobre o programa poderão ser obtidas através de roosevelt@ebrnet.com.br (NEPAS) ou aseddes@gmail.com (ASED)



De roosevelt fernandes a 8 de Maio de 2016 às 02:00
No Esatdo do Espírito Santo - no âmbito de seu Conselho Estadual de Meio Ambiente - foi desenvolvida uma Resolução que define os critérios básicos para a estruturação de um Programa de Educação Ambiental através da prévia análise (diagnóstico) do perfil de percepção ambiental e social do segmenro para o qual o program será oferecido. Uma mudança significativa de paradigma no que concerne a EA imaginada para o século XXI. Vale a pena conhecer a proposta.

Roosevelt
NEPAS
Conselheiro do CONSEMA - ES
roosevelt@ebrnet.com.br


De Roosevelt Fernandes a 11 de Setembro de 2016 às 16:13
CONSELHO ESTADUAL DE MEIO AMBIENTE / ESPÍRITO SANTO - BRASIL


RESOLVE:

Art. 1º Esta Resolução trata especificamente da estruturação de programas de Educação ambiental e de Comunicação Social oriundos de processos de licenciamento ambiental, de autorização e Termos de Ajuste de Condutas e similares, conduzidos pelos órgãos ambientais.
Art. 2° – Para o entendimento e a aplicação da presente Resolução tem-se:

I - Percepção Ambiental e Social Definida como sendo uma tomada de consciência do ambiente e do contexto social pelo homem, ou seja, o ato de perceber o ambiente que se está inserido, aprendendo a proteger e a cuidar do mesmo. Cada indivíduo percebe, reage e responde diferentemente às ações sobre o ambiente em que vive. As respostas ou manifestações daí decorrentes são resultado das percepções, dos processos cognitivos, julgamentos e expectativas de cada pessoa. O indivíduo é sensibilizado e informado pela Educação Ambiental, mas reage no dia-a-dia através de seu nível de percepção ambiental e social.

II - Programa de Educação Ambiental é o conjunto de ações estruturadas que possibilita aos indivíduos tornarem-se sujeitos sociais capazes de compreender e agir no meio ambiente em sua totalidade, construído de forma participativa, integrada, considerando a realidade socioambiental diagnosticada previamente.

III - Programa de Comunicação Social é o conjunto de ações estruturadas, no âmbito do licenciamento ambiental, que vise auxiliar a comunidade a entender a atividade a ser licenciada ou em operação, bem como os impactos negativos e positivos gerados, e as suas interações com a comunidade do entorno.

Art. 3° – Esta Resolução estabelece os critérios básicos para a elaboração de programas de educação ambiental e de comunicação social, a serem apresentados e executados em cumprimento das condicionantes das licenças ambientais definidas pelos órgãos ambientais.

§ Único - As licenças ambientais a que se refere este artigo dizem respeito às licenças ambientais em projetos de significativo impacto ambiental sujeitos à elaboração de estudo de impactos ambiental – EIA.

Art. 4° - Os programas de educação ambiental e de comunicação social a que se refere esta Resolução deverão ser elaborados tendo como base diagnósticos prévios de avaliação de percepção ambiental e social da comunidade envolvida.

Art. 5° - Os diagnósticos prévios de percepção ambiental e social passam a ser parte integrante do termo de referência do meio socioeconômico apresentado pelo empreendedor para a elaboração do estudo de impacto ambiental – EIA e relatório de impacto ambiental – RIMA, no que concerne a elaboração dos programas de educação ambiental e de comunicação social.

Artigo 6° – Os dados coletados através da realização dos diagnósticos prévios de percepção ambiental e social devem ser tabulados por meio de metodologia própria que permita a realização de recortes estatísticos que venham a ser necessários ao aprimoramento das análises.
§1º – Os dados tabulados decorrentes dos diagnósticos realizados devem ser colocados ao conhecimento da comunidade por meio de um evento público, convocado pelo órgão ambiental, especificamente convocado com esta finalidade, onde a consultoria responsável pela estruturação dos programas de educação ambiental e o de comunicação social possa debater com a comunidade os dados das pesquisas conduzidas.

§2º Os resultados dessa reunião serão registrados em uma ata própria, a ser encaminhada ao órgão ambiental competente.

§3º Os programas de educação ambiental e de comunicação social deverão explicitar a correlação entre as ações propostas nos referidos programas e os resultados obtidos dos diagnósticos prévios elaborados.


Art. 7º – Os instrumentos usados no desenvolvimento dos diagnósticos devem ser disponibilizados pelo empreendedor e colocados à aprovação prévia do órgão ambiental, que os divulgará.



Parágrafo único. Será decisão do empreendedor a utilização de um único instrumento para as duas avaliações (ambiental e social) ou se lançará mão de instrumentos aplicados separadamente.


Art. 8º O Programa de Educação Ambiental e o Programa de Comunicação, deverão conter como anexo, no mínimo, as seguintes informações:
I - instrumentos usados;
II - estruturação dos grupos da sociedade que foram


De Roosevelt Fernandes a 8 de Outubro de 2016 às 20:32
AGORA É NORMA LEGAL NO ESPÍRITO SANTO

Educação Ambiental - Mudando Paradigma

Em reunião realizada (dia 5 de Outubro) no Conselho Estadual de Meio Ambiente (CONSEMA) foram definidos critérios básicos para a estruturação de Programas de Educação Ambiental (estímulo à ação participativa e integrada das comunidades) e de Comunicação Social (auxílio a sociedade a entender o projeto que estará sendo implantado), com foco prioritário na efetiva inserção da sociedade no contexto da discussões destes programas.
O especialista que irá desenvolver estes programas passa a ter a compulsória obrigação de ouvir previamente o que pensa a sociedade envolvida no projeto sobre a interação empreendimento a ser implantado e os aspectos sociais e ambientais associados.
Passa a ser exigida a realização de diagnósticos prévios de avaliação da percepção ambiental e social da(s) comunidade(s) afetada(s), informações estas que devem direcionar a estruturação dos programas.
A percepção ambiental e social dos indivíduos está ligada ao fato de que cada um percebe, reage e responde diferentemente as ações sobre o meio ambiente e o contexto social da região onde vive, contexto que depende dos processos cognitivos, julgamentos e expectativas de cada um. Em síntese o indivíduo é estimulado (conscientizado) pela educação ambiental que recebe, mas se comporta / reage no dia-a-dia através de seu nível de percepção ambiental e social.
Deste modo, com estes novos critérios definidos pelo CONSEMA, ficam evidenciadas as formas de como deverão ser atendidas, para projetos de significativo impacto ambiental, a estruturação de Programas de Educação Ambiental e Social, que passam a ser seguidas pelo órgão ambiental licenciador.
Como primeira mudança de paradigma as informações coletadas nos processos prévios de avaliação da percepção ambiental e social da(s) comunidade(s) envolvida(s) deverão ser tabuladas em um sistema onde as mesmas possam ser trabalhadas estatisticamente, ou seja, possam ser correlacionadas, o que amplia em muito a qualidade da interpretação dos resultados.
As mudanças de paradigma continuam, uma vez que estes dados (tabulados e interpretados) devem ser compulsoriamente discutidos com a(s) comunidade(s) em um evento público convocado pelo órgão ambiental licenciador, sendo os resultado registrados em ata própria que ficará no arquivo do órgão ambiental.
Mas as mudanças de paradigma não param ai, visto que passa a ser exigido do especialista que irá estruturar os programas que comprove como tais informações, produto da avaliação da sociedade de como a mesma percebe os problemas ambientais e sociais de sua região, que passam a ser base para a estruturação dos Programas de Educação Ambiental e Social.
Ainda como novidade da nova metodologia aprovada pelo CONSEMA, as pesquisas prévias de avaliação da percepção ambiental e social da(s) comunidade(s), deverão seguir um plano de amostragem dos diferentes segmentos da sociedade que precisam ser consultados (lideranças comunitárias, comunidades tradicionais, professores, entre outros), bem como o número de indivíduos a serem consultados.
Como se pode perceber, a inciativa do CONSEMA explicita, de forma muito objetiva, a etapa mais importante na estruturação de Programas de Educação Ambiental e Social que é a inserção efetiva, e gerenciada pelo órgão ambiental, da(s) comunidade(s) envolvidas no processo, podendo ser considerada como uma sensível mudança de paradigma em relação ao que até então era adotado.


Roosevelt S. Fernandes
Membro do CONSEMA
roosevelt@ebrnet.com.br


De Roosevelt Fernandes a 13 de Março de 2017 às 22:37
O Conselho Estadual de Meio Ambiente do Estado do Espírito Santo (em 2016) aprovou uma Resolução 001 / 2016 que inseriu os estudos de avaliação de percepção ambiental e social nos processos de estruturação de Programas de Educação Ambiental

Roosevelt
Membro do CONSEMA - ES
roosevelt@ebrnet.com.br


De Aiori, Ruben, Tamara a 20 de Junho de 2018 às 19:35
Concordamos plenamente com a ideia da educação ambiental e de que deveria ser mais praticada e desenvolvida. Mas, não terá o Estado de englobar a educação ambiental no sistema escolar? não deveremos aprender mais sobre o ambiente não só com objetivo cientifico, em disciplinas cientificas, mas também em disciplinas destinadas à cidadania, uma vez que o ambiente e as praticas ambientais são uma responsabilidade cívica?


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